{"id":3220,"date":"2023-09-14T15:56:43","date_gmt":"2023-09-14T18:56:43","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3220"},"modified":"2023-09-18T14:05:41","modified_gmt":"2023-09-18T17:05:41","slug":"o-rock-e-seu-papel-revolucionario","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/o-rock-e-seu-papel-revolucionario\/","title":{"rendered":"O rock e seu papel revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Murilo Viana Vale e Bianca Ruggeri<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de m\u00fasica do Vera Integral aprofunda o conhecimento em diversos g\u00eaneros musicais e favorece a experi\u00eancia com alguns instrumentos, como viol\u00e3o, teclado e percuss\u00e3o. No ano de 2023, o rock foi o g\u00eanero musical escolhido para o trabalho com o grupo de crian\u00e7as de 6 a 8 anos. No percurso, foi poss\u00edvel construir um caminho de muitas reflex\u00f5es e aprendizagens para al\u00e9m da m\u00fasica em si.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio, as crian\u00e7as mergulharam em um universo de sons desconhecidos e hist\u00f3rias. O rock, um g\u00eanero musical universalmente amado, guardava muito mais do que acordes e batidas. Introduzimos uma rica tape\u00e7aria musical, desde suas origens at\u00e9 os dias de hoje. De Chuck Berry a Sister Rosetta Tharpe, cada artista revelou um cap\u00edtulo vital na hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro encontro com as crian\u00e7as oportunizou a express\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es e curiosidades:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Ei, isso \u00e9 rock!&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Esse som deixa o meu p\u00e9 dan\u00e7ando!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Eu conhe\u00e7o essa m\u00fasica!&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Apreciar o solo de guitarra feito pelo professor Murilo e explorar os instrumentos como a guitarra e o baixo foram situa\u00e7\u00f5es de muita contempla\u00e7\u00e3o e euforia. Ao nomear Chuck Berry como um dos m\u00fasicos protagonistas desse g\u00eanero, a professora Bianca mostrou uma fotografia e se deparou com falas do tipo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Nossa, ele \u00e9 feio!&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 O Chuck \u00e9 negro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Sim<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Igual o Vinicius J\u00fanior!&nbsp; Fizeram racismo com um jogador de futebol e eu acho que est\u00e3o fazendo com o mestre do rock. Porque as pessoas que estavam aqui, que chamaram ele de feio, fizeram isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O impacto inaugural da imagem do artista fez surgir o aprofundamento sobre o assunto. Em vez do discurso imediato que muitas vezes impede o acolhimento dos pensamentos genu\u00ednos das crian\u00e7as, Murilo e Bianca consideraram importante estudar a rela\u00e7\u00e3o entre o rock e as quest\u00f5es raciais, e assim destacar a potencialidade da dimens\u00e3o est\u00e9tica da m\u00fasica na transforma\u00e7\u00e3o do olhar das crian\u00e7as.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O rock \u00e9 mais do que apenas um g\u00eanero musical, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural que transcende fronteiras e \u00e9pocas. A sua hist\u00f3ria \u00e9 rica e complexa, repleta de conex\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m das melodias e batidas. Uma parte essencial reside nas rela\u00e7\u00f5es raciais e nos artistas que desafiaram as normas sociais e raciais de suas \u00e9pocas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A conversa favoreceu a articula\u00e7\u00e3o com alguns conhecimentos que v\u00eam sendo constru\u00eddos por essas crian\u00e7as no Vera. Nelson Mandela foi lembrado de imediato como uma pessoa fundamental na luta contra o racismo. Essa liga\u00e7\u00e3o p\u00f4de ser aprofundada pelo professor Murilo ao relacionar o contexto da \u00c1frica do Sul com o dos EUA, onde a segrega\u00e7\u00e3o de brancos e negros tamb\u00e9m existia. Ao se deparar com a informa\u00e7\u00e3o de que os banheiros e outros espa\u00e7os p\u00fablicos tinham que seguir essa separa\u00e7\u00e3o, uma crian\u00e7a comentou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Ent\u00e3o, Murilo, se isso acontecesse aqui hoje, a gente n\u00e3o poderia ter aula