{"id":3834,"date":"2024-08-26T12:36:12","date_gmt":"2024-08-26T15:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3834"},"modified":"2024-10-09T10:26:59","modified_gmt":"2024-10-09T13:26:59","slug":"relato-de-pratica-como-o-livro-oculos-de-cor-fez-o-5o-ano-pensar-e-agir-sobre-as-relacoes-etnico-raciais","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/relato-de-pratica-como-o-livro-oculos-de-cor-fez-o-5o-ano-pensar-e-agir-sobre-as-relacoes-etnico-raciais\/","title":{"rendered":"Relato de pr\u00e1tica: como o livro \u00d3culos de cor fez o 5\u00ba ano pensar e agir sobre as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Paula Takada (professora polivalente) e Maria Eneida Fiuza (orientadora)<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"756\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3835\" style=\"width:100%\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-1.jpg 567w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O livro de Lilia Schwarcz serviu como ponto de partida para discuss\u00f5es sobre branquitude, racismo e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cFazia tempo que os pais, a dire\u00e7\u00e3o e os professores estavam empenhados em mudar o perfil da escola. A ideia era que, por mais que fosse uma escola particular e paga, ela precisaria se engajar numa proposta mais cidad\u00e3 e inclusiva \u2013 \u2018antirracista\u2019, conforme explicava a diretora, no sentido de contar com alunos vindos de diferentes realidades sociais e culturais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, o trecho acima n\u00e3o foi retirado de nenhum documento do Vera. Ele est\u00e1 na p\u00e1gina 29 do livro <em>\u00d3culos de cor: ver e n\u00e3o enxergar<\/em>, uma narrativa ficcional escrita por Lilia Moritz Schwarcz, na qual Alvo, um menino branco, estudante de uma escola particular, vivencia a chegada de colegas negras, negros e ind\u00edgenas e, com isso, passa a ver o mundo com outros olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como busc\u00e1vamos uma leitura que provocasse conversas, pensamentos e a\u00e7\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es raciais, um tema presente no cotidiano da turma, propusemos ao 5\u00ba ano A a leitura, em sala de aula, desse livro, que reflete parte da nossa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E funcionou. A princ\u00edpio, boa parte do grupo criticou pesadamente a postura do personagem Alvo: um garoto alienado, fechado em um mundinho que ele considerava perfeito e cercado de pessoas brancas \u2013 Clara (a irm\u00e3), Neves (o pai), Branca (a m\u00e3e) e C\u00e2ndido (o cachorro).<\/p>\n\n\n\n<p>Avan\u00e7ando um pouco mais na hist\u00f3ria, os alunos e as alunas passaram a conhecer, juntamente com Alvo, um pouco do dia a dia de Ebony: uma garota negra, rec\u00e9m-chegada \u00e0 escola, que se desloca de \u00f4nibus at\u00e9 a periferia, onde vive cercada de pessoas pretas \u2013 Akin (o pai), Abia (a m\u00e3e) e Malaika (a av\u00f3).<\/p>\n\n\n\n<p>As realidades dos dois personagens s\u00e3o diferentes, s\u00e3o viv\u00eancias distintas que se somam e que fazem do mundo um lugar maior, um lugar onde o que \u00e9 normal para um pode n\u00e3o ser normal para o outro. Essa reflex\u00e3o, que convoca as crian\u00e7as a sa\u00edrem de seu lugar e olharem o outro de modo a compreend\u00ea-lo, promove rela\u00e7\u00f5es mais emp\u00e1ticas e inclusivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Solicitamos, ent\u00e3o, um registro escrito sobre as impress\u00f5es parciais dos alunos e suas expectativas. Algumas das reflex\u00f5es trazidas pela turma foram:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me identifico um pouco com o Alvo, j\u00e1 que minha fam\u00edlia inteira \u00e9 branca igual \u00e0 dele.\u201d \u2013 Helena Carvalho Araujo Puga<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou achando o livro bem legal porque ensina a ser antirracista. N\u00e3o me identifico com os personagens porque eu nunca sofri racismo ou bullying.\u201d \u2013 Gael Campello Junqueira<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMinha expectativa \u00e9 que Ebony e Alvo se juntem e estourem as bolhas das outras pessoas.\u201d \u2013 Anita Dornelio Pinheiro<\/p>\n\n\n\n<p>A cada sess\u00e3o de leitura em sala, seguiram-se momentos de troca e debate entre os leitores. Nessas situa\u00e7\u00f5es, os alunos se sentiram seguros para contar casos e tirar d\u00favidas sobre esse tema delicado que \u00e9 o racismo, com perguntas que nem sempre a professora soube responder na hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Como educadoras<em>, <\/em>observar a conviv\u00eancia entre as nossas crian\u00e7as, as desaven\u00e7as e os conflitos cotidianos sob essa perspectiva nos fez redimensionar nosso olhar e nossa escuta, nos convocando, como coagentes dessas cenas, a atingir camadas mais complexas das rela\u00e7\u00f5es que se estabeleciam na turma.