{"id":2694,"date":"2023-02-23T09:47:30","date_gmt":"2023-02-23T12:47:30","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=2694"},"modified":"2023-09-18T14:09:28","modified_gmt":"2023-09-18T17:09:28","slug":"ao-olhar-para-o-outro-a-turma-enxergou-o-proprio-preconceito","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/ao-olhar-para-o-outro-a-turma-enxergou-o-proprio-preconceito\/","title":{"rendered":"Ao olhar para o outro, a turma enxergou o pr\u00f3prio preconceito"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Gabriela Del Carmen<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo aqui no Vera temos um ensino antirracista, achei que os alunos \u2014 inclusive eu \u2014 n\u00e3o tinham estere\u00f3tipos t\u00e3o enraizados. Mas percebi o quanto o preconceito est\u00e1 arraigado\u201d, recorda D\u00e1lia Fuentes Muniz, aluna do 7\u00ba ano da Escola Vera Cruz. Essas reflex\u00f5es surgiram durante a atividade \u2018Narrativas Sobre o Outro\u2019, proposta pelos professores Vinicius Tubino e Clara Rimkus Devus.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto dos estudos do 3\u00ba trimestre, que abordam quest\u00f5es sobre o continente africano, o projeto busca repensar um r\u00f3tulo que, muitas vezes, projetamos nos outros. Inspirada numa interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica feita com os estudantes do G5, no Verinha, a atividade prop\u00f5e um diagn\u00f3stico do que os alunos conheciam sobre a \u00c1frica, trabalhando suas percep\u00e7\u00f5es sobre diferentes povos e etnias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPerguntei o que eles sabiam e o que supunham sobre a regi\u00e3o\u201d, conta Vinicius. As respostas, em sua maioria, carregavam generaliza\u00e7\u00f5es sobre o continente. \u201cUm lugar pobre, seco, com um grande rio e muitos animais de saf\u00e1ri, como girafas, elefantes e zebras. Tudo bem b\u00e1sico.\u201d Outros pontos como \u201cdoen\u00e7as t\u00edpicas\u201d, \u201cproblemas de fome e riqueza\u201d e \u201cdiferentes culturas\u201d tamb\u00e9m apareceram nas discuss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/n_vKwSyEiYDGfvTOkqD6xMIIIzm5HSLJwnrTVCYqNrUmjjZE6oazsk0DOYA-99QAFCSxpFoS8FQZDgryyjTYtxQ52wxxAvaMzppJzp4LdK7wQWZLim78U2jrqQ-TcfphAjoCu2Kqqk6g0KbG9SihmAQ\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/n_vKwSyEiYDGfvTOkqD6xMIIIzm5HSLJwnrTVCYqNrUmjjZE6oazsk0DOYA-99QAFCSxpFoS8FQZDgryyjTYtxQ52wxxAvaMzppJzp4LdK7wQWZLim78U2jrqQ-TcfphAjoCu2Kqqk6g0KbG9SihmAQ\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o da lousa durante as discuss\u00f5es sobre o que sabiam e supunham sobre o continente africano.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A atividade abriu espa\u00e7o para conversas acerca da import\u00e2ncia hist\u00f3rica do continente para a forma\u00e7\u00e3o de diferentes povos e, tamb\u00e9m, sobre a riqueza cultural que caracteriza a regi\u00e3o. Depois de avaliar o repert\u00f3rio inicial de cada classe, os professores propuseram uma nova atividade, na qual os alunos escreveram um perfil de como acreditavam ser a vida de um personagem com determinado recorte racial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desconstruindo o preconceito<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Ao todo eram dez fotos de adolescentes \u2014 cinco meninos e cinco meninas \u2014 brancos, ind\u00edgenas, asi\u00e1ticos, pretos de pele retinta e pretos de pele clara. A sala foi dividida em grupos e cada um teve a miss\u00e3o de escrever a hist\u00f3ria de um personagem, a partir da interpreta\u00e7\u00e3o de sua foto. Nesse perfil, eles deveriam explicar o que esses jovens faziam, como era sua fam\u00edlia, o que acontecia em sua vida e quais eram os seus medos, sonhos e desafios. Na aula seguinte, os alunos se juntaram para analisar as narrativas e apresentar suas descobertas para o restante da classe.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><a href=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/iv11VBBQZwQQ0ZmdcKjtdMhbK3_AeRbeeRJjOjlQmIsI0B4meTmKaYu3wIEs-_k-v-Vnm5xtr7bh8KaGNyT_tmSR7qoRVGH8twNbBfwIQcedcStrkdVzKzDBIEC7n4XwxuRgt5SjMX1_2eihmtsXcA\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/iv11VBBQZwQQ0ZmdcKjtdMhbK3_AeRbeeRJjOjlQmIsI0B4meTmKaYu3wIEs-_k-v-Vnm5xtr7bh8KaGNyT_tmSR7qoRVGH8twNbBfwIQcedcStrkdVzKzDBIEC7n4XwxuRgt5SjMX1_2eihmtsXcA\" alt=\"\" style=\"width:839px;height:658px\" width=\"839\" height=\"658\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Uma das ilustra\u00e7\u00f5es apresentadas em classe mostrava um adolescente de pele preta, sem camisa, com o mar ao fundo.