{"id":4362,"date":"2025-09-25T14:39:19","date_gmt":"2025-09-25T17:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=4362"},"modified":"2025-10-06T13:13:06","modified_gmt":"2025-10-06T16:13:06","slug":"um-jogo-para-entender-a-ciencia-da-cor-da-pele","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/um-jogo-para-entender-a-ciencia-da-cor-da-pele\/","title":{"rendered":"Um jogo para entender a ci\u00eancia da cor da pele"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estudando gen\u00e9tica, o 9\u00ba ano discutiu conceitos como ra\u00e7a, ci\u00eancia e pseudoci\u00eancia<\/h3>\n\n\n\n<p><em>Reportagem: Gabriely Ara\u00fajo<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1379\" height=\"1034\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4363\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem1.jpg 1379w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem1-300x225.jpg 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1379px) 100vw, 1379px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Com base em jogo, alunos do 9\u00ba ano estudaram a ci\u00eancia das diferentes cores de pele e compreenderam como o conceito de ra\u00e7a n\u00e3o tem base cient\u00edfica.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No 9\u00ba ano, o que come\u00e7ou como um jogo de cartas se transformou em uma profunda reflex\u00e3o sobre gen\u00e9tica, diversidade racial e de g\u00eanero. Por meio da atividade &#8220;Herdando cores&#8221;, estudantes mergulham na ci\u00eancia da hereditariedade para entender como a ci\u00eancia refuta qualquer base para o racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa, criada pelas professoras Joana Mello Ribeiro Ruocco e Maria Silvia Abr\u00e3o, nasceu da necessidade de conectar o conte\u00fado de Biologia com discuss\u00f5es urgentes e presentes na sociedade. O curr\u00edculo do 9\u00ba ano j\u00e1 abordava a sexualidade, utilizando a gen\u00e9tica para demonstrar que a biologia codifica a diversidade, em uma tentativa de desconstruir falas homof\u00f3bicas e transf\u00f3bicas. Conforme explica a professora Joana, o objetivo era mostrar que, se os corpos n\u00e3o s\u00e3o biologicamente apenas masculinos ou femininos, a sociedade tamb\u00e9m n\u00e3o deveria impor essa rigidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa reflex\u00e3o tamb\u00e9m permeou a diversidade racial, e o ponto de virada aconteceu logo ap\u00f3s uma aula sobre diversidade gen\u00e9tica e uma palestra com o jornalista Edson Lopes Cardoso, voltada para a comunidade escolar, pais e funcion\u00e1rios do Vera, que abordou a rela\u00e7\u00e3o entre tons de pele e a negritude. &#8220;Percebemos que precis\u00e1vamos fazer a mesma discuss\u00e3o que a gente faz sobre sexualidade tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tonalidade de pele&#8221;, relata Joana. A urg\u00eancia era clara, e a professora inicialmente planejou uma ficha de exerc\u00edcios para a aula seguinte. No entanto, sua colega, Maria Silvia, insistiu em uma abordagem mais envolvente: &#8220;N\u00e3o, tem que envolver mais, tem que ser um jogo&#8221;, relembra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A biologia em jogo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A partir desse desafio, as educadoras desenvolveram &#8220;Herdando cores&#8221;, uma atividade que ocupou duas aulas: uma para o jogo e outra para a discuss\u00e3o. Divididos em grupos de oito, os alunos se tornam a primeira gera\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica. Cada estudante recebeu um conjunto de cartas que representou os genes que determinam a produ\u00e7\u00e3o de melanina e o albinismo.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O processo era totalmente participativo. A cada rodada, os alunos sorteavam \u201cparcerias\u201d para formar pares reprodutivos. Eles, ent\u00e3o, separavam suas cartas de genes para simular a forma\u00e7\u00e3o de gametas e os combinavam para gerar os descendentes da gera\u00e7\u00e3o seguinte. O processo se repetia, e, a cada nova gera\u00e7\u00e3o, a \u00e1rvore geneal\u00f3gica ganhava mais cores e complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo \u00e9 uma simula\u00e7\u00e3o ativa da heran\u00e7a gen\u00e9tica:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Genes e cromossomos<\/strong>: os alunos recebem cartas de cores diferentes que simbolizam os cromossomos e os genes. As cartas verdes e rosas representam as variantes dos genes A e B, que codificam uma maior (A, B) ou menor (a, b) produ\u00e7\u00e3o de melanina. As cartas amarelas representam o gene<br>&nbsp;C, que em sua forma recessiva (cc) causa albinismo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Construindo gera\u00e7\u00f5es<\/strong>: os estudantes definem o gen\u00f3tipo e o fen\u00f3tipo (a cor da pele) de seu &#8220;indiv\u00edduo&#8221; na primeira gera\u00e7\u00e3o, colorindo um c\u00edrculo em uma folha de \u00e1rvore geneal\u00f3gica com l\u00e1pis de cor espec\u00edficos para tons de pele.