Resumo
O presente artigo analisa as tensões da maternidade tardia
na pós-graduação stricto sensu, sob a perspectiva de gênero,
durante a conclusão do doutorado. Diante do paradoxo,
indicado pela CAPES (2024), entre o aumento do ingresso
feminino e a persistência de desigualdades na progressão da
carreira, problematizam-se as tensões entre as demandas
de produtividade e os papéis de cuidado atribuídos às
mulheres. Pela autoetnografia, com escrita em primeira
pessoa, conecta-se a vivência singular às estruturas sociais.
Evidencia-se que a lógica produtivista da Academia exclui as
mulheres que vivenciam o “tempo do cuidado”. Conclui-se
que a permanência de mães na academia é um ato político
de resistência, que reivindica políticas capazes de integrar a
maternidade à produção do conhecimento.
