{"id":2713,"date":"2023-02-23T10:26:56","date_gmt":"2023-02-23T13:26:56","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=2713"},"modified":"2023-09-18T10:04:20","modified_gmt":"2023-09-18T13:04:20","slug":"as-novidades-do-3o-ano-do-projeto-de-educacao-antirracista","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/as-novidades-do-3o-ano-do-projeto-de-educacao-antirracista\/","title":{"rendered":"As novidades do 3\u00ba ano do projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Rodrigo Ratier<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O documento \u00e9 robusto \u2013 s\u00e3o 60 p\u00e1ginas \u2013 e, em muitos aspectos, impiedoso. \u00c9 um olhar no espelho que faz jus \u00e0 ep\u00edgrafe da escritora americana Robin Diangelo: \u201cQuanto menos uma comunidade falar sobre racismo, mais profundos ser\u00e3o os padr\u00f5es da branquitude.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O nome oficial \u00e9 \u201cRela\u00e7\u00f5es Raciais na Escola: um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o da comunidade do Vera\u201d, mas pode chamar de plano de a\u00e7\u00e3o 2023 do projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista. Elaborado a partir da autoavalia\u00e7\u00e3o institucional participativa, o plano parte dos desafios encontrados nas diversas dimens\u00f5es do projeto. Apontando as dificuldades, mas tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es e respons\u00e1veis, prev\u00ea desdobramento pela equipe de profissionais de cada unidade a partir das especificidades de seu segmento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO plano de a\u00e7\u00e3o faz parte de uma metodologia criada pela ONG A\u00e7\u00e3o Educativa para uma avalia\u00e7\u00e3o institucional participativa das rela\u00e7\u00f5es raciais na escola, o que temos realizado h\u00e1 2 anos no Vera, sempre de forma coletiva\u201d, afirma Regina Scarpa, diretora pedag\u00f3gica do Vera. \u201cNos reunimos presencialmente para discutir em subgrupos sobre como estamos em rela\u00e7\u00e3o aos indicadores, fazemos uma s\u00edntese para a comunidade de fam\u00edlias, educadores, funcion\u00e1rios e alunos. A partir da\u00ed, passamos a discutir o que \u00e9 preciso fazer para avan\u00e7ar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, voc\u00ea confere os principais diagn\u00f3sticos e propostas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na dimens\u00e3o <strong>curr\u00edculo e proposta pol\u00edtico-pedag\u00f3gica,<\/strong> a comunidade apontou a necessidade de avan\u00e7ar no conhecimento de leis e documentos oficiais sobre educa\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es raciais. O ano de 2023 apresenta boas possibilidades para isso: a lei 10.639, a da obrigatoriedade do ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira, completar\u00e1 20 anos, ocasi\u00e3o prop\u00edcia para um trabalho de pesquisa de alunos do EFn3 e EM. Corpos t\u00e9cnicos devem tamb\u00e9m abordar o receio de algumas fam\u00edlias de que a Escola passe a ter um curr\u00edculo afro-centrado \u2013 a divulga\u00e7\u00e3o dos projetos pol\u00edticos-pedag\u00f3gicos de cada segmento deve demonstrar que esse n\u00e3o \u00e9 o caso.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O relato sobre situa\u00e7\u00f5es pontuais de discrimina\u00e7\u00e3o racial em sala de aula deu lugar a um importante debate. \u201cUm projeto para as rela\u00e7\u00f5es raciais n\u00e3o evita situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o racial; ao contr\u00e1rio, oferece in\u00fameras oportunidades para que se problematize e se reflita com as fam\u00edlias sobre esses epis\u00f3dios j\u00e1 presentes nas rela\u00e7\u00f5es entre as crian\u00e7as pequenas (mas n\u00e3o s\u00f3), evitando a perspectiva moralizante, aprofundando o letramento racial de todos os envolvidos e tendo disponibilidade e abertura para as rela\u00e7\u00f5es inter-raciais\u201d, diz o documento, que tamb\u00e9m aponta a possibilidade de ampliar a oferta de bolsas para crian\u00e7as negras e ind\u00edgenas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na dimens\u00e3o <strong>recursos did\u00e1tico-pedag\u00f3gicos<\/strong>, a conclus\u00e3o foi de que, apesar dos avan\u00e7os, ainda \u00e9 preciso trabalhar por mais diversidade racial e de g\u00eanero nos materiais. O plano de 2023 prev\u00ea or\u00e7amento adequado para a aquisi\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de recursos com maior diversidade. Outra necessidade, a de incluir Pensadores e conhecimentos de outros povos n\u00e3o europeus precisam ser inclu\u00eddos no curr\u00edculo em todas as \u00e1reas \u2013 n\u00e3o apenas em Ci\u00eancias Humanas e Artes \u2013, pede \u201cuma perspectiva \u00e9tica e investigativa em rela\u00e7\u00e3o aos recursos e materiais utilizados, problematizando os tamb\u00e9m com os alunos, no sentido de n\u00e3o reproduzir escolhas curriculares que contribuam com o racismo estrutural e a perspectiva euroc\u00eantrica, que desconsidera a diversidade humana\u201d, conforme o