Os desafios do mercado de livros independentes no Brasil

O Instituto Vera Cruz promoveu, na noite da quarta-feira, dia 7 de junho, um encontro dos alunos e ex-alunos do curso de pós-graduação Formação de Escritores com seis editoras independentes.

 

“Esta é uma oportunidade de fazer contatos para que, um dia, no momento certo, vocês consigam ter suas produções divulgadas”, ressaltou, na abertura, um dos coordenadores da pós, Roberto Taddei. E complementou: “É um momento para desfazer algumas ilusões com relação às possibilidades e impossibilidades nesse campo”.

 

O bate-papo contou com a participação de Christian Piana e Michele Navarro, da Lamparina Luminosa; Marília Garcia, da Luna Parque Edições – integrante do corpo docente da pós-graduação Formação de Escritores; Simone Paulino, da Nós; Marcelo Nocelli, da Reformatório; Tiago Fabris Rendelli, da Urutau; e de Sílvia Nastari e Bruno Zeni, da Quelônio – este último também compõe o corpo docente da pós-graduação do Instituto Vera Cruz.

 

Para apresentar o perfil de cada editora, cada um contou um pouco de sua trajetória profissional e das motivações que os levaram a fundar suas editoras. Os relatos incluíram histórias de descoberta de autores e outras curiosidades.

 

Ao falar sobre o trabalho realizado pelas pequenas editoras no tratamento dos originais e com os autores, Simone Paulino ressaltou que o papel do editor não deveria estar somente ligado à publicação de livros de sucesso. “Para mim, o editor é aquele que ajuda a fazer um grande autor; é aquele que acompanha o nascimento desse profissional”.

 

Para Marcelo Nocelli, as publicações das pequenas editoras não se comparam em tiragem às das grandes por se tratar de um trabalho artesanal. “As grandes editoras não querem apostar em autores estreantes. Esse papel tem sido nosso”, ressaltou. E completou: “Fico orgulhoso de que um autor tenha estreado sua obra comigo e vá para uma editora maior. O profissional e a obra carregarão o nome da Reformatório”.

 

Diante da concorrência das grandes editoras, como se dá, então, a sustentabilidade das editoras independentes? Segundo Tiago Rendelli, “pode até parecer idiotice perder tempo montando o estatuto de uma empresa com apenas duas pessoas, mas esse movimento reflete a passagem do trabalho amador para o profissional. Planejar, não gastar além daquilo que se tem, avaliar a tiragem, o projeto gráfico e a papelaria para cada obra é fundamental para manter a empresa viva”.

 

Os editores falaram ainda sobre o sistema de distribuição nas grandes livrarias e as redes alternativas para vendas, além de formas de divisão dos custos das obras entre autores e editoras, a falta de representatividade do setor e o respeito na relação com o autor.

 

Ao final do encontro, alunos e ex-alunos puderam conversar individualmente com os editores, apresentar seus projetos literários e trocar informações sobre envio e análise de originais. O encontro com editoras de perfis variados é um evento anual no calendário da pós-graduação Formação de Escritores, com participação restrita a alunos e ex-alunos.

 

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