{"id":2637,"date":"2023-02-17T16:11:31","date_gmt":"2023-02-17T19:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=2637"},"modified":"2023-09-18T14:11:08","modified_gmt":"2023-09-18T17:11:08","slug":"do-semba-ao-samba-uma-descoberta-sobre-as-raizes-do-carnaval","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/do-semba-ao-samba-uma-descoberta-sobre-as-raizes-do-carnaval\/","title":{"rendered":"Do \u2018semba\u2019 ao samba: uma descoberta sobre as ra\u00edzes do Carnaval"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Maria Laura Saraiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cTraz a pureza de um samba<br>Sentido, marcado de m\u00e1goas de amor<br>Um samba que mexe o corpo da gente\u201d<br><\/em><strong>&#8211; Dona Ivone Lara, <\/strong><em><strong>\u201cSonho Meu\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s dois anos em isolamento social, as lembran\u00e7as dos festejos de Carnaval pareciam ter ficado distantes na mem\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A turma do segundo ano, por exemplo, mal podia esperar pela retomada dos blocos e bailes organizados na pr\u00f3pria escola. Afinal, com seus sete e oito anos de idade, eles haviam passado quase um ter\u00e7o da vida sem vivenciar a festa que marca o feriado mais popular do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente por isso, a retomada dos festejos pedia uma discuss\u00e3o ainda mais aprofundada sobre alguns elementos que comp\u00f5em a cultura carnavalesca, como \u00e9 o caso do samba.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Carnaval sempre \u00e9 um pretexto para o aprendizado da cultura brasileira e das constru\u00e7\u00f5es humanas. A celebra\u00e7\u00e3o em grupo tamb\u00e9m aumenta o sentimento de pertencimento deles a uma comunidade que ri e se diverte junto\u201d, explica a orientadora Juliana Parreira, que destaca a import\u00e2ncia da data no curr\u00edculo do Vera Cruz.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><strong>Uma quest\u00e3o ancestral<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>As professoras Flavia Rizzo e Sheila Perina explicam que o interesse pelo ritmo musical partiu da leitura do conto \u201cMariana\u201d, de Ana Paula de Abreu. Na hist\u00f3ria, a menina conta que <em>ouvir samba \u00e9 uma das coisas que a faz feliz<\/em>. A partir da\u00ed, a turma foi convidada a refletir sobre a import\u00e2ncia dessa manifesta\u00e7\u00e3o cultural para os brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo do estudo foi investigar a etimologia da palavra \u201csamba\u201d, que tem origem no termo \u201csemba\u201d, que em kimbundu &#8211; l\u00edngua falada em Luanda, capital de Angola &#8211; quer dizer \u201cumbigada\u201d. A palavra tamb\u00e9m se refere a um ritmo musical popular no pa\u00eds africano, que possivelmente inspirou o samba como conhecemos hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O assunto despertou a curiosidade da turma, que, instigada pelas professoras, passou a realizar pesquisas &#8211; em sala de aula e em casa &#8211; sobre as diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre o semba e o samba.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Martinho Da Vila - Muadiakime \/ Semba dos Ancestrais (Clipe Oficial) ft. Alegria Ferreira\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T0qrVb25g8Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cPor conta do envolvimento com o tema, no carnaval do Verinha, as crian\u00e7as decidiram que o nome do nosso bloco do 2\u00ba ano seria \u2018Semba\u2019\u201d, afirmam as professoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o intuito de compartilhar as descobertas com outras crian\u00e7as da escola, a turma decidiu elaborar o mural \u201cVoc\u00ea sabia?\u201d, que trazia curiosidades aprendidas em sala de aula. Al\u00e9m de ficar exposto para toda a comunidade do Vera Cruz, o muro ainda contava com alguns <em>post-its <\/em>para que houvesse intera\u00e7\u00e3o de alunos, professores, pais e funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-full\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-2-ano.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"370\" height=\"750\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-2-ano.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2832\" style=\"object-fit:cover\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-2-ano.png 370w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-2-ano-148x300.png 148w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cVoc\u00ea sabia que o samba nasceu no Rio de Janeiro, e vem da palavra semba e essa palavra nasceu na Angola? O samba veio da \u00c1frica.