{"id":3594,"date":"2024-03-11T09:16:56","date_gmt":"2024-03-11T12:16:56","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3594"},"modified":"2024-03-27T15:49:24","modified_gmt":"2024-03-27T18:49:24","slug":"o-poder-ancestral-e-os-valores-civilizatorios-afro-brasileiros","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/o-poder-ancestral-e-os-valores-civilizatorios-afro-brasileiros\/","title":{"rendered":"O poder ancestral e os valores civilizat\u00f3rios afro-brasileiros"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por Gabriely Araujo<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil se organiza em roda, no samba, na capoeira, no carimb\u00f3, maracatu e na sala de aula. A roda \u00e9 t\u00e3o fundamental que, segundo o jornalista e cr\u00edtico musical Roberto M. Moura, \u00e9 ela que d\u00e1 origem ao samba: \u201cSe a roda n\u00e3o estivesse l\u00e1 antes, n\u00e3o haveria samba\u201d, afirma ele em frase em destaque na exposi\u00e7\u00e3o \u201cPequenas \u00c1fricas: o Rio que o samba inventou&#8221;, no Instituto Moreira Salles, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3603\" class=\"elementor elementor-3603\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-1752e29 elementor-section-content-middle elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"1752e29\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-170ace8\" data-id=\"170ace8\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-eff7a9d elementor-position-inline-start elementor-view-default elementor-widget elementor-widget-icon-box\" data-id=\"eff7a9d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"icon-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-wrapper\">\n\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-icon\">\n\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/pra-ir-ler-e-ver\/\" target=\"_blank\" class=\"elementor-icon\" tabindex=\"-1\" aria-label=\"Veja mais em Para ver, ler e ir.\">\n\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"fas fa-external-link-alt\"><\/i>\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-content\">\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-icon-box-title\">\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/pra-ir-ler-e-ver\/\" target=\"_blank\" >\n\t\t\t\t\t\t\tVeja mais em Para ver, ler e ir.\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma casualidade. A roda, ou melhor, a circularidade \u00e9 um dos valores de origem afro-brasileira que d\u00e3o identidade e caracterizam princ\u00edpios e aspectos existenciais, espirituais, intelectuais e materiais do pa\u00eds. Chamados de <strong>valores civilizat\u00f3rios afro-brasileiros, <\/strong>esses princ\u00edpios surgiram com as popula\u00e7\u00f5es negras em di\u00e1spora,&nbsp; imigra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de pessoas do continente africano para outras regi\u00f5es do mundo, como o Brasil. Al\u00e9m da circularidade, os valores tamb\u00e9m contemplam <strong><a href=\"#musicalidade\">musicalidade<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"#oralidade\">oralidade<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"#memoria\">mem\u00f3ria<\/a>,<\/strong> <strong><a href=\"#ancestralidade\">ancestralidade<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"#cooperativismo\">cooperativismo<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"#energia-vital\">energia vital<\/a><\/strong>, <a href=\"#corporeidade\"><strong>corporeidade<\/strong> <\/a>e <strong><a href=\"#ludicidade\">ludicidade<\/a><\/strong>. \u201cOs valores civilizat\u00f3rios somos n\u00f3s. N\u00f3s somos esse povo que valoriza nossa capacidade de fazer m\u00fasica, de dan\u00e7ar, que v\u00ea de uma forma positiva o trabalho feito de forma coletiva\u201d, explica Edneia Gon\u00e7alves, coordenadora executiva da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3600\" class=\"elementor elementor-3600\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6e91e2a elementor-section-content-middle elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6e91e2a\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-a08dab9\" data-id=\"a08dab9\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d491c60 elementor-position-left elementor-vertical-align-middle elementor-widget elementor-widget-image-box\" data-id=\"d491c60\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-image-box-wrapper\"><figure class=\"elementor-image-box-img\"><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/5XKmq4cQ3yK4jB5rWOaDBY?si=308b33d001f2415b\" target=\"_blank\" tabindex=\"-1\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4.png\" class=\"attachment-full size-full wp-image-314\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4.png 512w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4-300x300.png 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><\/figure><div class=\"elementor-image-box-content\"><h3 class=\"elementor-image-box-title\"><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/5XKmq4cQ3yK4jB5rWOaDBY?si=308b33d001f2415b\" target=\"_blank\">Ou\u00e7a a \u00edntegra da entrevista com Edneia em nosso podcast!