IA e o roteiro: entre personas, simulações e narrativas infinitas – Vera Cruz

© 2026 Vera Cruz
Associação Universitária Interamericana
CNPJ 60.552.551/0001-90

Tel.: 11 3024-5315 | 3024-5314
Horário de atendimento das 7h45 às 17h30

IA e o roteiro: entre personas, simulaões e narrativas infinitas

Masterclass promovida pela pós-graduação Roteiro para Cinema e TV - Formação de Escritores

Clique aqui para fazer sua inscrição

Dia 17 de setembro, das 19h00 às 21h30

Rua Baumann, 73 – Vila Leopoldina

Evento gratuito

 

Quais os desafios e ferramentas que o roteiro audiovisual ganha com a inteligência artificial?

 

A inteligência artificial apresenta uma série de desafios para as pessoas que fazem filmes, mas, pela centralidade da palavra, roteiristas provavelmente têm diante de si uma das situações mais delicadas e, ao mesmo tempo, fascinantes.  Esta masterclass propõe uma conversa que se aprofunda na apropriação de ferramentas por autores roteiristas.

Em um dos extremos dessa rede ainda disforme, está a facilidade de reproduzir na forma de roteiro o clichê mais provável, que pode ser feito por qualquer um, e parece superpopular a internet com muito do mesmo. No outro extremo, o roteiro já é feito de imagem e de cena gerada quase em tempo real, sem deixar de ser palavra, e o software de escrita pode transformar-se em ilha de edição, em um processo de criação muito diferente da linha de montagem do fazer cinema que conhecemos hoje, em que roteirista e montador se alternam em um mesmo corpo.

No meio disso tudo, há uma vasta quantidade de ferramentas que podem ser exploradas no dia a dia da escrita, principalmente quando compreendemos que o central da inteligência artificial é a forma como o humano se apropria de suas características. Talvez a principal ferramenta para quem escreve roteiros seja a capacidade dos modelos de linguagem como o Chatgpt ou o Gemini de assumir personas a partir da construção de informações de contexto. Isso permite simular o diálogo diretamente com seus personagens de forma muitas vezes reveladora, e também possibilita provar as leituras feitas por outros olhares, colocando o roteiro diante da simulação de um outro com quem se pode debater, testar hipóteses e reavaliar escolhas criativas. Construir contextos para que a inteligência artificial possa gerar personagens e cenas automaticamente permite criar novas formas audiovisuais, que vão da transmissão infinita de Nothing Forever, no ar desde 2023 na Twitch, à utopia do Holodeck de Star Trek, mencionado diversas vezes em textos acadêmicos. Em todos os casos, há um reposicionamento da criação do roteiro, que deixa de ocupar-se de cada uma das cenas e diálogos para desenhar o sistema que os controla.

Entre o clichê reproduzido e a invenção radical, entre o diálogo com a máquina e a construção de sistemas narrativos, há um vazio fértil em que a profissão se reinventa. Talvez ser roteirista hoje seja menos sobre escrever cada palavra e ainda mais sobre contar histórias audiovisuais.

 

Marcelo Muller é roteirista de longas, como Infância clandestinaO outro lado do paraíso e Eu te levo, e criador de séries, como Brilhante FC e Encerrados. Atua como professor no curso superior de Audiovisual da USP e no PPGARTES/UFC. Doutor em Meios e Processos Audiovisuais, pesquisa aplicações criativas da inteligência artificial e da realidade virtual no cinema e nas artes, explorando narrativas, personas e simulações.