{"id":4678,"date":"2026-03-30T15:29:30","date_gmt":"2026-03-30T18:29:30","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=4678"},"modified":"2026-04-02T13:56:37","modified_gmt":"2026-04-02T16:56:37","slug":"corpo-e-territorio-o-que-a-educacao-climatica-tem-a-ver-com-a-erer","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/corpo-e-territorio-o-que-a-educacao-climatica-tem-a-ver-com-a-erer\/","title":{"rendered":"Corpo \u00e9 Territ\u00f3rio: o que a educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica tem a ver com a ERER?"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3070\" class=\"elementor elementor-3070\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-33d3bcb e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"33d3bcb\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2ef6067 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"2ef6067\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8c1f7b2 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"8c1f7b2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"991\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-827x1024.jpeg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-4895\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-827x1024.jpeg 827w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-242x300.jpeg 242w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-768x951.jpeg 768w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-1240x1536.jpeg 1240w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane.jpeg 1292w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4a2107d e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"4a2107d\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d85f643 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"d85f643\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Silvane Silva<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-210edbb elementor-hidden-desktop elementor-hidden-tablet elementor-hidden-mobile elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"210edbb\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Assessora, pesquisadora e professora sobre rela\u00e7\u00f5es raciais na escola. Doutora em Hist\u00f3ria Social, \u00e9 professora do <a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/vc_docente\/silvane-aparecida-da-silva\/\">Instituto Vera Cruz.<\/a><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<p>Milton Santos foi o \u00fanico ge\u00f3grafo fora do mundo anglo-sax\u00e3o a receber o Pr\u00eamio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia, al\u00e9m de diversos t\u00edtulos <em>honoris causa<\/em>. Autor de mais de 40 livros, esse grande pensador dedicou boa parte da sua produ\u00e7\u00e3o a discutir o Territ\u00f3rio. Para ele, esse conceito s\u00f3 se torna utiliz\u00e1vel para uma an\u00e1lise social quando o consideramos em seu uso, ao pensarmos juntamente com aqueles que dele se utilizam.<\/p>\n\n\n\n<p>Tu\u00edre Kayap\u00f3, hist\u00f3rica lideran\u00e7a ind\u00edgena altamente reconhecida, enfatizou que, depois de tantos anos de luta, n\u00e3o queria mais \u201cver a morte da pouca terra\u201d que ainda restava para os povos ind\u00edgenas, e nem queria mais ver \u201cagredirem a terra\u201d. Durante a Marcha de Mulheres Ind\u00edgenas de 2023, ela falou com firmeza: \u201cEu n\u00e3o quero que os ind\u00edgenas continuem morrendo. Por isso estou aqui falando isso. Lutando at\u00e9 hoje. Eu quero que meus netos, meus filhos e os filhos dos meus netos continuem existindo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz Nascimento, historiadora, pioneira nos estudos sobre quilombos urbanos, foi uma das primeiras estudiosas a deixar registrada, ainda nos finais dos anos 1980, a ideia do corpo negro como um territ\u00f3rio. \u201cEu sou Atl\u00e2ntica\u201d, ela dizia em refer\u00eancia ao oceano que separa os continentes americano e africano. Ao fazer essa afirma\u00e7\u00e3o, Nascimento recuperava a mem\u00f3ria da travessia. Afirma o corpo negro como territ\u00f3rio que carrega hist\u00f3rias e culturas que vieram de \u00c1frica. Um corpo que carrega modos de ser, de estar e de viver que s\u00e3o ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao retomar as ideias dessas tr\u00eas importantes pessoas, pretendo chamar aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, quando falamos em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em preserva\u00e7\u00e3o ambiental, em justi\u00e7a clim\u00e1tica ou em educa\u00e7\u00e3o ambiental ou clim\u00e1tica, n\u00e3o podemos nos esquecer de trazer para a conversa o conceito de racismo ambiental e de justi\u00e7a clim\u00e1tica. Quais s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es que mais sofrem com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas? Quais s\u00e3o os grupos respons\u00e1veis pelo aumento da degrada\u00e7\u00e3o do planeta? Quais s\u00e3o os modos de vida que o protegem? Essas e outras perguntas precisam ser debatidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudar os modos de vida das comunidades tradicionais como as quilombolas, ribeirinhas e ind\u00edgenas pode nos trazer um importante aprendizado sobre como \u00e9 poss\u00edvel ocupar um territ\u00f3rio garantindo a manuten\u00e7\u00e3o da vida de todos os seres vivos: da terra, das \u00e1guas, de toda diversidade de plantas e de animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena retomar os <a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/o-poder-ancestral-e-os-valores-civilizatorios-afro-brasileiros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">valores civilizat\u00f3rios afro-brasileiros<\/a>, sistematizados na mandala de Azoilda Trindade, como, por exemplo, o ax\u00e9, a energia vital que todos os seres carregam na rela\u00e7\u00e3o com os outros seres. Ou a corporeidade: o corpo como territ\u00f3rio da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Povos africanos e povos ind\u00edgenas carregam no corpo uma hist\u00f3ria e uma mem\u00f3ria de luta pela manuten\u00e7\u00e3o dos seus modos de exist\u00eancia que os acompanham onde quer que estejam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se propor uma educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, se torna essencial compreender o quanto as comunidades tradicionais t\u00eam a nos ensinar sobre como podemos ocupar os territ\u00f3rios e conviver sem destruir. Tornar conhecidas as tecnologias pensadas pelas comunidades que podem ser exemplos positivos de como romper com a gana desenvolvimentista, extrativista e violenta que n\u00e3o apresenta nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a manuten\u00e7\u00e3o da vida no planeta Terra. Uma educa\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria \u00e9 aquela que promove justi\u00e7a curricular. Ou seja, um curr\u00edculo comprometido com a justi\u00e7a social por meio da reflex\u00e3o cr\u00edtica da realidade e, com conhecimentos e pr\u00e1ticas referenciados nos saberes existentes nos diversos territ\u00f3rios e na diversidade de povos. Como est\u00e1 posto nas Diretrizes de Educa\u00e7\u00e3o Integral Antirracista, uma educa\u00e7\u00e3o que pensa a sustentabilidade como modo de transforma\u00e7\u00e3o do meio em que se vive, garantindo o respeito ao meio ambiente e a perman\u00eancia da vida humana, que tem por base a territorialidade, que considere o territ\u00f3rio como espa\u00e7o de experi\u00eancias, de constru\u00e7\u00e3o de saberes, de intera\u00e7\u00e3o e de identifica\u00e7\u00e3o.<br><br><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[15],"edicao":[75],"class_list":["post-4678","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-opiniao","edicao-edicao-9"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4678"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4678\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4894,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4678\/revisions\/4894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4678"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}