{"id":1920,"date":"2022-09-06T11:14:59","date_gmt":"2022-09-06T14:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=1920"},"modified":"2023-09-18T14:13:34","modified_gmt":"2023-09-18T17:13:34","slug":"sequestro-indigena-a-historia-pela-escrita-disruptiva-de-micheliny-verunschk","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/sequestro-indigena-a-historia-pela-escrita-disruptiva-de-micheliny-verunschk\/","title":{"rendered":"Sequestro ind\u00edgena: a hist\u00f3ria pela escrita disruptiva de Micheliny Verunschk"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Maria Laura Saraiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile is-image-fill\" style=\"grid-template-columns:27% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\" style=\"background-image:url(https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Divulgacao-Companhia-das-Letras.jpg);background-position:55% 0%\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"433\" height=\"650\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Divulgacao-Companhia-das-Letras.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2060 size-full\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Divulgacao-Companhia-das-Letras.jpg 433w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Divulgacao-Companhia-das-Letras-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cEsta \u00e9 a hist\u00f3ria da morte de I\u00f1e-e.<br>E tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de como ela perdeu o seu nome e a sua casa.<br>E ainda a hist\u00f3ria de como permanece em vigil\u00e2ncia\u201d<\/em><br>\u2014 Micheliny Verunschk<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Em 1817, a dupla de pesquisadores Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius desembarcou no Brasil com o objetivo de descrever a fauna e a flora da col\u00f4nia portuguesa. Tr\u00eas anos depois, a dupla voltou a Munique, na Alemanha, levando n\u00e3o apenas o relato de viagem, mas tamb\u00e9m duas crian\u00e7as ind\u00edgenas do povo Miranha que morreriam pouco tempo depois de pisar em solo europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesse epis\u00f3dio real, a escritora pernambucana Micheliny Verunschk redigiu seu quinto romance, <em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em>. Selecionada pela professora Aline Borrely para a atividade de leitura compartilhada do 8<sup><span style=\"text-decoration: underline;\">o<\/span><\/sup> ano, a narrativa d\u00e1 voz a I\u00f1e-e, uma das crian\u00e7as raptadas pelos b\u00e1varos, e Josefa, jovem paraense do s\u00e9culo XXI que descobre suas origens ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de trazer \u00e0 tona o crime cometido pelos europeus, o livro ainda ganha f\u00f4lego social ao mostrar a perspectiva ind\u00edgena em conflito com documentos hist\u00f3ricos expostos em museus e enciclop\u00e9dias. \u201cTrata-se de uma obra potente e urgente de ser lida\u201d, destaca a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ela, um dos objetivos da proposta foi dar acesso a uma narrativa que confrontasse a historiografia hegem\u00f4nica, que costuma prevalecer nas narrativas. Os alunos puderam refletir sobre a perspectiva de superioridade presente na forma como os povos brancos narram a hist\u00f3ria dos nativos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse contraste de pontos de vista foi um dos aspectos que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o da aluna Stella Gottardi de Figueiredo Silveira. Para ela, o livro foi capaz de desmascarar os mitos que envolvem o encontro entre europeus e ind\u00edgenas no Brasil. \u201cMinha vis\u00e3o mudou. Os verdadeiros b\u00e1rbaros sempre foram os europeus\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cena, uma descoberta \u2013 um novo modo de narrar os fatos. E n\u00e3o s\u00f3. Para o estudante Guilherme Lobo Salles Leite, outro destaque \u00e9 a contemporaneidade do relato. \u201cFicou evidente a discrimina\u00e7\u00e3o com outros povos e etnias. Com os paralelos que o texto faz com os tempos atuais, essa impress\u00e3o s\u00f3 aumenta\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo a linguagem po\u00e9tica da autora, segundo a dupla, fez valer a pena o desafio de percorrer as p\u00e1ginas e conhecer mais a respeito da luta pela sobreviv\u00eancia vivenciada pelos ind\u00edgenas desde a coloniza\u00e7\u00e3o. \u201cLeituras como essas nos ensinam que devemos tratar os outros com igualdade, independentemente de sua etnia. Preparam crian\u00e7as e jovens, eu inclu\u00eddo, para um futuro onde todos sejam tratados com igualdade\u201d, afirma Guilherme.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a leitura compartilhada, atividade acompanhada tamb\u00e9m pela professora da biblioteca, Alessandra Vaz, a turma ainda teve a oportunidade de conversar diretamente com a autora Micheliny Verunschk. Seguindo o formato de uma entrevista, os alunos puderam perguntar sobre a obra, discutir suas pr\u00f3prias interpreta\u00e7\u00f5es e confirmar hip\u00f3teses a respeito do livro em um bate-papo virtual promovido em parceria com a editora Companhia das Letras. Nas palavras da autora, as quest\u00f5es tornaram a conversa \u201cemocionante e profunda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa, al\u00e9m de conhecer mais sobre o processo de escrita e a hist\u00f3ria dos Miranha, a autora tamb\u00e9m aproveitou para convidar os alunos a perceber o amadurecimento que vai ocorrendo em nossa hist\u00f3ria enquanto leitores, principalmente diante das falas sobre os desafios que a linguagem e a din\u00e2mica da narrativa apresentaram durante a leitura. <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Participa\u00e7\u00e3o familiar potencializa a leitura<\/h4>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da sala de aula, \u00e9 ao lado dos familiares, em casa, que os alunos podem dividir suas impress\u00f5es a respeito do livro. Combina\u00e7\u00e3o que, segundo a professora Aline, s\u00f3 traz benef\u00edcios para a vida escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo selecionar um livro que traz refer\u00eancias maduras, como \u00e9 o caso de Ailton Krenak e Itamar Vieira Junior, que aparecem no paratexto da obra, a turma percebe que aquele conte\u00fado pode gerar interesse n\u00e3o s\u00f3 entre os colegas, mas nas fam\u00edlias\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, o debate a respeito das pautas ind\u00edgenas \u2013 e da pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o antirracista \u2013 se expande para a vida e o cotidiano desses jovens. Por outro lado, o di\u00e1logo com os familiares tamb\u00e9m possibilita que outras gera\u00e7\u00f5es tenham contato com esses aprendizados. \u201cEssa troca \u00e9 muito potente, principalmente no que diz respeito a desassociar a literatura apenas do espa\u00e7o escolar e incorporar essa arte no cotidiano&#8221;, conclui a professora.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[51,17],"edicao":[35],"class_list":["post-1920","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-6o-ao-9o-ano","tag-praticas-pedagogicas","edicao-edicao-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/1920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1920"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/1920\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3395,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/1920\/revisions\/3395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1920"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=1920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}