{"id":189,"date":"2022-02-18T11:19:38","date_gmt":"2022-02-18T14:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/?post_type=capitulos&#038;p=189"},"modified":"2023-09-18T09:31:38","modified_gmt":"2023-09-18T12:31:38","slug":"o-legado-de-bell-hooks","status":"publish","type":"capitulos","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/capitulos\/o-legado-de-bell-hooks\/","title":{"rendered":"Amor e liberdade em min\u00fasculas: o legado de bell hooks para a educa\u00e7\u00e3o antirracista"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Beatriz Calais e Maria Laura Saraiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cA minha experi\u00eancia de vida mostrou-me que, no momento do meu nascimento, dois fatores determinaram o meu destino: ter nascido negra e ter nascido mulher\u201d &#8211; bell hooks<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"977\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lozu_mont_oct8_bellhooooooooks-1024x977.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-619\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lozu_mont_oct8_bellhooooooooks-1024x977.png 1024w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lozu_mont_oct8_bellhooooooooks-300x286.png 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lozu_mont_oct8_bellhooooooooks-768x733.png 768w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lozu_mont_oct8_bellhooooooooks.png 1132w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1952, na pequena cidade de Hopkinsville, Estados Unidos, nascia Gloria Jean Watkins, nome que algumas d\u00e9cadas depois daria lugar ao pseud\u00f4nimo de bell hooks. \u00c9 assim mesmo, em min\u00fasculas. Escolhido em homenagem \u00e0 av\u00f3, a grafia da alcunha d\u00e1 ind\u00edcios quanto ao posicionamento da autora sobre a pr\u00f3pria obra: &#8220;O mais importante em meus livros \u00e9 a subst\u00e2ncia \u2013 e n\u00e3o quem sou eu\u201d, afirma ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de uma empregada dom\u00e9stica e de um zelador, hooks frequentou durante a inf\u00e2ncia, ao lado de sete irm\u00e3os, uma escola exclusiva para negros. Mais tarde, quando j\u00e1 estudava letras na Universidade de Stanford, a experi\u00eancia de crescer em uma comunidade segregada inspirou parte das reflex\u00f5es de seus livros. Suas mais de quatro dezenas de obras contribu\u00edram para \u00e1reas como Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, Feminismo, Estudos Culturais e Pedagogia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSeu legado \u00e9 gigantesco\u201d, afirma Silvane Aparecida da Silva, coordenadora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o antirracista do Instituto Vera Cruz. A historiadora, respons\u00e1vel pelo pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o brasileira de <em>Tudo sobre o amor<\/em>, de autoria da norte-americana, explica que as obras de bell hooks possuem um recorte aberto da sociedade que vai muito al\u00e9m do debate sobre g\u00eanero e ra\u00e7a. \u201cEla \u00e9 uma escritora de linguagem simples, que usa a pr\u00f3pria vida como exemplo e toca em assuntos universais\u201d, destaca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica permeada por refer\u00eancias autobiogr\u00e1ficas, bell acreditava que a verdadeira teoria passava pela pr\u00e1tica. Ou seja, era preciso fomentar, engajar e agir para mobilizar aquilo de que s\u00f3 o texto escrito n\u00e3o daria conta. Foi assim que o ativismo da escritora ganhou for\u00e7a: antisexista, antirracista e anticapitalista, ela chegou a ser apontada pelo jornal norte-americano <em>The Washington<\/em> <em>Post<\/em> como uma das respons\u00e1veis por ampliar o movimento feminista para fora da bolha das mulheres brancas de classe m\u00e9dia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como professora universit\u00e1ria de institui\u00e7\u00f5es prestigiadas como a Universidade da Calif\u00f3rnia, Universidade do Estado de S\u00e3o Francisco e a Universidade de Yale, entre outras, bell hooks entendia que o v\u00ednculo entre estudantes e educadores era a chave para a forma\u00e7\u00e3o de um ambiente mais pac\u00edfico. \u201cEla tinha uma preocupa\u00e7\u00e3o real com os alunos negros que estavam na sala de aula, porque muitos deles estavam em estado de sofrimento causado por situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, explica Silvane.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para hooks, os professores devem adotar uma posi\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viv\u00eancia em sala de aula, percebendo aqueles que se mantinham afastados de discuss\u00f5es ou que se incomodavam com determinados assuntos. Uma vez conectado com o estudante, seu papel \u00e9 acolher e amar para iniciar o processo de troca a partir da individualidade e signific\u00e2ncia de cada um. \u201cN\u00e3o tem nada de piegas no amor descrito por bell hooks. Pelo contr\u00e1rio, ele \u00e9 um ato pol\u00edtico\u201d, afirma Silvane, que entende o afeto descrito pela ativista como aquele que une as pessoas em grupo, que fortalece as comunidades. Nas palavras da pr\u00f3pria:&nbsp; \u201cO amor \u00e9 o fundamento de toda mudan\u00e7a social significativa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Uma heran\u00e7a generosa<\/strong><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>As implica\u00e7\u00f5es para a luta antirracista s\u00e3o grandes. Para Linalva Santos, advogada, professora e integrante da ONG Educafro, o pensamento da autora \u00e9 essencial para o desenvolvimento de novos cidad\u00e3os. \u201cO respeito \u00e0 diversidade impacta tanto os jovens negros quanto os brancos\u201d, ressalta. \u201cLer bell hooks faz com que as pessoas brancas que n\u00e3o se atentaram ainda para a presen\u00e7a do racismo na sociedade compreendam melhor como isso se apresenta\u201d, completa Silvane. \u201cPercebendo a exist\u00eancia e a agressividade do racismo, descrito em diversas obras da ativista, estudantes e educadores podem desenvolver empatia e compreender o que os seus colegas de classe sofrem na pele.\u201d Para os estudantes negros em especial, as palavras de hooks trazem pertencimento e for\u00e7a. \u201cO texto mostra que h\u00e1 algu\u00e9m olhando por eles e reconhecendo as suas viv\u00eancias. Acho que bell hooks faz com que as pessoas se enxerguem como s\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, o todo de sua obra carrega em si o otimismo da transforma\u00e7\u00e3o, uma certa \u201cpedagogia da esperan\u00e7a\u201d que v\u00ea a chance de um futuro melhor. \u201cEla nos situa em termos de humanidade. Em nenhum momento escreve diretamente o que as pessoas brancas devem fazer, mas abre uma lente para que vejam uma realidade que pode ter passado despercebida\u201d, diz Linalva. Sua mensagem \u00e9 a um s\u00f3 tempo simples e complexa, mas resume bem o ponto central para uma sociedade mais justa. \u201cEduca\u00e7\u00e3o \u00e9 o que liberta\u201d, conclui a advogada e professora.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","tags":[16],"edicao":[9],"class_list":["post-189","capitulos","type-capitulos","status-publish","hentry","tag-reportagem","edicao-edicao-1"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos"}],"about":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitulos"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=189"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3366,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/capitulos\/189\/revisions\/3366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=189"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/zumzum\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}