{"id":4675,"date":"2026-03-30T15:22:38","date_gmt":"2026-03-30T18:22:38","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=4675"},"modified":"2026-04-02T14:36:52","modified_gmt":"2026-04-02T17:36:52","slug":"a-justica-climatica-em-sala-de-aula","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/a-justica-climatica-em-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"A justi\u00e7a clim\u00e1tica em sala de aula"},"content":{"rendered":"\n<p><em>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o um tema cada vez mais importante nas escolas. Como abord\u00e1-lo em uma perspectiva que valoriza as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais?<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\"><strong><strong>REPORTAGEM <\/strong>Ingrid Yurie<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"964\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-14.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4676\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-14.jpeg 723w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-14-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"(max-width: 723px) 100vw, 723px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As turmas do 9\u00ba ano visitaram locais profundamente impactados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Foto: Acervo\/ Escola Vera Cruz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o Estudo do Meio de 2025, os\/as estudantes do 9\u00ba ano visitaram a Ilha da Pintada, em Porto Alegre. A ilha faz parte do Arquip\u00e9lago, conjunto de pequenas ilhas ao redor da cidade cuja popula\u00e7\u00e3o \u00e9 majoritariamente negra. A regi\u00e3o, que j\u00e1 sofria com as cheias h\u00e1 anos, foi considerada a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FwHSNHwu3CE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mais afetada da cidade pelas enchentes de 2024<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parte sul da Pintada, est\u00e1 Mestra Bia, lideran\u00e7a pol\u00edtica, cultural e religiosa. Bia administra a Kitanda da Bia, um com\u00e9rcio fundado por ela e cujos objetivos eram vender comida saud\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o do local e gerar renda para as mulheres negras que ali vivem. Em frente \u00e0 Kitanda, os\/as estudantes puderam comparar o cen\u00e1rio que viam com imagens do local feitas no ano anterior, quando as \u00e1guas do Lago Gua\u00edba tomaram conta do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhar pela Pintada e reconhecer ali o trabalho de Mestra Bia, ialorix\u00e1 e lideran\u00e7a que advoga pela preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e da cultura negra no local, possibilitaram que os\/as jovens compreendessem que, embora a chuva tenha ca\u00eddo sobre o teto de todos e todas, os impactos n\u00e3o foram os mesmos. Um <a href=\"https:\/\/www.observatoriodasmetropoles.net.br\/nucleo-porto-alegre-analisa-os-impactos-das-enchentes-na-populacao-pobre-e-negra-do-rio-grande-do-sul\/?utm_source=Boletim&amp;utm_medium=E-mail&amp;utm_campaign=835&amp;utm_content=N%C3%BAcleo+Porto+Alegre+analisa+os+impactos+das+enchentes+na+popula%C3%A7%C3%A3o+pobre+e+negra+do+Rio+Grande+do+Sul\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mapa elaborado pelo Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles<\/a>, do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT), reafirma a percep\u00e7\u00e3o dos\/as adolescentes: as \u00e1reas mais atingidas pelas inunda\u00e7\u00f5es no Rio Grande do Sul s\u00e3o as mais pobres e abrigam uma maioria de pessoas negras. Uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2024\/06\/enchentes-do-rs-atingiram-proporcao-maior-de-pobres-negros-e-menos-escolarizados.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa Datafolha<\/a> tamb\u00e9m mostra que, enquanto 52% das pessoas pretas no estado sofreram alguma perda na enchente, esse n\u00famero \u00e9 significativamente menor entre pessoas brancas (26%).<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho feito com os\/as estudantes mostra como duas quest\u00f5es fundamentais para compreender o Brasil e o mundo se somam: a emerg\u00eancia clim\u00e1tica e o racismo estrutural e institucional no pa\u00eds n\u00e3o podem ser analisados separadamente.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Justi\u00e7a clim\u00e1tica em sala de aula<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da COP30 no Brasil lan\u00e7ou luz sobre as discuss\u00f5es clim\u00e1ticas. O evento, que \u00e9 realizado a cada ano em uma cidade diferente no mundo, \u00e9 o principal f\u00f3rum de discuss\u00e3o sobre pol\u00edticas para o clima. \u00c9 nele que os pa\u00edses se encontram para definir metas e objetivos em consenso para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e, no Brasil, teve forte participa\u00e7\u00e3o de comunidades ind\u00edgenas e afrodescendentes, que apresentaram reivindica\u00e7\u00f5es para que os textos elaborados na confer\u00eancia incorporassem aspectos relativos \u00e0 justi\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cPela primeira vez, as popula\u00e7\u00f5es afrodescentes foram citadas no texto final, por conta da mobiliza\u00e7\u00e3o dos movimentos negros\u201d, diz Mariana Belmont, pesquisadora em sustentabilidade e assessora de clima e racismo ambiental de Geled\u00e9s \u2013 Instituto da Mulher Negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem primeiro nomeou a rela\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a, renda e habita\u00e7\u00e3o em \u00e1reas insalubres ou de risco de desastres clim\u00e1ticos foi o ativista estadunidense Benjamin Chavis, na d\u00e9cada de 1980. Ele chamou esse padr\u00e3o de racismo ambiental. \u201cO racismo ambiental \u00e9 um problema de desigualdade racial e social, em que grupos sociais de maioria negra e afrodescendente sofrem impactos desproporcionais da crise