{"id":2628,"date":"2023-02-17T16:03:02","date_gmt":"2023-02-17T19:03:02","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=2628"},"modified":"2023-09-18T14:11:43","modified_gmt":"2023-09-18T17:11:43","slug":"pelos-tracos-de-uma-africa-plural","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/pelos-tracos-de-uma-africa-plural\/","title":{"rendered":"Pelos tra\u00e7os de uma \u00c1frica plural"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Gabriela Del Carmen<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o antirracista, muito se pode fazer trabalhando com a literatura. As obras t\u00eam um evidente valor em si, mas \u00e9 poss\u00edvel conceber outras rotas pedag\u00f3gicas \u2013 talvez mais desafiantes, mas que dialogam com a necessidade de trabalhar o letramento racial em todas as \u00e1reas de conhecimento. O caminho escolhido pelas professoras Renata Vasques e B\u00e1rbara P\u00e1dua, do 4<sup>o<\/sup> ano, abra\u00e7ou ambiciosamente essa proposta: a literatura abrindo as portas para a Geometria, a Geografia, a Arte \u2013 e a compreens\u00e3o interdisciplinar da diversidade que \u00e9 a \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura de \u201cHist\u00f3rias da Preta\u201d, livro de Heloisa Pires Lima, levou os estudantes a navegarem pela vida da etnia Ndebele. A obra infantojuvenil retrata a \u00c1frica como um continente que acolhe diferentes povos e culturas, abrindo caminho para discutir temas como etnia, racismo e a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO livro atende o que busc\u00e1vamos para o 4\u00ba ano: uma leitura com riqueza de detalhes, hist\u00f3rias e refer\u00eancias. Ao romper com estere\u00f3tipos da popula\u00e7\u00e3o negra e do continente africano, traz uma outra realidade para que as crian\u00e7as possam se perceber e come\u00e7ar a se transformar\u201d, explica B\u00e1rbara.<\/p>\n\n\n\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es cativaram a turma. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o se encantar com as fachadas que d\u00e3o forma \u00e0s casas do povo Ndebele, situado na \u00c1frica do Sul. Com seus tra\u00e7os geom\u00e9tricos padronizados e cores vibrantes, as figuras estampam as paredes exteriores como se fossem grandes telas de pintura. Uma heran\u00e7a art\u00edstica passada de m\u00e3e para filha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma coisa que me deixou impressionada \u00e9 que, no passado, as mulheres usavam terra e esterco para pintar. Mas hoje usam tinta acr\u00edlica\u201d, conta Aurora\u200b, estudante do 4\u00ba ano que participou da atividade. Seu colega Felipe destaca um outro ponto que lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 tradicional as mulheres pintarem cores e formas vibrantes. Mesmo sendo uma sociedade patriarcal, elas t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de pintar as casas\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/-vC1j-daRhrbaPlLrHZJ9AHgULsLbV_qgUd-KeRDdjztBtnW3ACgziozjRXQgAQfsmttjZtRtw8u97OYFp98_k7c9NcgfX7-iZr3r1fHvIMhyxf9P5T5mksof28UhjXHZlhmb8s0DLrv_JNveYQA__0\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Observa\u00e7\u00e3o das fachadas das casas da etnia Ndebele.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao pesquisar sobre a etnia, a classe descobriu os trabalhos de Esther Mahlangu, artista sul-africana da na\u00e7\u00e3o Ndebele que ficou conhecida mundialmente por obras que fazem refer\u00eancia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica de seu povo. Os estudos sobre a padronagem das fachadas, ali\u00e1s, casam muito bem com as aulas de matem\u00e1tica. \u201cO que s\u00e3o \u00e2ngulos? Pol\u00edgonos? Quais formas geom\u00e9tricas podemos encontrar nas casas Ndebele?\u201d, questionavam as professoras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRendeu muito conhecimento a partir de um estudo que surgiu com a literatura. Foi um trabalho que fez muito sentido para as crian\u00e7as\u201d, analisa Renata. Para que os alunos pudessem experimentar e criar esses tra\u00e7os na pr\u00e1tica, as educadoras uniram for\u00e7as com o professor de Artes, Serejo, para a montagem de uma maquete que representasse a padronagem Ndebele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAchei dif\u00edcil escolher as formas. Fiz o zigue-zague, um quadrado com um X no meio e um tri\u00e2ngulo dentro do outro\u201d, conta Aurora. \u201cComecei com a r\u00e9gua, depois quis experimentar como era sem a r\u00e9gua. Escolhi as figuras que achei mais legais\u201d, diz Ana. \u201cEu nunca tinha feito um projeto assim\u201d, observou Davi. As crian\u00e7as fizeram as padronagens em caixas e no final do ano convidaram suas fam\u00edlias para ver o resultado do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/ktgCsC4cCHcyRJDFDMdRFBon5LcoXw-KIC2mIZHxNlIPmdmCnku4yyb0rFsw-f_U5xhkJZx3xKRsqiLg7UXfja9kJIc4JzVPAP3fy2cmqCU_tfYW-hVUCsYYOkCmMJ2BKm9Aa6YovpWMs25VWznKFFk\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Montagem da maquete.