Pós-graduação - Formação de Escritores

Programa

Panorama da Literatura com Ricardo Azevedo - Pós-graduação Formação de Escritores

Formações em Ficção, Não Ficção ou Infantojuvenil

O curso é composto por 14 disciplinas:

  • 6 disciplinas temáticas optativas
  • 1 oficina introdutória de criação literária
  • 3 oficinas intermediárias de criação literária
  • 4 oficinas avançadas de criação literária.

Além das disciplinas e oficinas, compõem a grade curricular palestras, conferências e mesas de debate das quais participam especialistas, escritores, editores e professores convidados pelo curso para tratar de temas de interesse do escritor em formação.

Ao longo dos dois anos, o estudante faz uma oficina de criação literária por bimestre, em encontros semanais, com oito oficinas de criação literária ao todo.

As disciplinas temáticas optativas são selecionadas pelos alunos e cursadas, também semanalmente, a cada bimestre. O estudante deve cursar um mínimo de seis disciplinas temáticas para se graduar. Não há, contudo, limite máximo para o número de disciplinas optativas. A partir da sétima disciplina elas são incorporadas ao histórico do estudante como enriquecimento curricular.

As aulas ocorrem, em geral, duas vezes na semana, às segundas-feiras e às quartas ou quintas-feiras, sempre das 19h às 22h. As oficinas são realizadas às segundas-feiras, e as disciplinas temáticas são ministradas às quartas e quintas-feiras. Os eventos – palestras, conferências e diálogos, de seis a oito ao ano – poderão ocorrer em qualquer dia da semana, de segunda a quinta, no mesmo horário de aula. A presença é obrigatória para quem está matriculado.

Como trabalho de conclusão os estudantes devem apresentar uma obra literária planejada e escrita durante sua formação, que será lida e comentada criticamente por dois professores do curso.

Antologia literária

No final do curso, uma antologia impressa reúne textos dos alunos produzidos durante os anos de formação. Essa seleção de textos de ficção, não ficção e infantojuvenil é uma apresentação pública do trabalho que os escritores formados pelo curso realizam. Os alunos recebem cópias impressas da antologia, que é também distribuída para editoras e agentes literários brasileiros.

 

Ficção


Escrever ficção significa colocar em prosa uma história inventada, marcada pelas referências dos escritores e seus contextos de vida. Um texto em prosa mantém muitas vezes um vínculo muito estreito com a realidade, porém não se confunde com ela. Como autor de ficção, o aluno escreve narrativas breves ou longas que, lidas, produzem efeitos de sentido no leitor e com ele dialogam. Um projeto de autoria é que orienta a produção literária de cada escritor. É nesse aspecto que o curso atua, auxiliando o escritor na descoberta de um estilo próprio, um projeto literário pessoal. Essa perspectiva autoral é fundamental no curso.

Os estudantes de Ficção terão aulas duas vezes por semana. Eles cursam ao menos duas disciplinas por bimestre: uma oficina de criação literária, ministrada às segundas, e uma disciplina temática optativa, escolhida dentre as oferecidas a cada bimestre, geralmente ministradas às quartas e quintas-feiras.

O trabalho de conclusão do curso do aluno de ficção é uma livro em um dos gêneros consagrados da prosa ficcional, como romances, novelas, contos e crônicas, ou dialogando com eles, experimentando possibilidades híbridas de escrita ficcional.

 

Não Ficção

Escrever sobre um acontecimento, contar a vida de alguém, colocar em palavras a própria vida, refletir sobre o que vemos e vivemos são matérias que ocupam um escritor de não ficção. Como o próprio nome sugere, esses textos tratam de fatos, histórias, fenômenos reais observados. Um texto não ficcional não está, nem deve estar, longe da literatura. Basta pensar que em qualquer relato real há sempre o ponto de vista de quem o conta. Há o modo como se conta. E a impressão subjetiva, nesses casos, pode ser tão ou mais importante que o fato objetivo. É o caso do ensaio pessoal, em que a tese do autor, a reflexão ensaiada, é marcada por seu ponto de vista e sua linguagem, tão estilizada como em uma peça ficcional.
Outros textos dão menos margem à subjetividade e dependem de pesquisa, de apuração dos fatos, do relacionamento com fontes, da análise de dados, do estabelecimento da verdade, como vemos na reportagem, no perfil e na biografia. Mas a condição não impede que o texto seja literariamente elaborado, já que o ponto de vista do narrador, por exemplo, pode importar tanto quanto em um romance.

