{"id":3591,"date":"2024-03-11T09:01:49","date_gmt":"2024-03-11T12:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3591"},"modified":"2024-03-11T09:02:55","modified_gmt":"2024-03-11T12:02:55","slug":"masculinidades-negras-a-interseccao-de-raca-e-genero","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/masculinidades-negras-a-interseccao-de-raca-e-genero\/","title":{"rendered":"Masculinidades negras: a intersec\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e g\u00eanero"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3070\" class=\"elementor elementor-3070\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-33d3bcb e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"33d3bcb\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2ef6067 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"2ef6067\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8c1f7b2 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"8c1f7b2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"991\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-827x1024.jpeg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-4895\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-827x1024.jpeg 827w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-242x300.jpeg 242w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-768x951.jpeg 768w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane-1240x1536.jpeg 1240w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/silvane.jpeg 1292w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4a2107d e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"4a2107d\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d85f643 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"d85f643\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Silvane Silva<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8c6b6de elementor-hidden-desktop elementor-hidden-tablet elementor-hidden-mobile e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"8c6b6de\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-210edbb elementor-hidden-desktop elementor-hidden-tablet elementor-hidden-mobile elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"210edbb\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Assessora, pesquisadora e professora sobre rela\u00e7\u00f5es raciais na escola. Doutora em Hist\u00f3ria Social, \u00e9 professora do <a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/vc_docente\/silvane-aparecida-da-silva\/\">Instituto Vera Cruz.<\/a><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<p>Quando falamos sobre g\u00eanero, algumas pessoas entendem que estamos tratando apenas de temas relativos \u00e0s mulheres ou \u00e0s pessoas LGBT+. No entanto, \u00e9 urgente compreender que os homens cis tamb\u00e9m possuem g\u00eanero e que as desigualdades se d\u00e3o justamente pelas diferen\u00e7as no tratamento existente na sociedade para homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o g\u00eanero \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social. As caracter\u00edsticas do que \u00e9 feminino ou masculino mudam de acordo com a \u00e9poca, lugar, cultura e religi\u00e3o. Ent\u00e3o, podemos nos perguntar: quais s\u00e3o as imagens e ideias amplamente divulgadas sobre o que \u00e9 ser homem na nossa sociedade? Quais s\u00e3o os pap\u00e9is que s\u00e3o performados pelos homens e qual a performance \u00e9 esperada deles? <\/p>\n\n\n\n<p>A masculinidade \u00e9 constru\u00edda com base na experi\u00eancia do mundo vivido, tanto na esfera p\u00fablica como na intimidade. E essa experi\u00eancia, para nossos jovens, \u00e9 baseada no conceito de masculinidade tradicional ocidental branca e crist\u00e3,\u00a0 que se tornou hegem\u00f4nico na nossa sociedade. Nessa perspectiva, os homens devem ser provedores, proteger a fam\u00edlia; precisam ser fortes, ter poder, n\u00e3o levar desaforo para casa e n\u00e3o demonstrar sentimentos, pois isso seria sinal de fraqueza. \u201cHomem n\u00e3o chora\u201d e \u201cSeja homem\u201d s\u00e3o frases ditas para meninos desde muito cedo. Essa forma de sociabilidade contribui para que os homens se transformem em algozes e ao mesmo tempo sejam v\u00edtimas da viol\u00eancia gerada pela cobran\u00e7a desse papel a ser desempenhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, precisamos refor\u00e7ar que o debate sobre g\u00eanero deve envolver tamb\u00e9m meninos e homens. \u00c9 muito importante uma educa\u00e7\u00e3o que empodere meninas e mulheres, por\u00e9m \u00e9 imprescind\u00edvel considerar que a desigualdade e a viol\u00eancia se d\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres. Ambos devem refletir e participar dessa conversa para que as transforma\u00e7\u00f5es de fato ocorram. Se est\u00e1 amplamente divulgado entre n\u00f3s a frase de Simone de Beauvoir que diz \u201cN\u00e3o se nasce mulher, torna-se mulher\u201d, a mesma \u00eanfase deveria ser dada para o fato de que t\u00e3o pouco os homens