Extensão - Palestras

Ler e Escrever em Ciências Sociais

Daniel Helene

Em que pese reconhecermos a natureza linguística do pensamento conceitual, ainda é muito frequente que se tome a leitura e a escrita nas aulas de História, de Geografia e das Ciências Humanas, em geral, como algo que apenas ofereceria insumos para a aprendizagem do conhecimento dessa área. Os textos que os alunos têm que ler, nessa perspectiva, aparecem como uma espécie de mal necessário, um “obstáculo incontornável”, como aponta Beatriz Aisenberg. Os textos que eles têm que escrever devem, por sua vez, nos apresentar os conhecimentos conceituais que estavam na apostila, no texto didático ou na exposição do/a professor/a. Ainda de acordo com essa prática, tanto na leitura como na escrita, o foco de atenção recai sobre as informações que estão nos textos: mas não nos textos em si, em sua construção, neste caso efetivamente tomados como construção e materialização de conhecimento e não somente como repositórios de informação. Essa concepção, ainda hegemônica, deixa de lado o papel dos alunos na construção de seus conhecimentos nessa área, tanto na leitura (que não está pressuposta como a relação entre o texto e o leitor), quanto na escrita (que, afinal, não considera os alunos como efetivos autores de textos, sujeitos de seus conhecimentos). A palestra pretende apresentar tais questões e apontar caminhos, usando alguns exemplos de como podemos trabalhar em outro sentido, ao investir na formação de leitores mais autônomos de textos mais complexos e de escritores que se permitam tomar a palavra para entender o mundo social.

Daniel Helene formou-se em História pela Universidade de São Paulo, em junho de 2001. Trabalhou na Escola da Vila entre 2000 e 2009, onde tornou-se professor. Pelo trabalho desenvolvido ali, recebeu o prêmio Professor Nota 10, em 2004, e passou a integrar sua comissão selecionadora (hoje chamado Educador Nota 10) a partir do ano seguinte, em diversas edições. Em 2006, trabalhou na Associação Vagalume, com formação de mediadores de leitura em comunidades rurais da Amazônia Legal Brasileira. Integra o Centro de Estudar Acaia Sagarana (Ceas), do Instituto Acaia, como professor de História e coordenador pedagógico. Atua como formador de professores em escolas públicas e privadas. Trabalhou, ainda, na Escola Castanheiras (como professor, em 2016) e no Colégio Anglo 21 (em 2017 e 2018, como coordenador pedagógico do EF2). Doutorou-se em História Social pela USP, em 2016, com pesquisa sobre aprendizagem significativa em História. Em 2018, integrou a equipe do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep) na elaboração dos Referenciais Curriculares da Prefeitura de Salvador (BA). Atualmente, co-coordena os Anos Finais do Ensino Fundamental da Escola Vera Cruz.