Os estudantes de Não Ficção terão aulas duas vezes por semana. Eles cursam ao menos duas disciplinas por bimestre: uma oficina de criação literária, ministrada às segundas-feiras, e uma disciplina temática optativa, escolhida dentre as oferecidas no bimestre, ministradas às quartas e  quintas-feiras.

Para concluir o curso o aluno deve entregar um livro em diálogo com gêneros não ficcionais tradicionais, como a biografia, ensaio, memória, reportagem e crônica, dentre outros.

 

 

Infantojuvenil

Ao optar pela concentração Infantojuvenil o estudante produzirá textos ficcionais ou não ficcionais voltados para crianças e jovens. Espera-se que o aluno produza uma obra para esse público ao longo do curso, explorando questões que, através dos tempos, têm sido debatidas no Brasil e no mundo.Para alcançar esse objetivo o curso oferece disciplinas que tratam dos aspectos e recursos específicos do gênero, incluindo a escrita para o livro ilustrado e as características dos diversos subgêneros da escrita para crianças e jovens. Além das disciplinas dessa formação, serão oferecidas ao aluno optativas no universo da ficção ou não ficção para adultos.

 

 

Oficinas de Criação Literária

Oficina avançada pós-graduação Formação de Escritores

 

As oficinas de criação literária analisam a produção dos estudantes. No total de oito, elas acontecem em todos os bimestres do curso. Os estudantes, em grupos de 15 a 20, se reúnem para comentar textos de sua autoria oferecidos ao grupo a partir de um calendário de entrega de textos estabelecido no início dos encontros. Todos têm seus textos lidos e comentados, e os professores intervêm orientando a conversa do grupo, esclarecem dúvidas técnicas e fazem exposições sobre conteúdos que possam ajudar o grupo na leitura crítica dos textos.

Durante essas oficinas, os múltiplos olhares, dos colegas e do professor, promovem uma crítica atenta aos textos apresentados, ao mesmo tempo que se respeitam princípios e propostas manifestados no projeto de cada autor. Baseado no modelo de Oficinas de Escrita de Iowa (EUA), esse exercício possibilita ao estudante aprender, na prática, como aliar conteúdo e forma para ajustar seus textos às suas intenções e aos valores estéticos que fundamentam seu projeto.

Há, no curso, três tipos de oficinas de criação literária.

Oficinas introdutórias de criação literária

São oficinas iniciais que introduzem os estudantes no curso e os aproximam da dinâmica de leitura e escrita que se desenvolverá nas oficinas seguintes. Elas têm como foco a postura desejada de escritor, a constituição da autoria e a importância da leitura crítica para a construção dos projetos literários de cada escritor em formação. A partir da apreciação crítica dos textos produzidos pelos estudantes, a oficina elegerá temas específicos para se aprofundar e discutir, de acordo com as necessidades dos grupos.

Oficinas intermediárias de criação literária

Instituem a dinâmica de leitura e apreciação crítica de textos dos alunos pelos colegas e professores, conforme será praticada nas Oficinas Avançadas posteriores. A partir da apreciação crítica dos textos produzidos pelos estudantes, as oficinas elegerão temas específicos para se aprofundar e discutir, de acordo com as necessidades dos grupos. Elas visam auxiliar os estudantes no amadurecimento de seus projetos literários e prepará-los para o desempenho mais produtivo nas oficinas a seguir, tornando possível que os trabalhos finais se apresentem mais completos e mais bem acabados.

Oficinas avançadas de criação literária

Arquitetadas para dar suporte ao estudante para a realização do trabalho mais importante do curso – o livro de conclusão de curso –, essas oficinas também desenvolvem o exercício profissional e estimulam a prática da escrita e a autonomia para a pesquisa, o planejamento, a revisão, a avaliação e a reescrita de seus textos.

 

Disciplinas temáticas optativas

As disciplinas temáticas optativas exploram os temas propostos e promovem a leitura crítica de exemplares de literatura que ilustram as questões e conteúdos em discussão. Um total de seis disciplinas temáticas optativas deverá ser feito ao longo dos dois anos correspondentes à primeira formação. Os estudantes escolhem os temas livremente, a partir da variedade oferecida ao longo do curso. O conjunto dessas disciplinas é renovado a cada bimestre, com o objetivo de dar ampla possibilidade de escolha para os estudantes. Enriquecidos por abordagens teóricas e leitura crítica de literatura, os estudantes ampliam seu repertório enquanto são estimulados ao exercício da escrita crítica ou literária.