nascem homens. S\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es sociais que ensinam o que \u00e9 ser mulher e o que \u00e9 ser homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a feminilidade \u00e9 o conjunto de atributos, caracter\u00edsticas e pap\u00e9is sociais atribu\u00eddos \u00e0s mulheres, a masculinidade \u00e9 o conjunto de caracter\u00edsticas e pap\u00e9is sociais atribu\u00eddos aos homens. Portanto, obrigatoriamente precisamos considerar que homens e mulheres devem trabalhar juntos pela desconstru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos e preconceitos e pela promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse debate se faz necess\u00e1rio ainda considerar que padr\u00f5es de comportamento que refor\u00e7am socialmente a masculinidade s\u00e3o diferentes para meninos e homens negros. Um dos dados mais gritantes e amplamente divulgados \u00e9 referente \u00e0 letalidade policial. Jovens negros s\u00e3o assassinados no Brasil em n\u00fameros inaceit\u00e1veis: segundo o <a href=\"https:\/\/www.frm.org.br\/conteudo\/mobilizacao-social\/noticia\/numero-de-homicidios-de-jovens-negros-e-tres-vezes-maior-do-que\">IBGE<\/a>, a taxa de homic\u00eddio entre homens negros \u00e9 tr\u00eas vezes maior do que entre homens brancos. Por\u00e9m existem outros dados que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o conhecidos e publicizados, exemplo disso s\u00e3o os dados dessa diferen\u00e7a no campo educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Fabiana Oliveira realizou uma pesquisa com estudos de campo em creches, na qual observou tratamentos diferenciados com crian\u00e7as brancas e negras por parte de educadoras.&nbsp; A pesquisadora relata que as travessuras sempre estavam associadas \u00e0s crian\u00e7as negras, que eram sempre as \u201cvil\u00e3s\u201d da hist\u00f3ria e em toda sala havia sempre um menino que era chamado de \u201cfurac\u00e3o\u201d, lido como agitado, algu\u00e9m que sempre batia nos colegas, que nunca ficava quieto. Esse \u201cfurac\u00e3o\u201d era sempre negro. Oliveira observa que esses meninos faziam o mesmo que outras crian\u00e7as brancas (derrubar comida no ch\u00e3o, empurrar cadeiras, brigar com outras crian\u00e7as), por\u00e9m, enquanto estas \u00faltimas eram orientadas de maneira branda e atenciosa, os meninos negros eram rotulados e castigados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse olhar e tratamento para com os meninos negros desde a primeira inf\u00e2ncia \u00e9 extremamente violento. No limite, essas atitudes lhes retiram o direito de serem crian\u00e7as, responsabilizando-os pelas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es mesmo quando essa responsabilidade \u00e9 incompat\u00edvel com a sua idade. Isso faz com que absurdos aconte\u00e7am, como foi o caso do menino Miguel, amplamente divulgado na m\u00eddia nacional, que com apenas 5 anos de idade foi deixado sozinho no elevador pela patroa de sua m\u00e3e, o que o levou a cair de uma altura de 35 metros. E ainda tentaram o responsabilizar pela pr\u00f3pria morte por ser \u201cuma crian\u00e7a traquina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pensadora estadunidense bell hooks escreveu o livro <em>A gente \u00e9 da hora: homens<\/em><em> <\/em><em>negros<\/em><em> e masculinidade, <\/em>no qual nos convida a \u201cromper com a masculinidade negra patriarcal sufocante e amea\u00e7adora imposta aos homens negros e criar vis\u00f5es f\u00e9rteis para uma masculinidade negra reconstru\u00edda que pode dar aos homens negros formas para salvar suas vidas e as vidas de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s de luta\u201d. Voc\u00ea aceitaria o convite?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias citadas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>HOOKS, bell. <strong>A gente \u00e9 da hora: <\/strong>homens negros e masculinidade. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Fabiana.<strong> Um estudo sobre a creche: <\/strong>o que as pr\u00e1ticas educativas produzem e revelam sobre a quest\u00e3o racial. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o. Universidade Federal de S\u00e3o Carlos. S\u00e3o Carlos, 2004. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/repositorio.ufscar.br\/handle\/ufscar\/2555\"> <\/a><a href=\"https:\/\/repositorio.ufscar.br\/handle\/ufscar\/2555\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/repositorio.ufscar.br\/handle\/ufscar\/2555<\/a>. Acesso em: 13 fev. 2024.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[15],"edicao":[60],"class_list":["post-3591","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-opiniao","edicao-edicao-5"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3591"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3593,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3591\/revisions\/3593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3591"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}