v. 2 n. 2 (2012): v. 2, n. 2 (2012)
v. 2, n. 2 (2012)

Em uma célebre entrevista concedida ao jornalista Joel Silveira, o escritor Graciliano Ramos comparou seu ofício ao das lavadeiras, afirmando que ambos exigiam o mesmo procedimento. Com tecidos ou palavras, um bom trabalho dependeria de uma sucessão de ações de limpeza antes de se pôr a roupa para secar no varal ou a folha para descansar na gaveta – e um dia tornar-se texto publicado. Ele terminou sua comparação com uma afirmação peremptória: “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”. Tal passagem, citada no texto Autobiografia e representação de si mesmo: Graciliano segundo Graciliano, de Márcia Vescovi Fortunato, diz muito sobre a preocupação desse escritor com a precisão da linguagem. Em seu artigo, a autora estabelece um diálogo entre a obra Infância e os dilemas que envolvem o gênero autobiográfico quando praticado por um escritor que, sem deixar de ser fiel ao relato de sua vida, persiste em busca da forma literária.

Editorial

Renata Lopes Costa Prado, Ricardo Prado, Magdalena Viggiani Jalbut
147-149
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