Resumo
Uma edição especial sobre alfabetização não poderia deixar de falar sobre Emilia Ferreiro. Melhor ainda é tê-la como entrevistada. A psicolinguista argentina, hoje a mais reconhecida e influente continuadora das pesquisas sobre a aprendizagem das crianças iniciadas por Jean Piaget, está atenta aos efeitos que a atual revolução tecnológica vem provocando na educação. E preocupada com a desatenção dada ao tema por parte dos educadores. Aos 79 anos, agraciada com sete títulos Honoris Causa e dona de uma obra de inegável impacto no campo da alfabetização, a pesquisadora não para de perscrutar os horizontes em busca de novas dúvidas. Uma delas ela divide com os leitores de Veras, na entrevista desta edição: vale a pena examinar mais atentamente as diferenças cruciais em relação ao suporte do texto impresso. Se o livro primava pela estabilidade, na esfera digital “a instabilidade é a regra”. É preciso lidar com isso, e com outras novidades que emergiram nas últimas décadas. “Cada vez mais crianças fazem suas primeiras incursões na escrita por meio de um teclado, principalmente para encontrar no Google a animação que querem ver”, exemplifica.