clim\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o aos demais\u201d, explica Maria Clara Salvador, analista de Educa\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica no Centro Brasileiro de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque, historicamente, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra s\u00e3o negados direitos b\u00e1sicos, como acesso \u00e0 renda e \u00e0 moradia de qualidade. \u201cO resultado das desigualdades hist\u00f3ricas produzidas pelo racismo estrutural \u00e9 como as cidades foram constru\u00eddas e planejadas\u201d, afirma Mariana. Quando grandes tempestades, alagamentos, eventos de calor extremo e outras manifesta\u00e7\u00f5es das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas acontecem, s\u00e3o essas popula\u00e7\u00f5es as que s\u00e3o mais impactadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos como as enchentes no Rio Grande do Sul s\u00e3o apenas um dos muitos exemplos de como a emerg\u00eancia clim\u00e1tica j\u00e1 est\u00e1 afetando a vida de milh\u00f5es de pessoas e que precisam ser discutidos em sala de aula. \u201cH\u00e1 alguns anos, se falava muito nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como algo distante, mas \u00e9 cada vez mais comum vermos que elas est\u00e3o acontecendo, e afetando popula\u00e7\u00f5es negras e perif\u00e9ricas de maneira mais intensa\u201d, destaca Mariana.<\/p>\n\n\n\n<p>Materiais como o <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000393753\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Guia para curr\u00edculos verdes: ensino e aprendizagem para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/strong><\/a>, publicado pela Unesco, oferecem sugest\u00f5es sobre como abordar os diferentes aspectos que envolvem o estudo sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a busca por solu\u00e7\u00f5es para a crise, incluindo sugest\u00f5es para o ensino sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>E agora? A COP 30 e a justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Na conclus\u00e3o da COP30, pela primeira vez, o mundo pactuou a ado\u00e7\u00e3o de indicadores globais de adapta\u00e7\u00e3o. Isso significa que, al\u00e9m de elencar prioridades para tentar frear o aquecimento do planeta, tamb\u00e9m h\u00e1 compromissos para que os pa\u00edses se adaptem \u00e0s mudan\u00e7as que j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo. Al\u00e9m de levar em conta a quantidade de gases de efeito estufa emitidos, os pa\u00edses tamb\u00e9m v\u00e3o avaliar a prote\u00e7\u00e3o de vidas humanas, a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os essenciais e a capacidade de resistir a eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ficou firmado o aumento de recursos financeiros para adapta\u00e7\u00e3o aos efeitos da crise clim\u00e1tica, sobretudo para as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres no combate \u00e0 mudan\u00e7a do clima e transi\u00e7\u00e3o para economias sustent\u00e1veis de forma justa e inclusiva. O texto final da COP30 reconhece o papel dos povos ind\u00edgenas e quilombolas na prote\u00e7\u00e3o de florestas e vai destinar apoio financeiro espec\u00edfico a essas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso mostra que n\u00e3o estamos falando de indiv\u00edduos que s\u00e3o vulner\u00e1veis, mas de popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas por processos pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Eles t\u00eam muito a saber e muito a dizer sobre o que est\u00e1 acontecendo em seus territ\u00f3rios e precisam estar no centro das decis\u00f5es\u201d, defende Maria Clara.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho com os\/as estudantes, a especialista afirma a import\u00e2ncia de que eles\/as compreendam a crise clim\u00e1tica \u00e0 luz da justi\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cToda a literatura sobre crise clim\u00e1tica aponta a import\u00e2ncia da mobiliza\u00e7\u00e3o e da conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas sobre essa crise. Quanto mais informados e alertas os\/as estudantes estiverem, mais poder ter\u00e3o para cobrar governos, empresas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas por medidas de justi\u00e7a clim\u00e1tica e para participar ativamente de conselhos, projetos e planos coletivos\u201d, diz Maria Clara.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estudantes caminham pela cidade, escutam quem atravessou trag\u00e9dias e conectam o que veem no territ\u00f3rio com as disputas globais, eles se tornam mais capazes de compreender que a crise clim\u00e1tica tem cor, endere\u00e7o e classe social. E \u00e9 nesse ponto que a escola ganha for\u00e7a: formar jovens capazes de ler o mundo, mobilizar conhecimentos e agir por pol\u00edticas p\u00fablicas, mudan\u00e7as e justi\u00e7a, para que sobreviver ao colapso ecol\u00f3gico n\u00e3o seja um privil\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<style>\n.para-saber-mais{\nborder:2px solid #cd4213;\npadding: 20px;\n}<\/style>\n<div class=\"para-saber-mais\">\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para saber mais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b3454904abaf13c00d1caab2c35359ea\"><a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000393753\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>DOCUMENTO Guia para Curr\u00edculos Verdes<\/strong>, da Unesco<\/a><\/p>\n\n\n\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[16],"edicao":[75],"class_list":["post-4675","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-reportagem","edicao-edicao-9"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4675"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4914,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4675\/revisions\/4914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4675"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}