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura extrapolou a sala de aula e chegou \u00e0s casas dos alunos. Alguns familiares se interessaram, leram o livro e conversaram com as crian\u00e7as sobre as viv\u00eancias de Ebony e Alvo, o que os levou a discutirem tamb\u00e9m suas pr\u00f3prias viv\u00eancias nos diferentes espa\u00e7os por onde circulam. Ampliaram, assim, nosso trabalho de letramento racial que s\u00f3 pode ser efetivo dessa forma: por meio da parceria entre as fam\u00edlias e a escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim da leitura da narrativa principal e de alguns termos do gloss\u00e1rio que comp\u00f5e o livro, convocamos os alunos a pensar a\u00e7\u00f5es para melhorar as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais no Vera e surgiram muitas ideias \u2013 de visitas aos bairros dos colegas, como acontece no livro, \u00e0 barraca dos tons de pele que seria instalada no p\u00e1tio para as pessoas declararem sua cor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-2.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"805\" data-id=\"3836\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3836\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-2.jpg 576w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-2-215x300.jpg 215w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-3.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"631\" height=\"785\" data-id=\"3837\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3837\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-3.jpg 631w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/n2-3-241x300.jpg 241w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/a><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\"><em>Depois da leitura, a turma pensou em a\u00e7\u00f5es que poderia implementar na Escola.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Decidimos come\u00e7ar por uma pesquisa quantitativa, nos moldes do Censo do IBGE, para conhecer a composi\u00e7\u00e3o racial do nosso segmento escolar. Coletivamente, definimos a popula\u00e7\u00e3o a ser pesquisada (estudantes, professores e funcion\u00e1rios do 3\u00ba ao 5\u00ba ano) e o instrumento de coleta de informa\u00e7\u00f5es (um question\u00e1rio de m\u00faltipla escolha). No segundo semestre, os dados ser\u00e3o tabulados nas aulas de Matem\u00e1tica, e os resultados da pesquisa ser\u00e3o comunicados \u00e0 comunidade do Vera.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A leitura de <em>\u00d3culos de cor<\/em> agora ser\u00e1 estendida \u00e0s demais turmas do 5\u00ba ano, aprovada e recomendada pelo grupo do 5\u00ba ano A:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa minha opini\u00e3o, o livro \u00e9 bem forte em rela\u00e7\u00e3o ao racismo estrutural. A branquitude n\u00e3o \u00e9 um assunto f\u00e1cil, o racismo, ent\u00e3o, nem se fala. E fico triste de saber que, no passado, negros eram escravizados e as consequ\u00eancias disso fazem parte da nossa realidade at\u00e9 os dias de hoje.\u201d \u2013 Helo\u00edsa Sacramento Gomes&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu gostei demais do livro. A autora fala sobre o fim do racismo como uma \u2018utopia afetiva\u2019 (uma coisa que voc\u00ea gostaria que fosse real, mas n\u00e3o \u00e9), e eu indico para voc\u00eas, leitores.\u201d \u2013 Bernardo Bortolato Gouv\u00eaa&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Observar nossas crian\u00e7as apropriadas desse vocabul\u00e1rio, compreendendo a profundidade de cada termo, e aliadas nessa justa luta social nos aponta que a escolha por esse livro n\u00e3o foi apenas adequada, mas foi tamb\u00e9m necess\u00e1ria para disparar reflex\u00f5es e promover a\u00e7\u00f5es formadoras e transformadoras em cada subjetividade. Reafirmamos assim tamb\u00e9m o nosso compromisso com essa pauta, com essa quest\u00e3o socialmente viva e pulsante. Com as crian\u00e7as, com as fam\u00edlias, com a sociedade.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[56,17],"edicao":[63],"class_list":["post-3834","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-3o-ao-5o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-6"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3834"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3974,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3834\/revisions\/3974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3834"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}