Resumo
O filósofo e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro passou seis meses na Esplanada dos Ministérios, em meio a uma crise política que assumiria proporções avassaladoras. Ao tomar posse, em abril de 2015, conforme lembra nesta entrevista, o impeachment era uma possibilidade. Ao ser exonerado, em novembro do mesmo ano, era uma forte probabilidade. Na terceira e última reunião com a então presidente, Dilma Rousseff, Janine sugeriu a ela um investimento na qualidade da educação pública, a começar pelas creches, em um horizonte de 20 anos, que se espraiaria pelo país como se fosse uma “onda educativa”. Esse investimento planejado na qualificação das redes municipais e estaduais de educação, que precisaria acontecer tanto com os prédios quanto com professores formados sob as diretrizes de uma nova base curricular nacional, se daria ao ritmo de crescimento de 5% ao ano, garantindo-se sempre o já conquistado no ano anterior. Esse era o plano, que, naquela altura, ainda caberia no território das possibilidades, e uma das primeiras ações ele havia tomado: as comissões que elaboravam a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estavam empossadas e trabalhando, e o projeto de lei sobre a reforma do Ensino Médio havia sido encaminhado da Câmara dos Deputados ao MEC, onde passava por alguns ajustes antes de voltar ao Congresso.