{"id":1893,"date":"2022-09-06T10:21:53","date_gmt":"2022-09-06T13:21:53","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=1893"},"modified":"2023-09-18T09:58:00","modified_gmt":"2023-09-18T12:58:00","slug":"lidar-com-relacoes-raciais-e-colocar-em-jogo-a-subjetividade-de-cada-um","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/lidar-com-relacoes-raciais-e-colocar-em-jogo-a-subjetividade-de-cada-um\/","title":{"rendered":"\u201cLidar com rela\u00e7\u00f5es raciais \u00e9 colocar em jogo a subjetividade de cada um\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Entrevista com Cida Bento, doutora em psicologia pela USP e conselheira do Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (Ceert)<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Rodrigo Ratier<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"800\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cida.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2392\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cida.jpeg 800w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cida-300x300.jpeg 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cida-150x150.jpeg 150w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/cida-768x768.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3061\" class=\"elementor elementor-3061\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-527c6e7 elementor-section-content-middle elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"527c6e7\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2187423\" data-id=\"2187423\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-55b0fa4 elementor-position-left elementor-vertical-align-middle elementor-widget elementor-widget-image-box\" data-id=\"55b0fa4\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-image-box-wrapper\"><figure class=\"elementor-image-box-img\"><img decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4.png\" class=\"attachment-full size-full wp-image-314\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4.png 512w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4-300x300.png 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/microfone4-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure><div class=\"elementor-image-box-content\"><h3 class=\"elementor-image-box-title\">A \u00edntegra da conversa est\u00e1 dispon\u00edvel como podcast. <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/5q9P1builASnLz25sHPM5u?si=c09f5fea387f4e0a\" target=\"_blank\">Acesse!<\/a><\/h3><\/div><\/div>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<p>Em 2020, quando o Vera come\u00e7ou a desenhar as bases do que viria a ser seu pioneiro projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista, a psic\u00f3loga Cida Bento foi uma das primeiras vozes a serem ouvidas. \u201cBranquitude e racismo: o que temos a ver com isso?\u201d foi uma das \u00faltimas palestras presenciais do Instituto Vera Cruz antes da pandemia, em mar\u00e7o de 2020. Suas reflex\u00f5es seguiram ecoando muito al\u00e9m: Cida chamava a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade do reconhecimento da branquitude \u2013 a rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o dos brancos sobre as demais ra\u00e7as \u2013, e de como ela pode atrasar ou mesmo impedir o despertar para o antirracismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de Jo\u00e3o, motorista, e Ruth, servente num posto de sa\u00fade, Cida foi a primeira da fam\u00edlia a concluir a faculdade, avan\u00e7ar para o mestrado e, em seguida, para o doutorado pela USP. Em 1990, foi uma das fundadoras do Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (Ceert), onde atua como conselheira. Em 2015, a prestigiosa revista brit\u00e2nica <em>The Economist<\/em> a considerou uma das 50 pessoas mais influentes do mundo no tema diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua tese, Cida criou o conceito de pacto narc\u00edsico da branquitude, uma esp\u00e9cie de acordo t\u00e1cito \u2013 e, por vezes, inconsciente \u2013 entre os brancos para manter privil\u00e9gios. Ocorre, por exemplo, com a falta de acolhida \u00e0s ideias de pessoas negras nos ambientes de trabalho, quando brancos s\u00f3 contratam brancos ou quando uma reclama\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como &#8220;assertividade&#8221; na voz de um&nbsp;branco e &#8220;agressividade&#8221; na voz de um negro. O resultado \u00e9 a perpetua\u00e7\u00e3o de um estigma, como escreve Cida em seu livro <em>O pacto da branquitude<\/em>, que \u201cdesde cedo cria diferen\u00e7as e hierarquias nas narrativas sobre negros e brancos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\t\t<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"3107\" class=\"elementor elementor-3107\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4a989ed elementor-section-content-middle elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4a989ed\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-914eab2\" data-id=\"914eab2\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9ed87c8 elementor-view-stacked elementor-position-inline-start elementor-shape-circle elementor-mobile-position-block-start elementor-widget