<\/a><\/h3><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Eles foram formulados pela educadora e pesquisadora Azoilda Loretto da Trindade, que dedicou sua trajet\u00f3ria a teorias e pr\u00e1ticas que contribu\u00edssem para a educa\u00e7\u00e3o antirracista. \u201cComo afro-brasileiras e afro-brasileiros, ciosas\/os e orgulhosas\/os desta condi\u00e7\u00e3o, em di\u00e1logo com valores humanos de v\u00e1rias etnias e grupos sociais, imprimimos valores civilizat\u00f3rios de matriz africana \u00e0 nossa brasilidade que \u00e9 plural\u201d, pontuou Azoilda, em um caderno de atividades para Educa\u00e7\u00e3o Infantil, publicado em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de coletividade \u00e9 fortemente presente nos valores afro-brasileiros. Ela se op\u00f5e a ideias como o individualismo, o sucesso pessoal e a meritocracia, mais populares em algumas culturas ocidentais. \u201cOs valores mostram como as popula\u00e7\u00f5es negras buscaram sempre beneficiar a coletividade ou toda a sociedade e n\u00e3o apenas um segmento, e isso demonstra uma vis\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o de bem comum e de constru\u00e7\u00e3o social mais igualit\u00e1ria, transformadora e inclusiva\u201d, afirma Helton Souto, presidente do Instituto DACOR.<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores civilizat\u00f3rios surgem da influ\u00eancia negra, boa parte deles pode ser encontrada em diversas culturas do continente africano, e foram trazidos para o Brasil, em sua maior parte, pelos indiv\u00edduos da di\u00e1spora africana. Aqui, as tradi\u00e7\u00f5es de cada um desses povos entraram em di\u00e1logo entre si e tamb\u00e9m com aquelas de outros povos, sobretudo os ind\u00edgenas. Assim, formou-se esse conjunto de valores, profundamente presentes na vida da popula\u00e7\u00e3o negra, mas tamb\u00e9m na identidade do pa\u00eds como um todo. Inclusive, refletir sobre a presen\u00e7a dos valores na sociedade como um todo requer, por si s\u00f3, uma reflex\u00e3o sobre a ancestralidade: muitas vezes, a populariza\u00e7\u00e3o desses valores passou por apagar a origem africana e afro-brasileira deles. \u00c9 o caso, por exemplo, do samba, que, durante o s\u00e9culo 20, ganhou o status de s\u00edmbolo nacional mas nem sempre teve a sua origem afro-brasileira devidamente reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Escola Vera Cruz, os valores civilizat\u00f3rios perpassam todo o projeto pol\u00edtico e pedag\u00f3gico, assim como as pr\u00e1ticas do dia a dia. \u201cEles s\u00e3o uma inspira\u00e7\u00e3o fundamental para construir um cotidiano que \u00e9 mais poroso, mais capaz de dar lugar para todos os corpos\u201d, afirma Andr\u00e9 Reinach, assessor de curr\u00edculo da Escola Vera Cruz. A import\u00e2ncia deles est\u00e1, por exemplo, em reconhec\u00ea-los ao analisar a produ\u00e7\u00e3o cultural da popula\u00e7\u00e3o negra. Na 2\u00aa s\u00e9rie do Ensino M\u00e9dio, por exemplo, os estudantes refletiram sobre a centralidade da religiosidade na obra do artista Rubem Valentim.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3621\" class=\"elementor elementor-3621\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-796a548 elementor-section-content-middle elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"796a548\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-56661c9\" data-id=\"56661c9\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-701a0eb elementor-position-inline-start elementor-view-default elementor-widget elementor-widget-icon-box\" data-id=\"701a0eb\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"icon-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-wrapper\">\n\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-icon\">\n\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/geometria-e-arte-geram-discussao-sobre-religiosidade-e-respeito\/\" target=\"_blank\" class=\"elementor-icon\" tabindex=\"-1\" aria-label=\"Clique aqui para conhecer mais sobre o projeto.