Resumo
A problemática da violência contra jovens negros no Brasil está inserida em uma teia complexa de fatores históricos, sociais e políticos, que se desdobram em padrões necropolíticos. Diante disso, este trabalho buscou analisar as representações sociais construídas no Brasil acerca da juventude negra. Para tanto, realizamos análises de 100 artigos veiculados em jornais e revistas virtuais, buscando
identificar que representações sociais são comunicadas nessas mídias a respeito de jovens negros. Identificamos que tais representações situaram-se prevalentemente em duas categorias analíticas: I) Jovem negro: o suspeito por excelência e II) Sujeito destituído de direitos: corpos suscetíveis a todo tipo de violências. Discutimos como as representações sociais mantêm a diferença racial na esfera do não familiar, demarcando o jovem negro como uma alteridade permanentemente estranha, desqualificada e
marginalizada no jogo das relações sociais. Consideramos, por fim, que tais representações ancoram-se em visões
eugênicas e na lógica da higienização racial, em que a segurança pública e as políticas sociais são acionadas como ferramentas de controle e repressão racial, em vez de proteção.