{"id":3202,"date":"2023-09-14T14:26:02","date_gmt":"2023-09-14T17:26:02","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3202"},"modified":"2023-09-18T10:02:47","modified_gmt":"2023-09-18T13:02:47","slug":"quando-me-descobri-negra-livro-abre-espaco-para-discutir-o-racismo-no-cotidiano","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/quando-me-descobri-negra-livro-abre-espaco-para-discutir-o-racismo-no-cotidiano\/","title":{"rendered":"\u201cQuando me descobri negra\u201d: livro abre espa\u00e7o para discutir o racismo no cotidiano"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Maria Laura Saraiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em sua obra mais conhecida, a&nbsp; jornalista Bianca Santana fala por muitos jovens brasileiros: \u201cTenho 30 anos, mas sou negra h\u00e1 apenas dez. Antes, era morena\u201d. Lan\u00e7ado em 2016, \u201cQuando me descobri negra\u201d narra as mem\u00f3rias da autora sobre o processo de descoberta da pr\u00f3pria ancestralidade e da constru\u00e7\u00e3o da sua identidade racial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu era morena para as professoras do col\u00e9gio cat\u00f3lico, para os coleguinhas \u2013 que talvez n\u00e3o tomassem tanto sol \u2013 e para toda a fam\u00edlia, que nunca gostou do assunto. Mas a v\u00f3 n\u00e3o \u00e9 descendente de escravos?\u201d, eu insistia em perguntar. \u201cE de \u00edndio e portugu\u00eas tamb\u00e9m\u201d, era o m\u00e1ximo que respondiam. Eu at\u00e9 achava bonito ser t\u00e3o brasileira. Talvez por isso aceitasse o fim da conversa\u201d, continua a escritora no in\u00edcio do livro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da narrativa, Bianca traz \u00e0 tona situa\u00e7\u00f5es de preconceito e racismo que a marcaram desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 a vida adulta, como a falta de liberdade com o cabelo, por exemplo, que deveria permanecer sempre preso. Ou ainda quando foi confundida com uma prostituta em um hotel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A obra \u00e9 dividida em tr\u00eas partes: a primeira com situa\u00e7\u00f5es ver\u00eddicas vividas pela autora; a segunda com fatos que ela ouviu ou presenciou; e a terceira com fic\u00e7\u00f5es. No ano de seu lan\u00e7amento, o livro tamb\u00e9m recebeu o Pr\u00eamio Jabuti na categoria de melhor ilustra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2020, \u201cQuando me descobri negra\u201d \u00e9 uma das obras que integram o curr\u00edculo do Vera Cruz entre as turmas de oitavo ano. A escolha levou em considera\u00e7\u00e3o a reflex\u00e3o social proposta pelo texto e a constru\u00e7\u00e3o da linguagem liter\u00e1ria, apontada como impactante e capaz de mobilizar a aten\u00e7\u00e3o dos alunos. O fato de se tratar de uma autora jovem e ativista tamb\u00e9m colaborou para que o livro se destacasse na escola.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma obra concisa, forte e escrita para adolescentes, embora tamb\u00e9m indicada para os familiares que desejam estabelecer um di\u00e1logo sobre o tema em casa\u201d, diz Alessandra Vaz, professora da biblioteca. Conforme explica Aline Borrely Ata\u00edde, professora de l\u00edngua portuguesa do Vera Cruz, esses momentos eram mediados para que os alunos pudessem refletir sobre os relatos e as hist\u00f3rias expostos pela autora. Paralelamente, conceitos como o branqueamento e o racismo velado eram introduzidos para que o texto ganhasse novos desdobramentos sob o olhar dos alunos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA obra teve muita for\u00e7a entre os jovens, mesmo entre aqueles que n\u00e3o tinham tanta afinidade com o h\u00e1bito da leitura. O relato pessoal feito pela Bianca, que tamb\u00e9m postava alguns desses textos no seu blog, foi algo que despertou a aten\u00e7\u00e3o das turmas. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m existia uma rea\u00e7\u00e3o de surpresa sobre o conte\u00fado daquelas cr\u00f4nicas e a intensidade do racismo retratado\u201d, lembra Aline.<strong> <\/strong>Atualmente, a obra integra a lista de leitura aut\u00f4noma proposta pela escola.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O impacto na sala de aula<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Assim como o livro de Bianca, outras obras que trazem o olhar de diferentes culturas e etnias sobre o mundo v\u00eam reverberando entre os alunos. De acordo com Alessandra, \u00e9 not\u00e1vel o avan\u00e7o das turmas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 bagagem de conhecimentos e refer\u00eancias sobre a cultura negra. \u201cA leitura ajuda a expandir o pensamento dos estudantes, j\u00e1 que o contato liter\u00e1rio com a diversidade tamb\u00e9m agrega nos saberes lingu\u00edsticos e sociais\u201d, refor\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao utilizar a literatura para retratar a realidade vivenciada por negros \u2013 em especial, mulheres negras \u2013, a autora estimula o di\u00e1logo sobre as faces e formas do racismo que persistem nos dias atuais. \u201cA linguagem din\u00e2mica da autora torna mais acess\u00edvel conte\u00fados que s\u00e3o muito delicados. E os traz na voz de uma mulher negra ativista\u201d, ressalta Aline.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os estudantes brancos, Alessandra avalia que a narrativa contribui para que eles se apropriem de como o racismo se manifesta em diferentes situa\u00e7\u00f5es \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o, muitos s\u00f3 tinham conhecimento da TV. Nesse contexto, o relato pessoal da autora ajuda a aproximar esse grupo das experi\u00eancias e sentimentos que fogem do seu cotidiano, fortalecendo o entendimento sobre a causa antirracista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 entre os alunos negros, a obra ganha ainda mais pot\u00eancia. Para a professora, uma das maiores li\u00e7\u00f5es do livro \u00e9 o incentivo para que meninos e meninas negras n\u00e3o silenciem a pr\u00f3pria voz diante de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<strong> <\/strong>\u201cEssa valoriza\u00e7\u00e3o da ancestralidade \u00e9 ainda mais importante para quem ocupa locais majoritariamente brancos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Aline destaca que a jornada de reconhecimento da pr\u00f3pria ra\u00e7a, principalmente em negros de pele clara, \u00e9 um processo que depende de muitos fatores \u2013 sendo a escola um deles.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[16],"edicao":[46],"class_list":["post-3202","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-reportagem","edicao-edicao-4"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3202"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3346,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3202\/revisions\/3346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3202"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}