{"id":4630,"date":"2026-04-01T13:50:31","date_gmt":"2026-04-01T16:50:31","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=4630"},"modified":"2026-04-13T14:21:47","modified_gmt":"2026-04-13T17:21:47","slug":"a-porto-alegre-que-o-cartao-postal-nao-mostra","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/a-porto-alegre-que-o-cartao-postal-nao-mostra\/","title":{"rendered":"A Porto Alegre que o cart\u00e3o-postal n\u00e3o mostra"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Estudantes do 9\u00ba ano viajaram para mapear presen\u00e7as negras e ind\u00edgenas na capital ga\u00facha e perceber o racismo ambiental evidenciado ap\u00f3s as enchentes de 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\"><strong><strong>REPORTAGEM <\/strong>Ingrid Yurie<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"738\" height=\"984\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4631\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7.jpeg 738w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"(max-width: 738px) 100vw, 738px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Estudo do Meio na capital ga\u00facha levou a turma a enxergar a influ\u00eancia afro-brasileira na cidade e o impacto desigual das enchentes que atingiram o estado em 2024. Cr\u00e9dito: Acervo\/Escola Vera Cruz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Imagine Porto Alegre. Quais s\u00e3o as primeiras imagens que v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a? Talvez chimarr\u00e3o, churrasco, arquitetura europeia e pessoas brancas em pilchas, a indument\u00e1ria tipicamente ga\u00facha. Foi esse o cen\u00e1rio descrito pelos\/as estudantes do 9\u00ba ano, porque s\u00e3o refer\u00eancias que costumam ser repetidas, dos cart\u00f5es-postais \u00e0 grande m\u00eddia, mas que contam apenas uma parte da hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi para enxergar a cidade por outras perspectivas que as turmas se lan\u00e7aram em uma investiga\u00e7\u00e3o em busca do que as narrativas dominantes tentaram apagar: culturas, hist\u00f3rias e presen\u00e7as dos povos negro, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricos na capital ga\u00facha.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhec\u00ea-las tamb\u00e9m \u00e9 indispens\u00e1vel, como os\/as estudantes descobriram, para promover justi\u00e7a clim\u00e1tica, j\u00e1 que as enchentes de 2024 atingiram de forma ainda mais grave justamente essas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7ar o projeto de Estudo do Meio de 2025, as turmas compartilharam seu repert\u00f3rio individual e pesquisaram entre familiares e na internet o que representava a cidade. Como resultado, vieram as j\u00e1 tradicionais e estereotipadas imagens da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, os\/as professores\/as colocaram ao lado deste recorte imagens e hist\u00f3rias de projetos locais de hip-hop e grafite, da diversidade de comunidades quilombolas e ind\u00edgenas existentes no territ\u00f3rio e de esculturas e outras obras constru\u00eddas e criadas por negros e ind\u00edgenas ga\u00fachos.<\/p>\n\n\n\n<p>As turmas tamb\u00e9m pesquisaram sobre o pr\u00edncipe Joaquim Cust\u00f3dio, de Benin, na \u00c1frica, que viveu em Porto Alegre no s\u00e9culo 20. Ele \u00e9 reconhecido como uma refer\u00eancia na cultura afro-ga\u00facha por sua contribui\u00e7\u00e3o para fortalecer a identidade, a luta e a organiza\u00e7\u00e3o do povo negro no Sul do Brasil, e para a consolida\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/historiandoaxe.com.br\/2021\/02\/batuque-batuque-gaucho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">batuque<\/a>, principal religi\u00e3o de matriz africana no Sul do pa\u00eds. Sua hist\u00f3ria foi <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2025\/06\/15\/quem-foi-principe-custodio-enredo-da-portela.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">enredo da escola de samba Portela<\/a> no Carnaval de 2026.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pr\u00f3xima parada: capital ga\u00facha<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O Rio Grande do Sul, que tem a segunda menor popula\u00e7\u00e3o autodeclarada negra do Brasil (20%), \u00e9 o estado com a maior concentra\u00e7\u00e3o de terreiros de religi\u00f5es de matriz africana do Brasil, com 3,2% de adeptos da umbanda e do candombl\u00e9, superando inclusive a Bahia, que tem 80,8% de pessoas autodeclaradas negras e 1% de adeptos a essas religi\u00f5es, de acordo com o Censo de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela import\u00e2ncia que a religiosidade africana exerce sobre a capital, a viagem come\u00e7ou no Mercado P\u00fablico de Porto Alegre, onde h\u00e1 uma est\u00e1tua de Exu assentado, conhecido como <a href=\"https:\/\/www.nonada.com.br\/2022\/04\/pesquisador-faz-etnografia-do-bara-do-mercado-exu-do-batuque-gaucho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bar\u00e1 do Mercado<\/a>. Rodeado por sete chaves douradas, elas representam as oportunidades e caminhos que a entidade pode abrir. \u201cCom um grupo de guias locais realizamos visitas a locais considerados sagrados da tradi\u00e7\u00e3o afro-ga\u00facha. Come\u00e7amos no Mercado P\u00fablico onde h\u00e1 um assentamento religioso dedicado a Exu e num ato de rever\u00eancia, os estudantes aprenderam a sauda\u00e7\u00e3o desse Exu, que \u00e9 \u2018Alup\u00f4!