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cVoc\u00ea sabia que samba veio do semba e o semba veio da Angola? E dentro de Angola tem os povos kimbundus e para eles semba significa ficar feliz.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cVoc\u00ea sabia que o samba nasceu no Rio de Janeiro pelo movimento de luta dos negros?\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cVoc\u00ea sabia que os escravizados iam para o Rio de Janeiro depois da escravid\u00e3o <\/em><em>para &nbsp; procurar emprego e comida porque l\u00e1 era capital e era \u00fanica escolha deles e delas?<\/em><em>\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Entre os bilhetes deixados pelos visitantes, um chamou especial aten\u00e7\u00e3o do grupo: \u2018Qual o ber\u00e7o do samba?\u2019. \u201cEst\u00e1vamos quase concluindo o tema, mas, quando notamos esse interesse pela origem da m\u00fasica, resolvemos explorar mais a fundo\u201d, relata a professora Flavia. \u201cAt\u00e9 pela met\u00e1fora do \u2018ber\u00e7o\u2019, algo t\u00e3o importante ainda para eles, os alunos passaram a se questionar se o samba era um movimento mundial ou brasileiro. Nesse momento, o projeto ganhou bastante interseccionalidade entre outros assuntos estudados ao longo do ano, como a hist\u00f3ria do Brasil e a genealogia das fam\u00edlias\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><strong>Estudar racismo a partir do samba<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, os caminhos do segundo ano, naturalmente, encontraram a Bahia, o Rio de Janeiro e Angola: estudar o samba deixou de ser apenas uma pesquisa sobre origens e refer\u00eancias, mas sobre o desenvolvimento e ades\u00e3o do ritmo pelos brasileiros. \u00c9 quando os alunos percebem que as hist\u00f3rias do samba e do Brasil se misturam.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm nossas pesquisas, compreendemos que o samba tem origem africana, assim como muitos de n\u00f3s, brasileiros &#8211; principalmente dos povos de Angola que foram sequestrados e escravizados no Brasil\u201d, explicam as professoras. \u201cAprendemos tamb\u00e9m que muitos instrumentos usados no samba receberam contribui\u00e7\u00f5es de diferentes regi\u00f5es do mundo, al\u00e9m da \u00c1frica\u201d, completam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos alunos, Tom, chegou a dizer: \u201cO samba tem a ver com os nossos antepassados, que t\u00eam a ver com \u00e1rvore geneal\u00f3gica porque o samba \u00e9 muito antigo, ele tem a ver com os nossos ancestrais. A \u00e1rvore geneal\u00f3gica tem a ver com os ancestrais porque um deles pode ter criado o samba\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Flavia, a percep\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes negras do samba permitiu que a turma fosse introduzida ao conceito de racismo estrutural. \u201cMesmo ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, esse grupo continuou sendo discriminado. O mesmo aconteceu com a sua m\u00fasica, que era ouvida pelos negros nas casas das baianas, no Rio de Janeiro\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, figuras ilustres como Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus foram apresentadas aos alunos como s\u00edmbolo da evolu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica no pa\u00eds. A hist\u00f3ria da dupla de mulheres e negras comoveu as crian\u00e7as, que, segundo as professoras, demonstraram surpresa com os feitos das sambistas. A emo\u00e7\u00e3o da turma acabou refletida em uma frase dita por um dos alunos, Vicente, sobre Dona Ivone Lara: \u201cQueria que ela fosse minha av\u00f3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O produto final do estudo \u00e9 um <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1Dg9VIWDrpFwD_Zi_pvlfhq2udVgatv9c\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">livro com quatro hist\u00f3rias<\/a> &#8211; \u201cAs Maravilhas do samba\u201d, \u201cInforma\u00e7\u00f5es do samba e outras coisas\u201d, \u201cA vida do samba\u201d e \u201cComo o samba foi criado e outras maravilhas africanas\u201d &#8211; que narram a origem do samba como parte da origem do povo brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[55,17],"edicao":[38],"class_list":["post-2637","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-g5-ao-2o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-3"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2637"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3387,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2637\/revisions\/3387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2637"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=2637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}