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o parou a\u00ed. Inspirados pela leitura de \u201cHist\u00f3rias da Preta\u201d, os alunos tiveram a oportunidade \u00fanica de conversar com Heloisa Pires Lima em um bate-papo virtual. \u201cFoi muito interessante ver quais perguntas eles faziam. Queriam saber a rela\u00e7\u00e3o da autora com o racismo, se ela j\u00e1 havia sofrido com isso. A Heloisa explicou que era algo vivenciado todos os dias, algo sobre o que as crian\u00e7as v\u00eam refletindo desde o 3<sup>o<\/sup> ano\u201d, conta a professora B\u00e1rbara. Al\u00e9m disso, os alunos estavam curiosos para saber como tinha sido a inf\u00e2ncia da autora e se ela havia vivido ou inventado as hist\u00f3rias narradas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/PP-3o-ao-5o-ano.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"602\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/PP-3o-ao-5o-ano.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3097\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/PP-3o-ao-5o-ano.jpeg 1024w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/PP-3o-ao-5o-ano-300x176.jpeg 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/PP-3o-ao-5o-ano-768x452.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Encontro virtual com Heloisa Pires Lima, autora do livro \u201cHist\u00f3rias da Preta\u201d.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes mesmo de abordar a etnia Ndebele, as classes mergulharam no estudo sobre os diferentes pa\u00edses e culturas que formam o continente africano. \u201cAbrimos o mapa e localizamos a \u00c1frica e seus pa\u00edses. Mostramos a grandiosidade e explicamos que cada regi\u00e3o tem a sua especificidade, l\u00edngua e etnia. O livro da Heloisa traz justamente isso: entender a \u00c1frica como um continente plural\u201d, explica Renata. \u201cEles n\u00e3o imaginavam que havia tantas diferen\u00e7as culturais e \u00e9tnicas no continente. Depois da leitura, perceberam que era uma regi\u00e3o com mais de uma etnia, mais de uma refer\u00eancia, e ficaram bastante tocados\u201d, acrescenta B\u00e1rbara.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro disparou conversas profundas sobre o per\u00edodo da escraviza\u00e7\u00e3o e o racismo na sociedade brasileira.\u200b Crian\u00e7as que t\u00eam pais negros tiveram uma participa\u00e7\u00e3o valiosa nas discuss\u00f5es ao compartilharem suas viv\u00eancias, provocando muitas reflex\u00f5es no grupo ao contar os preconceitos que seus familiares j\u00e1 sofreram.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2629\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-300x225.jpg 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-768x576.jpg 768w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/PP-3o-ao-5o-ano-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Mural de autores negros conhecidos no 4\u00ba ano.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao final do semestre, os alunos criaram um mural com os autores negros e obras liter\u00e1rias que conheceram ao longo do ano, incluindo livros de Kiusam de Oliveira, Emicida, Ondjaki, entre outros. Um fechamento de ciclo que a pr\u00f3pria Renata define como \u201cmuito simb\u00f3lico\u201d \u2013 com impacto sobre a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo atento \u00e0s rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico raciais, em que a leitura de textos liter\u00e1rios pode abrir possibilidades de se estabelecer conex\u00f5es com outras \u00e1reas do saber.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[56,17],"edicao":[38],"class_list":["post-2628","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-3o-ao-5o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-3"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2628"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2628\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3389,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/2628\/revisions\/3389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2628"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=2628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}