{"id":4424,"date":"2025-09-26T17:17:51","date_gmt":"2025-09-26T20:17:51","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=4424"},"modified":"2025-09-26T17:17:51","modified_gmt":"2025-09-26T20:17:51","slug":"os-estudantes-agem-contra-o-bullying-e-o-racismo","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/os-estudantes-agem-contra-o-bullying-e-o-racismo\/","title":{"rendered":"Os estudantes agem contra o bullying e o racismo"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Alunos do Grupo Guardi\u00e3o criam protocolo para mitigar intimida\u00e7\u00f5es e acolher os colegas<\/h3>\n\n\n\n<p><em>Reportagem: Mariana Gonzalez<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 bullying? Como defini-lo? Como os colegas podem acolher o autor e o alvo das agress\u00f5es? E qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre bullying e racismo? Essas foram algumas perguntas que surgiram nos primeiros encontros deste ano do <a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/os-estudantes-pedem-a-voz-grupo-do-8o-ano-criou-um-grupo-guardiao-do-projeto-de-educacao-para-relacoes-etnico-raciais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Grupo Guardi\u00e3o das Diferen\u00e7as e da Equidade<\/a>. O coletivo de cerca de 60 alunos do 8\u00ba e 9\u00ba ano foi formado pelos estudantes em 2024 como mais uma forma de colaborar com o projeto de educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, e, com base nas discuss\u00f5es sobre racismo tidas entre os membros e com educadores, observou a necessidade de debaterem quest\u00f5es sobre bullying e conviv\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O assunto veio \u00e0 tona quando as orientadoras Maria de los Angeles Rodriguez e Cristina Coin pediram que os alunos analisassem o protocolo de a\u00e7\u00f5es antirracistas j\u00e1 existente e em pr\u00e1tica na escola, tecendo coment\u00e1rios e fazendo os apontamentos que achassem pertinentes. O tema &#8220;bullying&#8221; despontou a partir da discuss\u00e3o entre as diferen\u00e7as entre bullying e racismo, ressaltadas em um dos textos usados como refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel Helene, coordenador das turmas do 6\u00ba ao 9\u00ba ano, conta que, quando a demanda de falar sobre bullying surgiu entre os alunos, a escola prontamente abra\u00e7ou a discuss\u00e3o. \u201c\u00c9 importante estudar este assunto porque muita gente atribui o termo \u2018bullying\u2019 a todo tipo de conflito, inclusive indisciplina pontual, cen\u00e1rios de exclus\u00e3o e epis\u00f3dios de racismo. Todas essas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes, mas pedem interven\u00e7\u00f5es diferentes\u201d, explica Helene.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do ano letivo, portanto, os alunos que integram o Grupo est\u00e3o estudando o bullying \u2013 do que se trata, quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas que o definem e quais s\u00e3o as melhores pr\u00e1ticas para mitig\u00e1-lo e acolher os envolvidos. Ao longo do processo, os estudantes destrincham os atuais protocolos adotados pela escola, compreendendo-os e, com base em suas reflex\u00f5es, far\u00e3o sugest\u00f5es de ajustes e complementos para as a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 existem.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Constru\u00e7\u00e3o coletiva<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O primeiro passo para construir o conjunto de boas pr\u00e1ticas diante do bullying foi entender melhor esse problema. Para isso, as orientadoras Cristina Coin e Maria de los Angeles Rodriguez, orientadoras do 8\u00ba e 9\u00ba ano, respectivamente, apresentaram alguns materiais importantes, que serviram de base para os estudos, especialmente produzidos pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Moral, da Unicamp e da Unesp.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, os alunos decidiram substituir o termo \u201cbullying\u201d por \u201cintimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica\u201d. \u201cAchei essa decis\u00e3o b\u00e1rbara, porque, com essa nomenclatura, passa a ser poss\u00edvel diferenciar com mais facilidade o bullying, que \u00e9 um termo t\u00e3o gasto, de outras agress\u00f5es\u201d, fala a orientadora Maria de los Angeles Rodriguez, conhecida como L\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que os alunos focaram seus esfor\u00e7os em entender o que eles, enquanto colegas, podem fazer diante de uma situa\u00e7\u00e3o de intimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. \u201c\u00c9 claro que n\u00f3s, adultos, educadores, temos que agir, mas eles se preocuparam sobre como eles podem participar dessa solu\u00e7\u00e3o, acolhendo, incluindo e avisando os professores, claro\u201d, diz L\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o principal aspecto que os alunos do Grupo entenderam como fundamental diante de uma situa\u00e7\u00e3o de bullying \u00e9 n\u00e3o expor os envolvidos .