elementor-widget-icon-box\" data-id=\"9ed87c8\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"icon-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-wrapper\">\n\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-icon\">\n\t\t\t\t<span  class=\"elementor-icon\">\n\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"fas fa-book-open\"><\/i>\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-icon-box-content\">\n\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-icon-box-title\">\n\t\t\t\t\t\t<span  >\n\t\t\t\t\t\t\tLeia a apresenta\u00e7\u00e3o do livro <a href=\"https:\/\/cdl-static.s3-sa-east-1.amazonaws.com\/trechos\/9786559212323.pdf\" target=\"_blank\">O Pacto da Branquitude<\/a>\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\n\n\n<p>Por estar ligado ao racismo estrutural, sua supera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. Projetos de educa\u00e7\u00e3o antirracista como o do Vera s\u00e3o um caminho, mas o desvelar dos preconceitos enraizados e naturalizados pode causar desconforto. Exige explicita\u00e7\u00e3o de realidades duras, profunda reflex\u00e3o e, acima de tudo, compromisso com um outro pacto civilizat\u00f3rio, pautado pela equidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Zum-Zum<\/em> \u2013 De que forma \u201co pacto narc\u00edsico da branquitude\u201d pode se manifestar em um projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista como o da Escola Vera Cruz?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Cida Bento \u2013<\/strong> O pacto narc\u00edsico muitas vezes funciona a partir da l\u00f3gica de funcionamento, da vis\u00e3o de mundo, da maneira como uma institui\u00e7\u00e3o tem as suas premissas, os seus paradigmas no campo da branquitude, que ela mesmo n\u00e3o conhece. Quando ela pensa a tem\u00e1tica racial, ela pensa a partir de um escopo, a partir de uma perspectiva que \u00e0s vezes resolve uma parte das coisas, mas subestima a rea\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. Toda institui\u00e7\u00e3o reage, \u00e0s vezes abertamente, \u00e0s vezes n\u00e3o. Ent\u00e3o, tem v\u00e1rios elementos que precisam entrar no processo quando se faz um trabalho como institui\u00e7\u00e3o, seja ela qual for. As pessoas brancas n\u00e3o s\u00e3o pessoas transparentes. Elas t\u00eam uma vis\u00e3o de mundo, uma perspectiva e est\u00e3o no lugar de decis\u00e3o. Perceber-se assim ajuda a [reconhecer] quest\u00f5es que podem prejudicar o processo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como construir rela\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas entre fam\u00edlias brancas e negras apesar das diferen\u00e7as sociais e econ\u00f4micas?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as sociais e econ\u00f4micas j\u00e1 s\u00e3o uma assimetria nas rela\u00e7\u00f5es. Talvez a quest\u00e3o seja em que dimens\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel uma rela\u00e7\u00e3o mais equ\u00e2nime entre grupos que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas \u2013 e em que dimens\u00f5es \u00e9 verdadeiramente poss\u00edvel a incid\u00eancia de um grupo em condi\u00e7\u00e3o de subalternidade dentro de uma institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta ficar pensando que \u00e9 poss\u00edvel resolver tudo dentro de uma institui\u00e7\u00e3o em que as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o atravessadas por quest\u00f5es que est\u00e3o fora da institui\u00e7\u00e3o e que v\u00e3o mudar de um momento para outro. \u00c9 importante reconhecer isso no momento em que se planeja a a\u00e7\u00e3o conjunta para trabalhar num plano de a\u00e7\u00e3o realista e fact\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tornar-se uma institui\u00e7\u00e3o antirracista significa romper com o pacto da branquitude. Que sentidos isso tem quando essa institui\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>O pacto da branquitude vai se rompendo ao longo do tempo. Um pa\u00eds que ficou quase 400 anos sob escravid\u00e3o negra e, depois disso, com processos discriminat\u00f3rios no cotidiano das rela\u00e7\u00f5es em todas as dimens\u00f5es sociais, n\u00e3o muda isso de uma hora para outra. Tornar-se uma institui\u00e7\u00e3o antirracista \u00e9 reconhecer o tempo inteiro onde \u00e9 que est\u00e1 o pacto da branquitude, no sentido de pacto que defende certos interesses \u2013 ou que desconsidera, ou coloca no degrau inferior determinado grupo. \u00c9 importante perceber, por exemplo, se esse grupo se sente confort\u00e1vel. Em que medida \u00e9 recebido como um grupo cuja voz tem a mesma for\u00e7a que outros grupos dentro da institui\u00e7\u00e3o. Lembrando que a institui\u00e7\u00e3o nunca tem as pernas para resolver tudo que diz respeito a determinado grupo, porque essa hist\u00f3ria de desigualdade atravessa a hist\u00f3ria dos grupos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>H\u00e1 um pacto social que os brancos precisam firmar quando se trata da luta antirracista? Quais suas bases?