 

Algumas disciplinas temáticas já oferecidas anteriormente

 

A Escrita Literária de Não Ficção

Aqui, discutem-se teorias a respeito da arte e da literatura, apontam-se, caracterizam-se e tratam-se dos elementos constituintes e recursos do discurso literário, bem como da relação entre ficção e não ficção. Além disso, pretende-se levantar aspectos da criação literária, propor a existência de certos patamares construtivos como bases para a criação e o desenvolvimento de discursos literários, e tratar da questão da neutralidade do discurso e do envolvimento do ponto de vista de quem narra na construção do universo não ficcional. Docente: Ivan Marsiglia.

As Crises do Romance

O curso propõe uma releitura da história do romance, a partir dos textos teóricos e críticos dos próprios romancistas. Depois de conhecerem as principais teorizações sobre o gênero, os alunos percorrerão uma série de ensaios, artigos, prefácios, cartas e trechos de alguns romancistas canônicos, para acompanhar como a ideia de romance vai se transformando amplamente ao longo dos séculos. Entre outros autores, o curso abordará alguns textos críticos de Defoe, Balzac, Flaubert, Dostoievski, Proust, Joyce, Woolf, Macedonio Fernández, Beckett, Sarraute, Sebald e Coetzee. Nesse breve percurso pelas circunvoluções do gênero, o romance se revela sempre instável e indeterminado, tendo sua própria crise como um de seus elementos constitutivos. Explora-se a história do romance, então, como a história de suas sucessivas crises. Docente: Julián Fuks. 

A escrita do outro

Nesse curso refletiremos sobre o gênero biográfico, suas especificidades e desafios, como se dá a recepção de leitores e crítica, bem como o debate ético e estético que o envolve. Promoveremos exercícios para a leitura crítica de títulos variados, de modo a compreender escolhas de biógrafos e a permanência (ou não) de suas obras. O curso pretende preparar os estudantes para decidir sobre o personagem a biografar, abordagem, extensão e texto. Os participantes exercitarão a elaboração de um projeto biográfico, em todas as suas etapas. Docente: Josélia Aguiar.

A personagem de não ficção

Quais os limites entre realidade e invenção na construção de personagens de não-ficção? Como trabalhar a caracterização da personagem? Discutiremos nessa disciplina quais as escolhas e opções de elementos descritivos para a criação ou construção de personagens, assim como a relação entre a estrutura da narrativa de não-ficção e as características da retratado. Trabalharemos com poemas, textos que se colocam entre o real e o ficcional, e com perfis literários escritos por jornalistas e escritores que possam servir de parâmetro para a composição de um retrato com qualidade literária. A leitura e discussão dos textos propostos servirão como base para se buscar as possibilidades de abordagem sensível do outro, aquele que será apresentado nos textos realizados pelos alunos. Docente: Heitor Ferraz Melo.

Caminhos de criação para a escrita literária infantojuvenil

Esta disciplina destina-se a trabalhar técnicas de estímulo à criação literária e o desenvolvimento de percepções conceituais e artísticas que possibilitem o controle da criação e do projeto literário individual de cada aluno relativos à chamada Literatura Infantil e Juvenil, destacando alguns componentes específicos desse tipo de produção, com respaldo teórico em estudos sobre o universo das crianças e jovens, no sentido de nortear e apontar caminhos para a criação literária individual e reforçar o conhecimento e domínio da singularidade da literatura de um modo geral.

Crônica: Gênero Livre

Um gênero híbrido pede uma abordagem abrangente. O curso traçará um panorama histórico da crônica, com foco na produção nacional. Também fará uma reflexão sobre seu desenvolvimento, procurando diferenciá-la de outros gêneros como o conto, o ensaio, a reportagem e o poema em prosa. Questões de linguagem, tom e estilo receberão atenção especial. Os alunos serão estimulados a produzir crônicas, que serão analisadas e discutidas em classe. Docente: Fabrício Corsaletti.

