Resumo
Este artigo analisa como o racismo opera como um modo de produção de ausências, repressões e silenciamentos afetivos nas trajetórias de homens negros no Brasil. A partir de uma abordagem interseccional que articula raça, gênero e classe, investiga-se a crise da afetividade e a negação da subjetividade nas masculinidades negras como efeitos históricos e estruturais do racismo. O estudo parte do pressuposto de que o racismo não atua apenas como força de exclusão, mas como tecnologia social que molda afetos, subjetividades e imaginários. Com base em dados empíricos, pesquisas recentes e referenciais teóricos de autoras e autores como Lélia Gonzalez, bell hooks, Neusa Santos Souza, Grada Kilomba e Milton Ribeiro, são examinados cinco eixos analíticos: o racismo como modo de produzir ausências, dureza emocional, masculinidades marcadas pela violência, silenciamento afetivo e desumanização simbólica. Defende-se, ao final, que a reconstrução de narrativas sobre o homem negro passa pelo reconhecimento da afetividade como dimensão política, reparadora e fundamental para a reumanização das relações raciais e de gênero.
