Entender para enfrentar

O que é bullying? Quando a prática passa a ser chamada de cyberbullying? Para responder a essas e outras questões, o Instituto Vera Cruz recebeu, na noite da segunda-feira, dia 19 de agosto, José Maria Avilés, doutor em Psicologia e professor da Universidade de Valladolid, na Espanha.

 

Avilés é especialista em convivência escolar, com mais de 33 anos de docência, e idealizador do sistema de apoio entre pares. Mundialmente reconhecido pelas pesquisas acerca do tema, ele veio ao Brasil para participar do Mãos que Acolhem – III Encontro Nacional das Equipes de Ajuda, evento que reúne jovens e profissionais de educação que atuam contra o bullying.

 

Em sua palestra no Instituto, a convite da pós-graduação As Relações Interpessoais na Escola: das Competências Socioemocionais à Personalidade Ética, Avilés mostrou as estatísticas de bullying e cyberbullying ao redor do mundo. “Como estamos seguros de que a pessoa envolvida sabe realmente o que é ou não bullying?”, ressaltou, ao apontar as variações de dados coletados em pesquisas feitas na Europa e na América Latina. “Essa alternância ocorre, principalmente, pela falta de clareza dos componentes das práticas”, explicou.

 

Segundo Avilés, é preciso ter um olhar mais cuidadoso para a situação, uma análise mais criteriosa sobre o que existe por trás dos dados: que informações compõem; como foram medidas. “Não existe um modelo de ação contra o bullying. Cada escola tem que criar seu projeto interno: preventivo e para todos.” Para o professor, o sucesso das ações está na prática coletiva de equipes de convivência, com foco restaurador. “Deve-se recuperar o que foi agredido, mas, sobretudo, o agressor.”

 

O enfoque adequado à questão, segundo o estudioso, é a convivência proativa, e não reativa. “Os alunos têm que ser protagonistas e parte da solução.” Segundo ele, é preciso cuidar dos sentimentos e das emoções – do aluno e do professor. “A prevenção deve ser pensada como meio, e não como fim.”