Da Palavra Escrita à Imagem em Movimento

Essa disciplina introduz os alunos aos fundamentos da narrativa cinematográfica de ficção, com foco em conceitos como estrutura, personagem, enredo, conflito e tom. Além da discussão teórica e da análise de filmes, os alunos passam por todas as etapas da criação de um roteiro de curta-metragem, da premissa ao texto final. Docente: Chico Mattoso.

Do Fato à Ficção

No ensaio “A arte como procedimento”, Victor Chklóvski propõe que compreendamos a arte como um deslocamento da percepção. Para ele, há, no dia a dia, uma automatização das nossas ações e, aliada a ela, uma automatização no reconhecimento dos objetos. A arte em geral, e a literatura em particular, seria aquela capaz de produzir um estranhamento nessa percepção, isto é, criar um distanciamento entre o objeto e sua percepção corriqueira. Nessa disciplina, à luz das observações de Chklóvski, aproximadas das de outros autores, como Roland Barthes, buscamos examinar certos aspectos que fazem de um texto um texto literário. Nossa ideia é trabalhar na fronteira entre o fato e a ficção, a realidade e a literatura. Docente: Veronica Stigger.

Ensaios de Escrita Ensaística

A partir de aulas teóricas e exercícios, desenvolve-se a prática da escrita de ensaios em sua forma mais livre e reflexiva, acerca de temas diversos, explorando recursos de estilo autorais e uma fundamentação teórica que situa a singularidade do ensaio tanto em relação à crônica quanto em relação à crítica jornalística e aos textos de caráter acadêmico ou científico. A disciplina pretende distinguir o ensaio em sua acepção original (de caráter mais pessoal, de reflexão livre) do ensaio acadêmico, teórico ou científico. Docente: Manuel da Costa Pinto.

Escrevendo humor a sério

O que é humor? É possível fazer boa literatura com humor? Quais são as técnicas recorrentes no humor literário? Que escritores brasileiros utilizam o humor de forma sistemática, e como? Quais as relações entre humor e poesia? Em cinco encontros, tentaremos responder a essas perguntas a partir da análise de textos teóricos (de Ricardo Araújo Pereira, Virginia Woolf e Sigmund Freud, entre outros), da análise de trechos de prosadores brasileiros (entre eles, Manuel Antônio de Almeida, Reinaldo Moraes e Veronica Stigger), da análise de poemas de autores brasileiros e estrangeiros (entre eles, Oswald de Andrade, Angélica Freitas e Wislawa Szymborska), além da análise de textos de outras mídias (filmes, peças de teatro e tiras de jornal). Docente: Fabrício Corsaletti.

Escritos Híbridos

A disciplina pretende introduzir os autores e as questões de fronteira entre a literatura, a filosofia, a psicanálise e a mística. Leremos textos em que o caráter híbrido e indecidível é patente, produções de autores como Gombrowicz, Musil, Cioran, Sloterdijk, Dostoiévski e Nietzsche. Os alunos são convidados a produzir textos autorais a partir das discussões em sala. Docente: Juliano Garcia Pessanha.

Livro Ilustrado: Escrever para Imagens

A imagem, assim como a palavra, pode ser um complexo meio de construção narrativa. No livro ilustrado, entendido como um gênero, encontramos particularidades interessantes de uma escrita que se serve tanto das palavras quanto das imagens e de seu encontro no suporte. Esta disciplina tem o objetivo de discutir essa construção narrativa e estimular os alunos a escreverem o texto pensando em sua interação com a imagem. Docente: Odilon Moraes.

Literatura clássica para contemporâneos

Discutiremos nesse curso, em cinco aulas, gêneros e autores da Antiguidade grega e latina, com objetivo de mostrar não só as semelhanças com as Letras modernas, mas também as diferenças. Trataremos de alguns conceitos importantes para entender a produção antiga, tais como os lugares comuns (tópoi), a imitação (mímesis), emulação (zélosis). Partindo das poéticas antigas, a de Aristóteles e de Horácio, discutiremos Homero, Apolônio de Rodes, Virgílio e Ovídio, entre os poetas épicos; entre os líricos, Safo, Alceu e Horácio. Ademais, é importante também o estudo da Retórica para a compreensão dos gêneros prosaicos, como a oratória e a historiografia. Daremos especial atenção a esse último, comentando Heródoto, Tucídides, Tito Lívio e Suetônio. Docente convidado: Alexandre Hasegawa.

