Resumo
A educação tem demonstrado entusiasmo em relação às descobertas da neurociência, provavelmente com base na expectativa de aplicá-las à escola em busca de uma melhoria no processo de ensino e aprendizagem. Essa parceria, no entanto, precisa ser vista com cautela, pois ainda é distante o espaço entre o laboratório e a sala de aula. Em tal cenário, são bem-vindas as iniciativas de aproximação que privilegiem uma postura reflexiva, evitando cair na tentação de buscar respostas fáceis para as complexidades enfrentadas pela escola atual. O presente artigo relata uma experiência nesse sentido, discutindo a visão de professoras participantes de um curso de extensão sobre a temática, realizado em dez encontros, sob o recorte teórico da psicologia histórico-cultural de Vigotski1. Trata-se, portanto, de um olhar para as descobertas da neurociência a partir da perspectiva da educação, e espera-se que, a partir deste estudo, possa-se contribuir para iluminar tal relação de uma forma crítica no que se refere à possibilidade de interlocução.