{"id":3127,"date":"2023-09-06T14:57:42","date_gmt":"2023-09-06T17:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=3127"},"modified":"2023-09-29T08:22:08","modified_gmt":"2023-09-29T11:22:08","slug":"editorial-4","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/editorial-4\/","title":{"rendered":"Editorial"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mais que um tema, uma lei e uma luta<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A educa\u00e7\u00e3o antirracista n\u00e3o \u00e9 um tema. N\u00e3o \u00e9 um t\u00f3pico de sala de aula, nem mesmo uma disciplina. N\u00e3o \u00e9 algo a que se adere porque \u201co mercado exige\u201d, porque outras escolas agora a oferecem como um item a mais para atrair matr\u00edculas. Nada disso sequer bordeia o real significado da educa\u00e7\u00e3o antirracista.<\/p>\n\n\n\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais \u00e9 uma lei, que em 2023 faz 20 anos e determina que as escolas ensinem sobre hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira. O Vera, que se v\u00ea como parte da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013 afinal, todo ensino privado \u00e9 uma concess\u00e3o do Estado \u2013, tem a obriga\u00e7\u00e3o de respeitar essa lei. A educa\u00e7\u00e3o antirracista tamb\u00e9m \u00e9 fruto de uma luta secular. Tem n\u00edveis de complexidade que n\u00e3o se esgotam no olhar para o passado. Ao contr\u00e1rio: ao ousar chamar as coisas pelo nome, pode dar a impress\u00e3o de que o presente piorou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Hoje temos mais ocorr\u00eancias de racismo do que antes do projeto. Estamos andando para tr\u00e1s!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma falsa conclus\u00e3o. H\u00e1 mais ocorr\u00eancias porque a educa\u00e7\u00e3o visibilizou situa\u00e7\u00f5es que antes estavam silenciadas. O racismo n\u00e3o era percebido como tal. Foi preciso criar uma lente capaz de identificar as situa\u00e7\u00f5es de racismo para poder qualificar as a\u00e7\u00f5es de enfrentamento. Educa\u00e7\u00e3o antirracista \u00e9 viver em reflex\u00e3o, reconhecer privil\u00e9gios, entender a atualizade da heran\u00e7a escravocrata, perceber-se desconfort\u00e1vel e inadequado, discutir coletivamente a\u00e7\u00f5es reparat\u00f3rias, alterar condutas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em poucas palavras: educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais \u00e9 coragem para abra\u00e7ar o desassossego. A recompensa, sempre no horizonte \u00e0 espera da pr\u00f3xima a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, \u00e9 uma sociedade com menos desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Vera foi pioneiro em trazer esse desequil\u00edbrio cognitivo e atitudinal para o cora\u00e7\u00e3o de seu projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico. Dois anos e meio se passaram, e a complexidade de nosso projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista j\u00e1 deixa marcas vis\u00edveis no curr\u00edculo e no cotidiano escolar; no letramento e sensibiliza\u00e7\u00e3o da comunidade; na forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada de professores para uma educa\u00e7\u00e3o antirracista; na forma\u00e7\u00e3o permanente de profissionais da escola; na amplia\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a negra e ind\u00edgena, via programa de bolsas e pol\u00edticas afirmativas de contrata\u00e7\u00e3o de profissionais; na articula\u00e7\u00e3o com escolas e outros grupos. A revista eletr\u00f4nica que voc\u00ea l\u00ea agora \u00e9 um registro desse intrincado projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Um projeto que tem a cara do Vera, que neste ano completa seu 60<sup>o<\/sup> anivers\u00e1rio. Nossa perspectiva n\u00e3o poderia ser a assistencialista (inclui-se os diferentes e desiguais e espera-se que sejam gratos pela oportunidade). Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a inclusiva (que reconhece as diferen\u00e7as, pensa nas condi\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia mas pouco avan\u00e7a a partir da\u00ed).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como nas \u00faltimas seis d\u00e9cadas, corremos o risco permanente de enfrentar o desafio de educar em prol de um processo transformativo. Por isso estamos revendo todos os nossos processos e rela\u00e7\u00f5es. Para que os diferentes e desiguais que aqui chegaram possam ser vistos como sujeitos de conhecimentos, cultura, est\u00e9ticas e dignidade. O depoimento de Elis\u00e2ngela Evangelista da Silva, m\u00e3e da Maria Manuela, do 2<sup>o<\/sup> ano, que chegou ao Vera pelo projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracistas e que agora se despede por estar mudando de pa\u00eds, d\u00e1 uma dimens\u00e3o do desafio e das conquistas alcan\u00e7adas:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Relato de experi\u00eancia na Escola Vera Cruz | Elis\u00e2ngela Evangelista da Silva\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/852395796?h=b004d8facc&amp;dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"800\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Aprender com quem chega e com quem parte \u00e9 o que tem sido a beleza desse projeto. A bem da verdade, sempre foi. Com a educa\u00e7\u00e3o antirracista, o Vera se renova e segue sendo o que sempre foi: uma refer\u00eancia na luta para a educa\u00e7\u00e3o que ousa se repensar para transformar a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comit\u00ea da Diversidade Racial da Escola Vera Cruz<\/strong><\/p>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3099\" class=\"elementor elementor-3099\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-946e44b e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"946e44b\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[15],"edicao":[46],"class_list":["post-3127","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-opiniao","edicao-edicao-4"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3127"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3482,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/3127\/revisions\/3482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3127"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}