{"id":3671,"date":"2024-03-11T15:52:59","date_gmt":"2024-03-11T18:52:59","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3671"},"modified":"2024-04-05T09:11:07","modified_gmt":"2024-04-05T12:11:07","slug":"do-que-e-feito-um-bairro-educador","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/do-que-e-feito-um-bairro-educador\/","title":{"rendered":"Do que \u00e9 feito um bairro educador?"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por Paula Peres<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea estiver passeando pela Vila Ipojuca, na zona oeste de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o estranhe ao encontrar um grupo de crian\u00e7as observando tudo ao redor atentamente e, \u00e0s vezes, at\u00e9 entrando em outros espa\u00e7os, como a biblioteca municipal, uma padaria ou algum outro estabelecimento comercial. Sempre, claro, acompanhadas de um professor respons\u00e1vel. Trata-se dos alunos do Integral da unidade Vera Cruz do bairro, que completou seu segundo ano de exist\u00eancia em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro ano da unidade, a interlocu\u00e7\u00e3o entre a escola e a comunidade do entorno \u00e9 um pilar fundamental do trabalho desenvolvido ali. Por isso, esse di\u00e1logo \u00e9 uma parte fundamental da forma\u00e7\u00e3o dos educadores, promovida pela coordenadora Cl\u00e9lia Cortez. \u201cEstamos fortalecendo a vis\u00e3o de que as crian\u00e7as j\u00e1 s\u00e3o cidad\u00e3s no presente, n\u00e3o precisamos esperar pelo futuro. Elas j\u00e1 podem e devem participar de discuss\u00f5es sobre o territ\u00f3rio\u201d, afirma ela.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as do G3 e G4, por exemplo, ao passear pelo bairro com a professora Adriana Patarra, ou Nana, como \u00e9 conhecida, ficaram incomodadas com o excesso de coc\u00f4 de cachorro nas ruas e decidiram fazer placas informativas que conscientizassem a comunidade a recolher o coc\u00f4 dos animais. \u201c\u00c9 diferente de pensar uma interven\u00e7\u00e3o enquanto adulta para as crian\u00e7as fazerem\u201d, explica Cortez. O problema e a interven\u00e7\u00e3o surgem a partir da \u00f3tica dos pr\u00f3prios estudantes. Assim, foi criado um canteiro com ervas na porta da Escola para a comunidade e realizadas interven\u00e7\u00f5es e exposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas com os trabalhos das crian\u00e7as. \u201c\u00c9 a inf\u00e2ncia podendo colocar o seu pensamento sobre a cidade, para que os outros saibam como est\u00e3o se relacionando com aquele coletivo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com o entorno expande as experi\u00eancias com o projeto antirracista da Escola Vera Cruz, porque permite a intera\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio onde a diversidade racial \u00e9 muito presente. Uma dessas oportunidades se d\u00e1 pela parceria entre o Vera e a EMEI Ana Maria Poppovic, uma institui\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Infantil p\u00fablica. Por meio desse trabalho conjunto, professoras e estudantes de ambas escolas t\u00eam a oportunidade de refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais e pr\u00e1ticas antirracistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A parceria se d\u00e1 entre duas professoras de Educa\u00e7\u00e3o Infantil: a Nana, do Vera Cruz, e a Vanessa Leite Rosa Morales, da EMEI. Juntas, elas elaboraram um projeto de leitura com suas turmas compartilhando os objetivos de aprendizagem, as indica\u00e7\u00f5es de livros para leitura e tamb\u00e9m o espa\u00e7o da biblioteca p\u00fablica Clarice Lispector, espa\u00e7o pr\u00f3ximo \u00e0 EMEI, que recebe alunos e alunas das duas escolas para rodas de leitura coletivas quinzenais.<\/p>\n\n\n\n<p>O interc\u00e2mbio entre as escolas n\u00e3o para nos alunos. Como a EMEI tamb\u00e9m tem um projeto de Educa\u00e7\u00e3o Antirracista estruturado pela prefeitura de S\u00e3o Paulo, Cortez aproveita para debater as semelhan\u00e7as, diferen\u00e7as, desafios e aprendizagens com as equipes. Essas trocas sobre os projetos e seus documentos geram aprendizados para as duas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A escola em di\u00e1logo com a cidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A parceria com a EMEI Ana Maria Poppovic \u00e9 apenas uma das colabora\u00e7\u00f5es estabelecidas. O projeto da Vila Ipojuca, por mirar na forma\u00e7\u00e3o integral dos estudantes, demanda que todas as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam confinadas apenas aos muros da escola. A perspectiva da Educa\u00e7\u00e3o Integral defende a rela\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o com a comunidade do entorno da escola, da cidade como um todo, garantindo uma conex\u00e3o profunda entre a escola e o territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro parceiro importante no ano de 2023 foi a arquiteta Juliana Marques, pioneira nas discuss\u00f5es sobre inf\u00e2ncias e cidade. Por interm\u00e9dio dela, o Movimento CoCrian\u00e7a, um grupo criado por arquitetas que trabalham o urbanismo sob o ponto de vista das inf\u00e2ncias, soube dos projetos que d\u00e3o voz e autonomia para as crian\u00e7as interferirem no espa\u00e7o urbano na Vila Ipojuca e estabeleceram trocas com o Vera. No final do semestre, Ayumy Pompeia, arquiteta e urbanista, vice-diretora executiva do CoCrian\u00e7a, e Camila Sawaia, arquiteta, urbanista e pedagoga, diretora pedag\u00f3gica do CoCrian\u00e7a vieram at\u00e9 a escola para discutir o tema com a equipe da institui\u00e7\u00e3o. \u201cO Movimento CoCrian\u00e7a tem um grande senso de escuta da comunidade, de constru\u00e7\u00e3o conjunta em vez da entrega de uma solu\u00e7\u00e3o pronta que s\u00f3 uma das partes considera adequada\u201d, aponta a coordenadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pr\u00f3ximos anos, os planos s\u00e3o ainda maiores. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 de constituir e fortalecer um bairro educador\u201d, sonha Cortez. O grande sonho da escola \u00e9 que seja constru\u00eddo uma esp\u00e9cie de \u201cquarteir\u00e3o das inf\u00e2ncias\u201d, para dar mais visibilidade \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es que as inf\u00e2ncias fazem do mundo e de quais a\u00e7\u00f5es no bairro, como a horta comunit\u00e1ria, s\u00e3o iniciativas das crian\u00e7as. \u201cO desejo \u00e9 de que aquele espa\u00e7o mostre o rastro da inf\u00e2ncia. S\u00e3o crian\u00e7as que pensam, que se mobilizam em torno de algo na cidade que mexe com elas\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[53,17],"edicao":[60],"class_list":["post-3671","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-integral","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-5"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3671"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3671\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3749,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3671\/revisions\/3749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3671"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}