Abstract
Este artigo analisa como o racismo opera como um modo
de produção de ausências, repressões e silenciamentos
afetivos nas trajetórias de homens negros no Brasil. A partir
de uma abordagem interseccional que articula raça, gênero
e classe, investigam-se a crise da afetividade e a negação
da subjetividade nas masculinidades negras como efeitos
históricos e estruturais do racismo. O estudo parte do
pressuposto de que o racismo não atua apenas como força
de exclusão, mas como tecnologia social que molda afetos,
subjetividades e imaginários. Adota-se a análise crítica do
discurso como método, inspirado na noção de escrevivência,
de Conceição Evaristo, entendendo a linguagem como prática
política de reescrita e reposicionamento das subjetividades
negras. Além de referenciais teóricos de autoras e autores
como Lélia Gonzalez, bell hooks, Neusa Santos Souza, Grada
Kilomba e Milton Ribeiro. O objetivo geral é compreender
como o racismo molda modos de ser, sentir e existir das
masculinidades negras no Brasil contemporâneo. Defendese,
ao final, que a reconstrução de narrativas sobre o
homem negro passa pelo reconhecimento da afetividade
como dimensão política, reparadora e fundamental para a
reumanização das relações raciais e de gênero.