com voc\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Rela\u00e7\u00f5es entre passado e presente geraram problematiza\u00e7\u00f5es. E quanto desse passado ainda hoje \u00e9 velado, mas que pode ganhar cada vez mais visibilidade com a forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as? O \u201csom que deixa o p\u00e9 dan\u00e7ando\u201d, como disse uma crian\u00e7a desse grupo, foi o que tamb\u00e9m ajudou o rock a quebrar barreiras. A anima\u00e7\u00e3o das guitarras distorcidas e dos ritmos empolgantes convocava todos os corpos a se movimentar. Brancos e negros dan\u00e7avam ao som de suas intensas vibra\u00e7\u00f5es. Assim, o rock foi se popularizando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O caderno de m\u00fasica ganhou novas nota\u00e7\u00f5es a fim de marcar os artistas que desafiaram as normas sociais e raciais de suas \u00e9pocas. Entre esses pioneiros, destaca-se a figura ic\u00f4nica de Sister Rosetta Tharpe, cuja influ\u00eancia e contribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para entender a evolu\u00e7\u00e3o do rock e suas rela\u00e7\u00f5es raciais. Quando as crian\u00e7as a conheceram, aquele estranhamento ocorrido com a imagem de Chuck Berry n\u00e3o se repetiu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento da hist\u00f3ria e a aprecia\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero musical, somado \u00e0 \u00eanfase dada \u00e0s crian\u00e7as sobre a habilidade dessa mulher negra, a primeira a tocar guitarra el\u00e9trica, deslocou a percep\u00e7\u00e3o de que havia diferen\u00e7as entre Sister Rosetta Tharpe e Chuck Berry no tipo de rock produzido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A aprecia\u00e7\u00e3o de cada m\u00fasica e a an\u00e1lise de uma linha do tempo constru\u00edda no caderno de cada crian\u00e7a oportunizaram a observa\u00e7\u00e3o de que, em cada \u00e9poca, o som ganhava uma nova identidade. Ora a m\u00fasica era mais r\u00e1pida, ora mais lenta, mesmo em se tratando de um mesmo g\u00eanero musical, Murilo aprofundou com o grupo o andamento da m\u00fasica: quanto mais pulso, menos tempo. A m\u00fasica \u00e9 mais r\u00e1pida.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Ela come\u00e7ou a cantar rock em muitos lugares, at\u00e9 no trem!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Ela \u00e9 a rainha do rock!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Nos Estados Unidos, porque o rock nasceu l\u00e1.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa aprendizagem de diferentes redes de pulsos, o rock ganhou novas perspectivas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image-1.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"423\" height=\"406\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image-1.png\" alt=\"Pessoas com instrumentos musicais\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\" class=\"wp-image-3223\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:cover\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image-1.png 423w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image-1-300x288.png 300w\" sizes=\"(max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image.png\"><img decoding=\"async\" width=\"418\" height=\"472\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image.png\" alt=\"Menino com viol\u00e3o\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\" class=\"wp-image-3222\" style=\"aspect-ratio:1;object-fit:cover\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image.png 418w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/image-266x300.png 266w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Compara\u00e7\u00e3o dos instrumentos&nbsp; <br>Explora\u00e7\u00e3o da guitarra&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A reflex\u00e3o do professor de M\u00fasica sobre esse encontro com as crian\u00e7as<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>\u201cO rock \u00e9 mais do que apenas um g\u00eanero musical: \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural que transcende fronteiras e \u00e9pocas. Uma parte essencial dessa hist\u00f3ria reside nas rela\u00e7\u00f5es raciais e nos artistas que desafiaram as normas de suas \u00e9pocas. Entre esses pioneiros, destaca-se a figura ic\u00f4nica de <\/em><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/2dXf5lu5iilcaTQJZodce7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Sister