\">\n\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"fas fa-external-link-alt\"><\/i>\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-content\">\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-icon-box-title\">\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/geometria-e-arte-geram-discussao-sobre-religiosidade-e-respeito\/\" target=\"_blank\" >\n\t\t\t\t\t\t\tClique aqui para conhecer mais sobre o projeto.\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Outro aspecto importante vivido por estudantes e fam\u00edlias \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o intencional de alguns desses valores nas pr\u00e1ticas do col\u00e9gio. A ancestralidade, por exemplo, se apresenta de forma transversal, em todo o curr\u00edculo: na revis\u00e3o feita em L\u00edngua Portuguesa recentemente, a influ\u00eancia africana ganhou um papel importante para como a l\u00edngua ser\u00e1 abordada ao longo dos anos finais do Ensino Fundamental. <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3625\" class=\"elementor elementor-3625\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-baebf11 elementor-section-content-middle elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"baebf11\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9ab90a9\" data-id=\"9ab90a9\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5b29e0f elementor-position-inline-start elementor-view-default elementor-widget elementor-widget-icon-box\" data-id=\"5b29e0f\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"icon-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-wrapper\">\n\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-icon\">\n\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/modernidade-e-colonialidade-descolonizando-o-curriculo\/\" target=\"_blank\" class=\"elementor-icon\" tabindex=\"-1\" aria-label=\"Clique aqui para conhecer essa iniciativa.\">\n\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"fas fa-external-link-alt\"><\/i>\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-content\">\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-icon-box-title\">\n\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/modernidade-e-colonialidade-descolonizando-o-curriculo\/\" target=\"_blank\" >\n\t\t\t\t\t\t\tClique aqui para conhecer essa iniciativa.\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Os valores tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na maneira como a escola resolve conflitos, promove di\u00e1logo e constr\u00f3i, dia a dia, o seu projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico. \u201cOs valores civilizat\u00f3rios afro-brasileiros preconizam uma abordagem pedag\u00f3gica que valoriza a alteridade, a diversidade, a escuta, uma pedagogia que ultrapassa o espa\u00e7o da sala de aula, que vai al\u00e9m do curr\u00edculo escolar. Diz respeito a um novo estar no mundo, uma nova sociabilidade. \u00c9 preciso entender os valores civilizat\u00f3rios como um enredo, uma trama, que deve, necessariamente, envolver a todas\/os, sen\u00e3o n\u00e3o se efetiva\u201d, conta Ana Paula Brand\u00e3o, diretora program\u00e1tica na ActionAid Brasil e uma das respons\u00e1veis pelo projeto A Cor da Cultura, iniciativa educativa de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana pontua o quanto o passado e a hist\u00f3ria do povo negro \u00e9 importante para a forma\u00e7\u00e3o do jovem, e refor\u00e7a que ainda predomina, na maior parte das escolas brasileiras, uma mentalidade que ignora os saberes, os modos de ver, as tradi\u00e7\u00f5es e ancestralidade dos negros e negras e povos ind\u00edgenas. \u201cN\u00e3o conhecer e n\u00e3o conviver, como nos diz Cida Bento, nos empobrece em termos cognitivos, comprometendo nossa capacidade de aprender como o outro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a, abaixo, cada um dos valores civilizat\u00f3rios afro-brasileiros:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"oralidade\"><strong>Oralidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>As conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3ria aos p\u00e9s dos baob\u00e1s, uma tradi\u00e7\u00e3o bastante reconhecida, \u00e9 um exemplo da presen\u00e7a da oralidade na \u00c1frica e que se construiu tamb\u00e9m no Brasil. H\u00e1 muitos elementos na transmiss\u00e3o oral que n\u00e3o est\u00e3o presentes em outras formas, como a rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre o contador de hist\u00f3rias e aquele que ouve \u2013 e tamb\u00e9m participa \u2013 e, por isso, ela \u00e9 trabalhada em todas as etapas escolares.