\u201c\u00c9 importante que exista um roteiro que oriente o que fazer para ajudar os alunos diante dessas situa\u00e7\u00f5es, mas especialmente para n\u00e3o expor nem as v\u00edtimas nem os agressores. Muitas vezes, sem saber a hist\u00f3ria, os outros alunos podem julgar os envolvidos sem saber exatamente o que aconteceu\u201d, fala a aluna Livia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente pensou na import\u00e2ncia de n\u00e3o expor ningu\u00e9m porque, quando a gente exp\u00f5e essas pessoas, obriga a v\u00edtima a reviver aquela situa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m desconsidera todo o contexto do agressor. Ou seja, prejudica todo mundo. O grupo tamb\u00e9m entendeu que uma conversa entre a v\u00edtima e o agressor, para tentar uma reconcilia\u00e7\u00e3o, pode ser a solu\u00e7\u00e3o em alguns casos, mas apenas se essa for a vontade de quem sofreu as agress\u00f5es\u201d, diz a estudante Luana. \u201cAfinal, o agressor tamb\u00e9m faz parte da escola e, se a gente exclui ele, estamos repetindo a viol\u00eancia\u201d, completa Rafael, outro membro do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Incluir a v\u00edtima no seu ciclo de amizades, defend\u00ea-la se necess\u00e1rio e n\u00e3o se influenciar a perpetuar o bullying tamb\u00e9m s\u00e3o pr\u00e1ticas importantes que os alunos identificaram.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma quest\u00e3o de g\u00eanero<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Rafael e Frederico fazem parte de uma minoria no Grupo Guardi\u00e3o \u2013 os meninos. \u00c0 <em>Zum-Zum<\/em>, eles contam que a masculinidade t\u00f3xica, ou a ideia de que homens devem se comportar de uma maneira nociva, \u00e9 um fator que ajuda a agravar epis\u00f3dios de bullying. \u201cMuitas vezes, voc\u00ea est\u00e1 sofrendo bullying, mas tem que sofrer calado, n\u00e3o pode contar para ningu\u00e9m, ou falar sobre o que est\u00e1 sentindo, porque vai ser visto como fraco, como x-9\u201d, fala Frederico. E Rafael completa: &#8220;Percebo isso toda hora. Essa masculinidade t\u00f3xica, de ter que ficar quieto, aguentar, n\u00e3o falar pra ningu\u00e9m, como se pedir ajuda fosse sinal de fraqueza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael chegou ao Vera no in\u00edcio deste ano letivo; na escola anterior, foi v\u00edtima de bullying. \u201c\u00c9 uma cat\u00e1strofe, algo que mexe muito com a gente, gera depress\u00e3o, ansiedade. Entrei no Grupo Guardi\u00e3o porque gostaria de dividir minha experi\u00eancia como v\u00edtima de bullying e ajudar a acolher outras pessoas\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 29 de maio, os alunos do Grupo Guardi\u00e3o apresentaram seus estudos e suas sugest\u00f5es para o protocolo antibullying para todo o corpo t\u00e9cnico da escola, formado por diretores, coordenadores, orientadores e psic\u00f3logos. \u201cEles conseguiram fazer uma s\u00edntese perfeita de tudo o que trabalharam ao longo do semestre. Foi muito bonito\u201d, elogia a orientadora L\u00f4. \u201cFoi muito importante para a escola entender o bullying a partir da nossa perspectiva\u201d, disse a aluna Luana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cClaro que o protocolo em si \u00e9 muito importante, \u00e9 um produto final valioso, mas o mais importante \u00e9 o processo dos alunos de reflex\u00e3o e aprofundamento sobre o tema, e tomada de consci\u00eancia de que podem ser agentes ativos diante de situa\u00e7\u00f5es que presenciam no coletivo\u201d, afirma o coordenador Daniel Helene.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Site | P\u00e1gina do <a href=\"https:\/\/www.gepem.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Grupo de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Moral<\/strong><\/a>, da Unicamp e da Unesp.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[16],"edicao":[68],"class_list":["post-4424","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-reportagem","edicao-edicao-8"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4424"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4431,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4424\/revisions\/4431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4424"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}