\u2019 e receberam balas de mel para ofertar. Mais que observa\u00e7\u00e3o, a ideia \u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o ativa, tendo m\u00e1ximo respeito \u00e0s culturas locais\u201d, relata a professora Ang\u00e9lica Ferrarez, de Ci\u00eancias Humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>O orix\u00e1 representa \u201ca esperan\u00e7a de um novo futuro e prote\u00e7\u00e3o\u201d, nas palavras da estudante Helena T., 15 anos. \u201cMuitas pessoas que n\u00e3o fazem parte desta cultura sa\u00fadam o Bar\u00e1, provando que ele \u00e9 um s\u00edmbolo de grande poder de comunica\u00e7\u00e3o, que mostra a resist\u00eancia e a perseveran\u00e7a deste povo mesmo em uma sociedade muito racista\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"752\" height=\"501\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4632\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8.jpeg 752w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Durante uma oficina de grafite, os\/as estudantes conheceram mais sobre a presen\u00e7a da cultura hip-hop em Porto Alegre. Cr\u00e9dito: Acervo\/Escola Vera Cruz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Outra parada da viagem foi o terreiro de M\u00e3e Bia, na Ilha da Pintada, uma lideran\u00e7a local, m\u00e3e de santo, ativista social, educadora e sambista, al\u00e9m de vice-coordenadora do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/instituto.camelia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Cam\u00e9lia<\/a>, que atua pela autonomia de mulheres negras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De M\u00e3e Bia, ouviram sobre a import\u00e2ncia e os significados das tran\u00e7as e das sementes para os povos negros. Tamb\u00e9m conheceram o trabalho dela na luta por direitos b\u00e1sicos da comunidade, como sa\u00fade e moradia, e puderam saber mais dos impactos sofridos por essa popula\u00e7\u00e3o durante as enchentes que assolaram o estado em maio de 2024. A visita das turmas aconteceu exatamente um ano depois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cM\u00e3e Bia foi a lideran\u00e7a que participou de reuni\u00f5es com governo e autoridades na luta por colocar as coisas de volta ao lugar ap\u00f3s a ilha ter ficado submersa e muita gente ter perdido suas casas\u201d, relata Ang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ativista mostrou aos\/\u00e0s estudantes as marcas nas paredes deixadas pela enchente de 2024 e pela anterior, que aconteceu no in\u00edcio dos anos 2000. \u201cEles n\u00e3o conheciam o conceito de racismo ambiental, mas o entenderam quando viram de quem eram as casas vazias e quem eram os desabrigados um ano depois das enchentes: \u2018os negros e brancos pobres\u2019\u201d, diz a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>A viv\u00eancia possibilitou \u00e0s turmas compreender que a crise clim\u00e1tica \u00e9 resultado da a\u00e7\u00e3o humana e traz mais preju\u00edzos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es historicamente marginalizadas, que s\u00e3o tamb\u00e9m as que menos contribu\u00edram com o consumo acelerado e para a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera. Por isso, elas deveriam ser priorizadas em pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e resposta a desastres, como prop\u00f5e a justi\u00e7a clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles achavam que os fen\u00f4menos da natureza eram aleat\u00f3rios e que impactavam a todos do mesmo jeito. Mas vimos quem s\u00e3o as maiores v\u00edtimas e pudemos conversar sobre a interseccionalidade entre ra\u00e7a e classe na luta ambiental\u201d, explica Ang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na capital ga\u00facha, 40,2% das pessoas autodeclaradas negras vivem em \u00e1reas de risco hidrol\u00f3gico ou geol\u00f3gico, de acordo com <a href=\"https:\/\/polis.org.br\/racismo-ambiental-clima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa do Instituto P\u00f3lis<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs constru\u00e7\u00f5es europeias est\u00e3o majoritariamente localizadas no centro da cidade, regi\u00e3o onde normalmente est\u00e3o os mais ricos e as institui\u00e7\u00f5es de poder [&#8230;] e podem comunicar o processo de coloniza\u00e7\u00e3o que marginalizou outros povos\u201d, concluiu o estudante Felipe L., 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"752\" height=\"564\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4635\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10.jpeg 