As discussões sobre gênero no livro infantil

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Como a literatura pode problematizar os estereótipos de gênero no livro para crianças? Este foi o tema principal do encontro promovido na quarta-feira, 18 de outubro, pela pós-graduação Livros, Crianças e Jovens: Teoria, Mediação e Crítica.

 

Partindo de notícias sobre o assunto veiculadas pela mídia brasileira, Cristiane Tavares, coordenadora do curso, iniciou o evento pedindo aos palestrantes que fizessem uma relação entre as notícias e os livros apresentados e discutidos no evento.

 

À distância, via Skype, Bernat Cormand, filólogo, autor, ilustrador e editor especialista em literatura infantil e juvenil, falou sobre “O menino perfeito”, publicado recentemente no Brasil pela editora Livros da Matriz. No livro, o escritor espanhol conta a história de Daniel, um menino que guarda um segredo: à noite, ele se veste com roupas de mulher.

 

“Busco produzir livros que levem à reflexão dentro dessa temática. Apesar de achar que pode ser uma ferramenta, evitamos dar ao livro o cunho didático”, comentou Bernat sobre o livro. Para ele, a literatura infantil não tem como preencher carências dos adultos para discutir certos temas, citando a expressão “superliteratura juvenil”, cunhada pela autora Ana Garralón. E acrescentou: “Algumas coisas são feitas para levantar perguntas e não dar respostas”.

 

Diretora de arte da revista “AzMina” e especialista em ilustração infantojuvenil, a autora e ilustradora Larissa Ribeiro falou sobre “Quem manda aqui – um livro sobre política para crianças”. Resultado de seis oficinas com meninos e meninas de escolas públicas e centros culturais, o livro discute questões relacionadas ao poder sob a ótica das crianças.

 

“Por que é o rei quem manda no castelo e não a rainha? Várias questões surgiram no processo das oficinas, a partir da fala das crianças, e foram parar no livro”, contou Larissa. Segundo ela, a obra pretendia fazer uma provocação e possibilitar diferentes modalidades de leitura: da criança sozinha ou do adulto como mediador.

 

Bernat também falou sobre a repercussão de “O menino perfeito” na Espanha. “Escrevi o livro em 2008, mas foi só em 2012, quando ele foi lançado e a partir da recepção do público, que percebi o que Daniel provocava nas pessoas”. E destacou: “Em vez de dizer que o livro é perturbador, como alguns mencionaram, eu prefiro afirmar que ele é controverso”.