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>As bases de um pacto antirracista s\u00e3o processos de di\u00e1logos cont\u00ednuos, regulares, dos pr\u00f3prios brancos tentando lidar com uma vis\u00e3o de mundo e um <em>modus operandis<\/em> que atravessa a hist\u00f3ria do grupo na maneira como lida com a educa\u00e7\u00e3o, com o escopo te\u00f3rico, com metodologias, com a compra de materiais, com a forma\u00e7\u00e3o de professores, com a rela\u00e7\u00e3o com stakeholders. Ou seja, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda de uma hora para outra, a desigualdade est\u00e1 incrustada e, em geral, n\u00e3o vis\u00edvel, n\u00e3o nomeada nas pr\u00e1ticas sociais. Em geral, na escola \u00e9 a mesma coisa. Por isso digo que essa rela\u00e7\u00e3o, pensando especificamente nos brancos, deve ser cont\u00ednua, com di\u00e1logos e diagn\u00f3sticos frequentes.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>De que forma se deve comunicar esse projeto \u00e0 sociedade?&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Com o m\u00ednimo de marketing. Porque a institui\u00e7\u00e3o precisa ter musculatura para come\u00e7ar a falar que ela est\u00e1 na estrada. Sempre tem tens\u00f5es, sempre tem resist\u00eancia, sempre tem um percentual de pessoas que n\u00e3o quer e entende que isso \u00e9 assistencialismo. A pressa para dialogar externamente gera fragilidade, porque a institui\u00e7\u00e3o subestima as resist\u00eancias internas que v\u00e3o sendo trabalhadas \u00e0 medida que o processo avan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>De que maneira o cotidiano da escola pode servir como espa\u00e7o \u00e9tico e pol\u00edtico de transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es raciais?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Entendo a educa\u00e7\u00e3o sempre como um processo de transforma\u00e7\u00e3o, de emancipa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o que busca transformar as rela\u00e7\u00f5es raciais no sentido de buscar mais equidade se torna mais democr\u00e1tica, com todos os desafios que a democracia traz: diversidade de vozes, de pensamentos pol\u00edticos, te\u00f3ricos, metodol\u00f3gicos e pessoais \u2013 a maneira como as pessoas se sentem \u00e0s vezes mexidas quando esse tema aparece. Todas as suas convic\u00e7\u00f5es est\u00e3o em movimento. Ao lidar com rela\u00e7\u00f5es raciais, voc\u00ea est\u00e1 mexendo com a subjetividade profunda de todo mundo. Pode ser que algu\u00e9m pense: \u201cEu sempre me concebi de determinada maneira e agora a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 me propondo um reposicionamento, que eu olhe para mim mesma e que eu olhe para o outro de uma maneira diferente \u2013 e que isso se traduza nas minhas a\u00e7\u00f5es dentro da institui\u00e7\u00e3o\u201d. Quando uma institui\u00e7\u00e3o come\u00e7a a pensar em equidade, tem de pensar que ela vai mexer com aquela pessoa que sempre funcionou de outra maneira.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A escola, ent\u00e3o, deve trabalhar a distin\u00e7\u00e3o entre igualdade, que \u00e9 baseada no princ\u00edpio da universalidade, ou seja, que todos devem ser regidos pelas mesmas regras e devem ter os mesmos direitos e deveres, e equidade, que reconhece que n\u00e3o somos todos iguais e que \u00e9 preciso ajustar essa assimetria?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o funcionam para todos, mas muitas vezes o ide\u00e1rio dela, o que est\u00e1 escrito no papel, \u00e9 que ela funciona para todos. Poder enxergar e modificar isso \u00e9 um desafio. Ao buscar funcionar para todos sem reconhecer as assimetrias, a institui\u00e7\u00e3o cai na armadilha de se tornar antidemocr\u00e1tica. A a\u00e7\u00e3o afirmativa \u00e9 muito importante, porque permite reconhecer a assimetria dentro do seu procedimento cotidiano de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como evitar que um projeto de educa\u00e7\u00e3o antirracista em escolas privadas seja capturado pela l\u00f3gica do consumo, como se a diversidade racial fosse um item a mais a se oferecer?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Quando uma institui\u00e7\u00e3o lida com equidade racial como um item a mais a se oferecer, ela pode cair em uma armadilha. Racismo \u00e9 um tema muito profundo e muito forte, que atravessa e marca a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Mexer com esse tema de uma maneira superficial e consumista pode levar a dificuldades entre as pessoas e mesmo institucionais. Em algum momento, a superficialidade e o improviso no tratamento do tema se reflete em alguma a\u00e7\u00e3o equivocada que pode acarretar problemas mais s\u00e9rios.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","tags":[24],"edicao":[35],"class_list":["post-1893","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-entrevista","edicao-edicao-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/1893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1893"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/1893\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3110,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/1893\/revisions\/3110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1893"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=1893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}