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"musicalidade\"><strong>Musicalidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Muitos cr\u00edticos culturais reconhecem a tradi\u00e7\u00e3o musical popular como a maior riqueza cultural do pa\u00eds, fonte de inspira\u00e7\u00e3o para m\u00fasicos de todas as partes do mundo. Boa parte dela, \u00e9 claro, est\u00e1 conectada aos ritmos afro-brasileiros: o samba, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m o choro, o jongo, o carimb\u00f3, entre outros. A multiplicidade de ritmos concretiza a import\u00e2ncia que se expressar musicalmente \u00e9 parte importante das tradi\u00e7\u00f5es negras.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"ancestralidade\"><strong>Ancestralidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Durante o processo de escraviza\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de pessoas negras, essas pessoas eram alvo de diversas a\u00e7\u00f5es que tinham como objetivo apagar a sua ancestralidade: eram separadas de compatriotas e, mesmo o processo de miscigena\u00e7\u00e3o \u2013 muitas vezes for\u00e7ada \u2013 tinha como objetivo apagar os tra\u00e7os de \u00c1frica do corpo e da mem\u00f3ria individual e coletiva de cada pessoa. Trabalhar com a ancestralidade \u00e9 reconhecer como se deu a resist\u00eancia a esse processo e como, mesmo diante de tanta viol\u00eancia, a ancestralidade africana permanece presente na vida das pessoas negras.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"memoria\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria \u00e9 como se preserva a identidade, hist\u00f3ria e pertencimento de comunidades afro-brasileiras. Est\u00e1 presente de forma muito pr\u00f3xima \u00e0 oralidade, por exemplo, na transmiss\u00e3o das hist\u00f3rias de fam\u00edlia a cada gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"ludicidade\"><strong>Ludicidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A ludicidade est\u00e1 relacionada \u00e0 import\u00e2ncia do brincar. E como um valor afro-brasileiro \u00e9 passado dos mais velhos aos mais novos, por gera\u00e7\u00f5es, na constru\u00e7\u00e3o de jogos, de brincadeiras, e da encena\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, em diversos elementos que constituem o carnaval.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"cooperativismo\"><strong>Cooperativismo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O cooperativismo est\u00e1 associado ao sentido de comunidade, s\u00edmbolo de unidade, interdepend\u00eancia e fraternidade. \u00c9 apoiar o outro pelo bem comum. Com a import\u00e2ncia de compet\u00eancias como a empatia para o desenvolvimento de crian\u00e7as e jovens, demonstra-se o quanto o senso de coletivo \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"energia-vital\"><strong>Energia vital<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A energia vital pode ser entendida tamb\u00e9m como \u201cax\u00e9\u201d, que \u00e9 o desejo pela vida. Nas tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras e religi\u00f5es de matriz afro, entende-se que todos os seres t\u00eam uma for\u00e7a individual que circula entre o ambiente e o indiv\u00edduo, e o&nbsp; impulsiona para o agir.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"corporeidade\"><strong>Corporeidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O corpo, a express\u00e3o corporal, como nos expressamos com o mundo correspondem a esse valor civilizat\u00f3rio. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o do homem consigo mesmo e o sentido de pertencimento de cada um e como interage com os corpos dos outros.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"circularidade\"><strong>Circularidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A circularidade \u00e9 o sentido que damos ao movimento c\u00edclico da vida, que segue em um cont\u00ednuo que volta ao ponto de partida. Esse valor aparece em manifesta\u00e7\u00f5es culturais de origem afro e que est\u00e3o relacionadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de rodas, como as rodas de samba e pagode, rodas de capoeira, e aos encontros ao redor da fogueira.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3099\" class=\"elementor elementor-3099\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-946e44b e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"946e44b\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[16],"edicao":[60],"class_list":["post-3594","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-reportagem","edicao-edicao-5"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3594"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3685,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3594\/revisions\/3685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3594"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}