Resumo
A violência contra a mulher constitui um problema social complexo que demanda uma análise ampliada. Nesse contexto, o lugar do homem na violência de gênero, bem como seu papel enquanto objeto de políticas públicas, merece atenção, pois é um elemento fundamental para a compreensão da temática. A interseccionalidade foi adotada como ferramenta analítica, permitindo discutir diferentes perspectivas sobre o assunto e articulando o patriarcado e o racismo como estruturas de opressão que atravessam a problemática da violência contra a mulher. Este artigo aborda questões relacionadas à violência de gênero, à Lei Maria da Penha, às masculinidades, ao patriarcado, ao machismo e às políticas públicas voltadas a homens autores de violência contra mulheres[1]. O objetivo é refletir sobre a produção do comportamento violento masculino e analisar documentos referentes à criação e regulamentação de grupos reflexivos destinados a esses homens. Para isso, adotaram-se como metodologias a revisão narrativa da literatura e da análise de dois instrumentos normativos que tratam da criação e regulamentação dos grupos reflexivos para homens autores de violência contra mulheres.
[1] Em diversos artigos da literatura acadêmica, foi comum encontrar a frase “Homens autores de violência contra a mulher”, porém, por compreender que essa palavra “autor” representa uma rotulação e definição fixa em relação às atitudes dos homens, neste artigo utilizarei o termo “Homens que cometeram violências contra a mulher”.
