Resumo
Diz a expressão popular que as “paredes têm ouvidos”, para alertar para o perigo de sermos escutados à nossa revelia. A expressão é antiga e li em algum lugar que ela teria origem numa invenção da rainha da França, Catarina de Médici, para espionar o que se dizia no castelo onde morava: ela teria mandado instalar, dentro das paredes do Louvre, tubos acústicos que lhe permitiam ouvir as conversas que aconteciam em vários cômodos. Se essa
história for verdadeira, pode-se dizer que a esposa de Henrique II foi a precursora da espionagem moderna e que se tivesse existido, na época, algum Edward Snowden, ele teria algo a denunciar para depois se refugiar na casa de Ivan IV, o Terrível, então czar de todas as Rússias. Nos dias de hoje, não somente as paredes permanecem tendo ouvidos, pois a bisbilhotice é valor universal e perene, como todo e qualquer objeto, até mesmo uma casquinha de sorvete, pode esconder um microfone, sem contar, evidentemente, os celulares e os computadores que, segundo foi revelado, correspondem a portas escancaradas de nossa privacidade e de nossa intimidade, verdadeiras tornozeleiras eletrônicas. Sim, a expressão “as paredes têm ouvidos”, nunca foi tão atual.