Rosetta Tharpe<\/em><\/a><em>, cuja influ\u00eancia e contribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para entender a evolu\u00e7\u00e3o do rock e suas rela\u00e7\u00f5es raciais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Conhecer e apreciar a hist\u00f3ria do rock \u00e9 mais do que um exerc\u00edcio de nostalgia, \u00e9 uma jornada que nos permite compreender a sociedade, as lutas e as mudan\u00e7as que ocorreram ao longo das d\u00e9cadas. O rock nasceu em uma \u00e9poca de segrega\u00e7\u00e3o racial e desigualdade, e muitos artistas negros enfrentaram barreiras para alcan\u00e7ar o reconhecimento que mereciam. Sister Rosetta Tharpe ajudou a pavimentar o caminho para m\u00fasicos de todas as origens.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ela n\u00e3o apenas trouxe sua habilidade excepcional para a m\u00fasica, mas tamb\u00e9m desafiou as no\u00e7\u00f5es preconceituosas sobre o que era poss\u00edvel para uma mulher negra. Sua m\u00fasica misturava gospel, blues e elementos do que viria a ser o rock&#8217;n&#8217;roll, influenciando artistas posteriores e contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o do g\u00eanero. Por meio de suas apresenta\u00e7\u00f5es eletrizantes e de sua energia contagiante, ela rompeu as barreiras raciais, se apresentando para p\u00fablicos diversos em um momento em que a segrega\u00e7\u00e3o era a norma.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A hist\u00f3ria do rock \u00e9 entrela\u00e7ada com as lutas e as vit\u00f3rias da comunidade negra. Artistas como Chuck Berry, Little Richard, Jimi Hendrix e muitos outros n\u00e3o apenas moldaram o som do rock, mas tamb\u00e9m enfrentaram desafios e obst\u00e1culos por causa de sua identidade racial. Reconhecer essas hist\u00f3rias \u00e9 fundamental para compreender como a m\u00fasica pode ser um ve\u00edculo de express\u00e3o, resist\u00eancia e mudan\u00e7a social.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Apreciar a hist\u00f3ria do rock e suas rela\u00e7\u00f5es raciais \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade de celebrar a diversidade que enriquece o g\u00eanero. A m\u00fasica sempre foi uma linguagem universal capaz de unir pessoas de diferentes origens, e o rock \u00e9 um exemplo claro disso. Ao aprender sobre artistas como Sister Rosetta Tharpe e seus contempor\u00e2neos, somos lembrados de que a m\u00fasica \u00e9 uma for\u00e7a poderosa que pode transcender divis\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Essa turma aprendeu n\u00e3o apenas a apreciar as m\u00fasicas, mas tamb\u00e9m a entender o contexto social em que elas foram criadas. Exploraram as influ\u00eancias culturais e raciais que deram forma ao rock, enfrentando quest\u00f5es delicadas, como a segrega\u00e7\u00e3o e o preconceito racial. Descobriram como artistas negros como Little Richard e Jimi Hendrix desafiaram barreiras e estabeleceram as bases para a diversidade que o rock abra\u00e7a atualmente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c0 medida que as semanas avan\u00e7avam, as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 estudavam, mas tamb\u00e9m mergulhavam ativamente na experi\u00eancia. Desde registros no caderno de m\u00fasica at\u00e9 a pr\u00e1tica com instrumentos musicais, elas compartilhavam suas descobertas e paix\u00f5es, enriquecendo a experi\u00eancia de aprendizado. Al\u00e9m de apreciar o repert\u00f3rio, tinham um novo entendimento da import\u00e2ncia de ouvir as vozes silenciadas e de reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o de todos, independentemente de sua origem.<\/em><em> <\/em><em>Ao fechar esse cap\u00edtulo, cada crian\u00e7a carrega consigo a melodia cont\u00ednua do desejo por igualdade, da diversidade e da import\u00e2ncia de se conectar com o passado para construir outras refer\u00eancias civilizat\u00f3rias.\u201d&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[53,17],"edicao":[46],"class_list":["post-3220","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-integral","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-4"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3220"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3350,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3220\/revisions\/3350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3220"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}