752w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A turma visitou a comunidade Tekoa Nhundy, em Viam\u00e3o (RS), onde puderam conhecer mais sobre a cultura dos Guarani que vivem no estado. Cr\u00e9dito: Acervo\/Escola Vera Cruz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os\/As estudantes conheceram a hist\u00f3ria de <a href=\"https:\/\/www.historia.uff.br\/impressoesrebeldes\/pessoa\/sepe-tiaraju\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sep\u00e9 Tiaraju<\/a>, l\u00edder ind\u00edgena Guarani que lutou no Rio Grande do Sul contra as tropas portuguesas por volta de 1750. Em campo, visitaram a comunidade Tekoa Nhundy, onde vivem ind\u00edgenas Guarani, para saber mais sobre sua hist\u00f3ria, luta e presen\u00e7a no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTivemos a oportunidade de vivenciar diversas atividades como as brincadeiras e os rituais e experimentar algumas tecnologias ancestrais que est\u00e3o presentes na rotina deles, como pesca, arco e flecha e tatuagens com jenipapo\u201d, relatou a estudante Luiza S., 15 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Ao longo da viagem, as turmas participaram de v\u00e1rias atividades, como oficinas de grafite e hip-hop, e conheceram uma comunidade que instituiu um banco comunit\u00e1rio, o Justa Troca. \u201cO sistema econ\u00f4mico desenvolvido pelas pessoas simboliza a equidade social, o trabalho em comunidade, e um caminho para desconstruir a desigualdade salarial e a remunera\u00e7\u00e3o machista nos trabalhos\u201d, diz o estudante Rafael T., 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"476\" height=\"292\" data-id=\"4634\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4634\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image.png 476w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-300x184.png 300w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"198\" height=\"291\" data-id=\"4633\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4633\"\/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Os\/As estudantes usaram uma impressora 3D para produzir representa\u00e7\u00f5es de Adinkras. Cr\u00e9dito: Acervo\/Escola Vera Cruz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A forma de organizar e distribuir a renda, bem como o sistema de moeda local, foi o foco dos estudos de Matem\u00e1tica. Em 2025, o Estudo do Meio teve a participa\u00e7\u00e3o de todas as \u00e1reas de conhecimento. Assim, Ci\u00eancias Naturais se dedicou \u00e0 quest\u00e3o dos biomas, Geografia abordou as enchentes e L\u00edngua Portuguesa tratou de l\u00ednguas ind\u00edgenas e do iorub\u00e1, preconceito lingu\u00edstico, express\u00f5es regionais e sistematiza\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, o que resultou em reflex\u00f5es sobre como a linguagem molda o mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Junto ao professor Thiago Bitencourt, do Ateli\u00ea de Tecnologia e Cria\u00e7\u00e3o, os\/as estudantes conduziram uma pesquisa para compreender quais tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o ajudaram a difundir e perpetuar os saberes da branquitude no Brasil e no mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre elas, a prensa de Gutenberg, inven\u00e7\u00e3o alem\u00e3 do s\u00e9culo 15, que usava tipos m\u00f3veis para produzir obras impressas em grande escala, o que barateou e acelerou a circula\u00e7\u00e3o de textos na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m estudaram t\u00e9cnicas que foram invisibilizadas, como a xilogravura e os Adinkras, o conjunto de s\u00edmbolos visuais criado pelos povos Akan da \u00c1frica Ocidental,&nbsp; usado para transmitir valores, prov\u00e9rbios e ensinamentos culturais nas artes, nos tecidos e em outros objetos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante a viagem, as turmas fizeram fotos das simbologias dos povos africanos, ind\u00edgenas e brancos que encontraram, e discutimos como as tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o difundem ci\u00eancia e outros modos de pensar e ver o mundo. Foi uma pesquisa sobre como cada um deixa suas marcas no mundo\u201d, conta Thiago.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>De volta \u00e0 escola<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para sistematizar tudo que aprenderam ao longo da viagem e das pesquisas, os estudantes realizaram diversas atividades. Entre elas, criaram modelos 3D e imprimiram o alfabeto Adlam em tipos para usar na prensa de Gutenberg. Depois, criaram tipos de Adinkras. \u201cS\u00e3o as novas tecnologias imprimindo tecnologias ancestrais da comunica\u00e7\u00e3o\u201d, define o professor Thiago.