“Não existe nenhuma escola sem partido”, afirma a socióloga Maria Victória de Mesquita Benevides, que por mais de vinte anos orientou teses de mestrado e doutorado na cátedra de Educação em Direitos Humanos da Faculdade de Educação da USP. Para ela, o mal denominado movimento “escola sem partido” é uma contradição em seus próprios termos porque “a escola é um lugar que, necessariamente, deve ir além da instrução”, incluindo a formação para a cidadania democrática”. Ou seja, “uma escola em que os professores assumem a responsabilidade de não apenas ensinar a matéria, mas ensinar a pensar, a fazer escolhas, a julgar. Tudo isso significa um lado que você escolhe. E uma escola sem partido não existe porque algum lado eles vão escolher”, sintetiza a professora, para quem as cotas raciais e alguns avanços na área dos direitos humanos incendiaram as mentalidades reacionárias no país. “Todo movimento de reivindicação tem um movimento contrário, daqueles que querem manter uma sociedade de quem nasceu para mandar e quem nasceu para obedecer”, explica a professora aposentada, analisando alguns fatos ocorridos durante a última eleição.