Memória e escrita de si

O curso pretende introduzir as questões relativas à memória, à experiência e ao testemunho, bem como as várias modalidades da escrita de si, entre elas a autobiografia e o diário. De um lado, apresenta e busca compreender o que já foi feito por alguns escritores implicados nessa direção, de outro, acompanha e comenta a escrita dos alunos a partir de tais reflexões. Entre os livros que discutiremos estão obras de Reinaldo Arenas, Maurice Blanchot, Kafka, Robert Musil, Sloterdjik, Marina Tsvetáieva e Winnicott, entre outros. Docente: Juliano Garcia Pessanha.

Nos Arredores do Conto

A disciplina faz um panorama da narrativa moderna, concentrando-se em suas formas breves, como o conto e a novela, apresentando as suas características principais e contrapondo-a a outras formas literárias como o drama e a lírica. O curso não pressupõe uma evolução do gênero curto; ao contrário, problematiza as transformações do conto a partir da noção de aventura, de ação narrativa e de sua crise de representação realista. São apresentados textos fundamentais da teoria do conto, concentrando-se na produção e nas questões críticas em torno do conto moderno em autores como Gustave Flaubert, Edgar Allan Poe, Anton Tchekhov, Machado de Assis, Virginia Woolf, Franz Kafka, Jorge Luis Borges, Lucia Berlin e Lydia Davis, entre outros. Do ponto de vista prático, a disciplina incentiva os alunos a exercitar o conto e seus limites estruturais, na fronteira com gêneros como a novela, o romance e a crônica, desenvolvendo um estilo próprio de narrativa curta. Docente: Bruno Zeni.

O Escritor como Professor

O ensino da criação literária é o tema central desta disciplina. Partindo da própria experiência de aprendizagem de criação literária dos alunos, serão discutidas abordagens metodológicas, o papel do professor enquanto mediador, planos e objetivos de ensino. O curso propõe articular teoria e prática, oferecendo a possibilidade de todos os participantes experimentarem o lugar de professor, além da oportunidade de construírem, em conjunto, um banco de propostas de exercícios de escrita. Docente: Carol Zuppo Abed.

Oficina de Poesia

Essa oficina pretende colocar o estudante em contato com temas específicos do trabalho poético: construção do verso, formação da voz, concisão, formas fixas, verso livre, ritmo, figuras de linguagem, correlato objetivo e manifestos literários dos alunos, com estímulo à produção de textos e à leitura de poemas em sala. O estudante é orientado em experimentações que têm como fim a apropriação da palavra como matéria-prima e elemento constitutivo de um texto, o qual costuma ser expressão de limites em constante transformação. Docente: Noemi Jaffe.

Os Desafios do Narrador Contemporâneo

Este curso mescla teoria literária e exercícios práticos para aprimorar a escrita e a leitura. A partir da experiência como editora da Companhia das Letras, Vanessa Ferrari analisa os principais erros dos autores estreantes e desconstrói os mitos contemporâneos do que seria uma boa narrativa, propondo uma reflexão no modo como escrevemos e interpretamos a literatura. Para ajudar o autor estreante a ser mais assertivo na publicação do seu primeiro livro, os critérios na seleção de originais e um panorama do mercado editorial abrem o ciclo. Docente: Vanessa Ferrari.

Poesia para Prosadores

O estudo da poesia, ao chamar a atenção para a necessidade de um trabalho rigoroso com a linguagem em seu nível mais concreto e palpável, é um instrumento importante – e eficaz – para o aprimoramento da própria escrita em prosa. A oficina terá assim duas partes que se complementam: a) análise de poemas de autores; b) escrita de textos, e a posterior discussão, a partir de alguns exercícios que serão produzidos em casa e não na sala de aula. A oficina está organizada em torno de cinco núcleos temáticos de leitura, dos quais sairão as propostas dos exercícios de escrita: 1. Lirismo e participação; 2. Trabalho com a linguagem; 3. Poemas desentranhados; 4. Objetos; 5. Retratos (personagens). A análise dos textos vai permitir o cotejo de dicções e poéticas diferentes, além do exame de modos de composição bastante distintos. E, é claro, nesse trabalho de análise serão investigados diversos recursos empregados nos vários níveis (gráfico, sonoro, vocabular, sintático, semântico) que estruturam o poema. Vamos trabalhar com os seguintes autores: Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Orides Fontela, Francisco Alvim e Fábio Weintraub, entre outros. Docente: Jayme Loureiro.