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"598\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-11-598x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4636\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-11-598x1024.jpeg 598w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-11-175x300.jpeg 175w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-11.jpeg 726w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A prensa de Gutenberg foi usada para produzir impress\u00f5es com o o alfabeto Adlam. Cr\u00e9dito: Acervo\/Escola Vera Cruz.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>As turmas tamb\u00e9m produziram novas imagens para representar Porto Alegre e questionar quem tem direito \u00e0 cidade. Usando fotografias feitas durante a viagem, v\u00eddeos e outros registros, produziram uma anima\u00e7\u00e3o que sobrep\u00f5e s\u00edmbolos das culturas negras e ind\u00edgenas a refer\u00eancias do poder europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPercebi uma turma mais sens\u00edvel e sabendo que tamb\u00e9m se escreve por meio das imagens. Que madeira, ferro e alfabeto tamb\u00e9m s\u00e3o tecnologias. E principalmente enxergando os povos origin\u00e1rios e africanos como produtores de conhecimento, de ci\u00eancia\u201d, afirma Thiago.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Ang\u00e9lica, o projeto criou uma rachadura que se espera irrevers\u00edvel. \u201cAo olhar para o Brasil por essa nova fresta, esperamos provocar no aluno uma inquieta\u00e7\u00e3o que o leve a sempre olhar ao seu redor, identificar as narrativas contadas e question\u00e1-las, desconfiar delas e de imagin\u00e1rios pasteurizados, fazendo novas perguntas sobre os mesmos cen\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os registros feitos pelos estudantes, o s\u00edmbolo Adinkra Sankofa apareceu repetidas vezes, nas ruas e port\u00f5es observados por eles. Mais conhecido pela sua forma que lembra um cora\u00e7\u00e3o, esse adinkra representa um p\u00e1ssaro que curva o pesco\u00e7o para olhar para tr\u00e1s e carrega um ovo no bico. A sua presen\u00e7a frequente refor\u00e7a a urg\u00eancia do recado passado por ele. Sem precisar de palavras, a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3wOAVLlKhZU&amp;t=54\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sankofa<\/a> sintetiza o prop\u00f3sito do projeto vivido pelas turmas: retornar e buscar o que ficou para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<style>\n.para-saber-mais{\nborder:2px solid #cd4213;\npadding: 20px;\n}<\/style>\n<div class=\"para-saber-mais\">\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para saber mais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-1f249bf67d6f63dbb521f246638a12cc\"><strong>SITE <\/strong><a href=\"https:\/\/sites.google.com\/view\/grafias-digitais-futuros-ances\/in%C3%ADcio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Grafias Digitais, Futuros Ancestrais<\/a>, com registros do projeto<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7a8921d0b1a1363566febbe2f3ff2663\"><strong>DOCUMENT\u00c1RIO <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kbDrJ16A2Iw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>A tradi\u00e7\u00e3o do Bar\u00e1 do Mercado<\/em><\/a>, de Ana Luiza Carvalho da Rocha<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-00a2dc992436a0085b4d3dc13fc4372e\"><a href=\"https:\/\/historiandoaxe.com.br\/2021\/02\/batuque-batuque-gaucho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>ARTIGO<\/strong> A hist\u00f3ria do batuque ga\u00facho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-ca7d66a6d044d6001d0d2ceb84711870\"><a href=\"https:\/\/www.historia.uff.br\/impressoesrebeldes\/pessoa\/sepe-tiaraju\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>TEXTO&nbsp;<\/strong>Biografia de Sep\u00e9 Tiaraju<\/a><\/p>\n\n\n\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>PROJETO: \u201cQUEM TEM DIREITO A UM PORTO ALEGRE? MEM\u00d3RIA, TERRIT\u00d3RIO E RESIST\u00caNCIAS\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\">PROFESSORES\/AS <strong>Andr\u00e9ia Cristina Silva de Paula, Andr\u00e9 Hosoi, Ang\u00e9lica Ferrarez, Cristiane Mouro, Dayane Santiago, Joana Ribeiro Ruocco, Juliana Maia, L\u00edvia Vilela, Mateus Ribeiro, Rafael Moreira Neves, Solange Ardila e Thiago Cavalcante Bitencourt.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\">AUXILIAR DE GRUPO <strong>Dayane Santiago Nascimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\">ORIENTADORA <strong>Maria de Los Angeles Rodriguez<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:16px\">COORDENADORES <strong>Daniel Helene e Daniel Souza<\/strong><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[51,17],"edicao":[75],"class_list":["post-4630","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-6o-ao-9o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-9"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4630"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5175,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4630\/revisions\/5175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4630"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}