Resumo
Este artigo é parte de um estudo de 2014 que teve como
objetivo geral discutir o machismo praticado, reproduzido
e ocultado em forma de assédio – seja moral ou sexual –
dentro da escola. O ambiente escolhido foi uma instituição
de Ensino Médio cujo público-alvo é representado por cinco
adolescentes (garotas) que estudaram nesse colégio durante
esse período. Tomamos essa decisão porque queríamos
captar os efeitos do machismo (por meio dos assédios) sobre
as garotas e entender o quanto ele impactava a população
escolar feminina e, a partir desses relatos, registrar como
elas lidavam com essas situações em seus cotidianos. Neste
artigo apresentaremos os relatos que apontam o quanto o
ambiente educacional é opressor e desigual, e o quanto um
espaço assim torna-se terreno fértil para manifestações
machistas que alimentam comportamentos que são o reflexo
de uma masculinidade tóxica e frágil. Os dados coletados,
analisados e aqui apresentados têm o objetivo de suscitar
a sociedade atual a refletir sobre seu sistema de privilégios
para os homens e evidenciar o quanto isso é nocivo.
Objetivamos, com isso, convidar as pessoas a pensarem
uma escola aberta à discussão de gênero, convicta de que
essa discussão não é uma ideologia vazia de justiça e que,
consequentemente, consiga desenvolver novos valores
morais, que sejam capazes de repercutir nesse modelo de
masculinidade adotado e reproduzido hoje, nefasto para a
sociedade.