Pontos de Vista do Romance Contemporâneo

Nessa disciplina procuraremos identificar linhas de força do romance contemporâneo e compreender como alguns dos principais escritores e escritoras em atuação hoje trabalham o posicionamento do autor, narrador e personagens na escrita ficcional. Investigaremos a questão da interrelação entre ficcional e não ficcional, a autoficção e as tensões presentes na prosa do século 21. Para tanto, leremos ensaios críticos e oito romances publicados nos primeiros anos deste século, seja no Brasil ou no exterior. Docente: Roberto Taddei.

“Realismo” Se Escreve entre Aspas

Vladimir Nabokov afirmou que a palavra realidade só poderia ser escrita entre aspas. A ficção popular sempre soube disso, da ficção científica de Julio Verne à literatura fantástica. Essa elástica compreensão do naturalismo também se estendeu às vanguardas da Modernidade: das instabilidades psicológicas surgidas com o fluxo de consciência às manifestações pós-modernas, a técnica colaborou para a expansão daquilo que se convencionou chamar “realidade”. O curso compreende a leitura de autores canônicos do século 19, como Stevenson e Poe, mas também textos de movimentos como o Futurismo, Surrealismo e de representantes do Pós-Modernismo; compreende também a produção e a reflexão a partir de textos produzidos pelos alunos. Docente: Joca Reiners Terron.

Revisando o Próprio Texto

Nesse curso, desenvolvem-se os conceitos básicos da linguística textual, com o propósito de fundamentar o trabalho de revisão e preparação de textos produzidos pelos estudantes. Os alunos são convidados a refletir a respeito do funcionamento da língua, de modo que ampliem o domínio ativo sobre os instrumentos discursivos e linguísticos necessários às diferentes práticas de linguagem. Docente: Maria José Nóbrega.

Ser autor: o real e a não ficção

A disciplina coloca em pauta temas que habitam o universo do escritor de não ficção neste início de século, procurando estabelecer um ponto crítico fundamental para a produção literária, aproximando-se das questões técnicas de utilização de recursos literários. Trataremos da distinção entre o discurso jornalístico e o literário de não ficção, com debates e leituras de textos de subgêneros da escrita não ficcional como a memória, a autobiografia e o ensaio pessoal. Nosso intuito será estabelecer pontos de conexão entre os projetos de escrita individuais dos alunos e a tradição de escrita não ficcional que remonta aos clássicos e segue reiventando-se até os dias de hoje. Leremos textos de autores como Maggie Nelson, Svetlana Aleksiévitch, Carlo Rovelli, entre outros. Docente: Roberto Taddei.

Ser Autor: Processos de criação ficcional

Como se dá a criação de textos literários? O que chamamos de criação literária? Esta disciplina, introdutória para os alunos do curso de ficção, pretende desmistificar a produção literária e trabalhar técnicas de estímulo à criação literária, assim como desenvolvimento de percepções conceituais e artísticas que possibilitem o controle da criação e do projeto literário individual de cada aluno. Discutiremos e analisaremos textos de autores diversos como Clarice Lispector, Virginia Woolf, Kafka, Borges e Coetzee. Docente: Roberto Taddei.

Tradução Literária

Esta é uma oficina de criação literária. Durante as aulas pensaremos a tradução como algo além do senso comum – do mero ato de levar um texto de uma língua de partida para uma língua de chegada – e a veremos como uma prática de criação e crítica. Faremos isso através de exercícios, oficinas e leituras de textos breves sobre teoria da tradução e sobre o processo tradutório. Como resultado, esperamos estimular as habilidades do aluno não apenas para a tradução mas também para a leitura, edição, crítica e prática literária autoral. Os interessados já podem ir pensando em algum projeto curto de tradução para as oficinas (no máximo três páginas!) traduzindo sempre da língua estrangeira para o português.  Os textos a serem lidos serão disponibilizados para os alunos ao longo das aulas e incluem trechos de autores como Haroldo de Campos, José Paulo Paes, Walter Benjamin e Friedrich Schleiermacher. Para aqueles que quiserem adiantar leituras recomendo “A Tradução Literária”, de Paulo Henriques Britto (Editora Civilização Brasileira) e “Tradução: Teoria e Prática” de John Milton (Editora Martins Fontes). Docente: Lívia Lakomy.