documento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Outra dimens\u00e3o trabalhada foi <strong>acesso, perman\u00eancia e sucesso na escola<\/strong>. A comunidade discutiu a necessidade de pensar o estudante por inteiro diante de avan\u00e7os que precisam ser contemplados: acesso dos bolsistas ao Vera Integral, dificuldade em perceber pessoas negras e ind\u00edgenas como construtoras de saberes para al\u00e9m das quest\u00f5es raciais, baixa participa\u00e7\u00e3o de familiares e de alunos como os do Ensino M\u00e9dio, no projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista. As propostas de a\u00e7\u00e3o v\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o dos encontros para a constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade mais participativa \u00e0 busca por mais doa\u00e7\u00f5es para subsidiar o integral dos bolsistas e para os alunos bolsistas, al\u00e9m de parcerias com outros coletivos do Vera.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O debate sobre a <strong>atua\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o<\/strong> p\u00f4s em relevo a consci\u00eancia da pr\u00f3pria identidade \u00e9tnico-racial e os problemas da branquitude. Diante de situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o racial \u2013 inevit\u00e1veis em uma sociedade em que o racismo se encontra enraizado \u2013, o documento fala em \u201cdisposi\u00e7\u00e3o das pessoas brancas para reflex\u00e3o sobre poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o que venham a cometer, sem vitimiza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201caprender a problematizar de maneira n\u00e3o violenta as situa\u00e7\u00f5es cotidianas de discrimina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O envolvimento com as fam\u00edlias surgiu como ponto de destaque tamb\u00e9m na dimens\u00e3o <strong>gest\u00e3o democr\u00e1tica<\/strong>. O grupo entende que a diversidade no tipo e na disponibilidade de participa\u00e7\u00e3o \u00e9 esperado, mas que \u00e9 poss\u00edvel pensar em a\u00e7\u00f5es para ampliar o engajamento. Entre elas: propor oficinas e encontros mais frequentes sobre a pauta antirracista e outros temas de interesse (cultura digital, quest\u00f5es de g\u00eanero e sexualidade, por exemplo), e pensar especialmente nos jovens, criando caminhos para que sua participa\u00e7\u00e3o e de suas fam\u00edlias seja maior no projeto.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Por fim, na dimens\u00e3o <strong>para al\u00e9m da escola<\/strong>, a discuss\u00e3o girou em torno sobre as ainda poucas rela\u00e7\u00f5es com a comunidade do entorno. T\u00e3o importante quanto a amplia\u00e7\u00e3o desses contatos \u00e9 a forma de faz\u00ea-los. Diz o documento: \u201c[\u00c9 preciso] estabelecer di\u00e1logos com territ\u00f3rios de uma perspectiva n\u00e3o colonizadora, pensando em a\u00e7\u00f5es criativas com as comunidades e n\u00e3o para as comunidades, desconstruindo a ideia de territ\u00f3rios como guetos, a escola como centro, e enxergando a trama do tecido social de outra forma.\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 desafios em todas as dimensoes: atitudes e relacinamentos, como a escola pode se fortalecer para lidar com situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o racial, inj\u00faria ou racismo recreativo, em rela\u00e7\u00e3o ao curriculo decolonial, sobre como aumentar o envolvimento e a participa\u00e7\u00e3o das familias, quanto \u00e0 necessidade de estabelecer parcerias com a presen\u00e7a negra no territ\u00f3rio, ampliando nossa rela\u00e7\u00e3o com movimentos negros e indigenas em dire\u00e7\u00e3o ao um curr\u00edculo mais pluricultural, quanto material did\u00e1tico, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o democr\u00e1tica, na amplia\u00e7\u00e3o do quadro de docentes e gestores negros, o que j\u00e1 vem acontecendo\u201d, enumera Regina. \u201cMas \u00e9 muito positivo que os desafios estejam mapeados, com a\u00e7\u00f5es co-responsibilizadas por todos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3ximos passos incluem um encontro com as autoras da metodologia, no dia 23 de fevereiro, e um monitoramento constante das propostas. \u201cTeremos uma nova rodada de autoavalia\u00e7\u00e3o institucional participativa daqui a dois anos para ver o quanto avan\u00e7amos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sugest\u00f5es contidas no plano de a\u00e7\u00e3o. Todos s\u00e3o convidados a participar: familiares, docentes, funcion\u00e1rios e alunos\u201d, finaliza Regina.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[16],"edicao":[38],"class_list":["post-2713","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-reportagem","edicao-edicao-3"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2713"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2896,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2713\/revisions\/2896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2713"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=2713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}