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Cruzamentos e diversidade<\/strong>: atrav\u00e9s de cartas de &#8220;parceria&#8221;, os alunos formam pares reprodutivos. Eles separam suas cartas de genes para formar &#8220;gametas&#8221; e os combinam para criar os descendentes da gera\u00e7\u00e3o seguinte. O processo \u00e9 repetido por quatro gera\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem2-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4364\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem2-768x1024.jpg 768w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem2-225x300.jpg 225w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem2-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Imagem2.jpg 1379w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O jogo e a discuss\u00e3o sobre gen\u00e9tica mostraram que h\u00e1 uma diversidade de cores de pele muito maior do que as atuais classifica\u00e7\u00f5es de ra\u00e7as.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ra\u00e7a em discuss\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A segunda aula foi dedicada \u00e0 an\u00e1lise dos resultados. Ao observarem as \u00e1rvores geneal\u00f3gicas que preencheram, repletas de diferentes tons de pele surgidos a partir de apenas oito indiv\u00edduos iniciais, os alunos visualizaram a diversidade gen\u00e9tica. &#8220;A primeira coisa que eu perguntei foi: &#8216;T\u00e1, o que que voc\u00eas veem a partir desse papelzinho?'&#8221;, conta Joana. A resposta veio em un\u00edssono da turma: &#8220;diversidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a fa\u00edsca para a discuss\u00e3o principal. Ao verem com os pr\u00f3prios olhos como a gen\u00e9tica gera uma imensa variedade de tons de pele de forma natural, os estudantes puderam compreender de forma concreta que a hierarquia de valor que a sociedade imp\u00f5e a essas cores n\u00e3o tem qualquer fundamento biol\u00f3gico. S\u00e3o, na verdade, constru\u00e7\u00f5es sociais historicamente determinadas e enraizadas em processos de domina\u00e7\u00e3o como o colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa constata\u00e7\u00e3o visual e coletiva, a conversa fluiu para a desconstru\u00e7\u00e3o de ideias racistas. As professoras explicaram a diferen\u00e7a entre ci\u00eancia e pseudoci\u00eancia, mostrando como argumentos preconceituosos frequentemente distorcem dados cient\u00edficos para justificar uma estrutura social de opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade possibilitou aos alunos compreenderem que argumentos racistas que tentam usar a biologia como justificativa partem de uma conclus\u00e3o predefinida para manter uma estrutura de poder, o que inverte o processo cient\u00edfico. &#8220;Toda vez que a gente tem uma conclus\u00e3o pseudocient\u00edfica que defende a manuten\u00e7\u00e3o de uma estrutura social,&nbsp; muito provavelmente essa conclus\u00e3o n\u00e3o veio de um processo cient\u00edfico&#8221;, conclui Joana.<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Herdando cores&#8221; se revelou, assim, mais do que uma simples atividade sobre gen\u00e9tica; \u00e9 uma ferramenta alinhada a uma perspectiva decolonial de educa\u00e7\u00e3o. Ao questionar as estruturas sociais racistas e patriarcais, o projeto promove o pensamento cr\u00edtico e uma postura \u00e9tica diante das desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as professoras, essa abordagem \u00e9 fundamental. &#8220;A gente tem entendido que esta estrutura social, que \u00e9 patriarcal, racista e heteronormativa, \u00e9 uma heran\u00e7a dessa estrutura colonial&#8221;, explica Joana. O jogo se torna, assim, um caminho para o ensino de Ci\u00eancias assumir um papel ativo na forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria, mostrando como a educa\u00e7\u00e3o pode e deve ser um agente no enfrentamento do racismo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Livro | <strong>Nada os trar\u00e1 de volta<\/strong>, de Edson Lopes Cardoso.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[51,17],"edicao":[68],"class_list":["post-4362","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-6o-ao-9o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-8"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4362"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4570,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/4362\/revisions\/4570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4362"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}