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cPor que nas hist\u00f3rias as pessoas ind\u00edgenas s\u00e3o pobres, n\u00e3o t\u00eam sobrenome e t\u00eam uma vida muito dif\u00edcil? Por que o branco \u00e9 um menino mimado, rico, que joga videogame e n\u00e3o se preocupa com dinheiro? Por que o menino negro que est\u00e1 na praia \u00e9 pobre e mora na favela, e n\u00e3o um turista ou algu\u00e9m que tem uma casa a beira mar?\u201d, questionou Vinicius. Para ele, foi importante que os professores participassem das discuss\u00f5es, despertando a consci\u00eancia de como as narrativas traziam consigo vis\u00f5es estereotipadas de cada grupo social.<\/p>\n\n\n\n<p>Com algumas exce\u00e7\u00f5es, como grupos que descreveram o menino negro como filho do Rei Pel\u00e9, a maioria dos perfis de pessoas n\u00e3o brancas apresentaram hist\u00f3rias sofridas com aus\u00eancia dos pais e dificuldades financeiras. \u201cEnquanto os alunos faziam as apresenta\u00e7\u00f5es, n\u00f3s question\u00e1vamos o que isso dizia acerca do nosso olhar sobre o outro\u201d, explica o educador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o pensei que ter\u00edamos esses resultados\u201d, conta D\u00e1lia. \u201cPercebi que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em situa\u00e7\u00f5es extremas que h\u00e1 preconceito; ele est\u00e1 muito mais fundo em nossa mente porque vem de muito tempo atr\u00e1s, de gera\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos e culturas. Foi bom perceber isso, porque conseguimos rever nossos conceitos\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a estudante, a maioria dos alunos tamb\u00e9m se surpreendeu com os resultados. \u201cNas discuss\u00f5es coletivas muita gente ficou na defensiva, argumentando que n\u00e3o tinha pensamentos racistas e tentando se explicar. Mas no final todo mundo gostou, percebeu que a proposta era justamente que entend\u00eassemos nosso pensamento. Al\u00e9m disso, muitas pessoas gostaram por ser uma atividade criativa, criar uma hist\u00f3ria, diferente do que fazemos normalmente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ant\u00f4nia Le\u00f3n, tamb\u00e9m do 7\u00ba ano, o interessante foi que a atividade se conectava com outros trabalhos sobre democracia e racismo. A classe mergulhou ainda mais fundo no conceito de estere\u00f3tipo ap\u00f3s assistir \u00e0 palestra \u201cO perigo de uma hist\u00f3ria \u00fanica\u201d, da premiada escritora nigeriana Chimamanda Adichie. E tamb\u00e9m aprofundou conhecimentos com aulas sobre a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, a economia do cacau, a democracia no Sud\u00e3o do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma experi\u00eancia bem legal, que se ligou com o que vimos sobre a \u00c1frica. Estudamos v\u00e1rias sociedades africanas antigas e como o continente \u00e9 uma pot\u00eancia econ\u00f4mica. A regi\u00e3o \u00e9 muito mais do que a pobreza que t\u00ednhamos em mente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto tamb\u00e9m permitiu que os estudantes se conhecessem melhor. \u201cMe chamou aten\u00e7\u00e3o que nas hist\u00f3rias os personagens sempre atingiam o sucesso, mesmo aqueles que tinham muitas dificuldades. Isso mostra que a gente quer o sucesso, \u00e9 algo que a gente precisa\u201d, diz Ant\u00f4nia. O professor Vinicius concorda: \u201cFoi uma atividade de olhar muito para si mesmo, refletindo sobre quem eu sou e o que olho no outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinicius descreve a atividade como muito potente. \u201cA sala ficou impactada e se incomodou ao perceber os preconceitos. Os alunos viram que carregavam muito mais estere\u00f3tipos do que imaginavam\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[51,17],"edicao":[38],"class_list":["post-2694","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-6o-ao-9o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-3"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2694"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3382,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2694\/revisions\/3382"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2694"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=2694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}