Bate-papo sobre carreira literária

 

O Instituto Vera Cruz recebeu convidados especiais na terça-feira, dia 28 de junho. O poeta William Wadsworth, diretor do programa de escrita da Columbia University School of the Arts, e a escritora Alicia Meier, mestra em Escrita Criativa e Tradução Literária pela Columbia University, participaram de um bate-papo sobre a formação do escritor nos Estados Unidos e no Brasil e sobre a carreira literária pós-academia.

Wadsworth começou a conversa apresentando um panorama histórico dos cursos de escrita criativa, cuja primeira aula remonta a 1910. O boom se deu mais de meio século depois, a partir dos anos 1960 e 1970. A respeito de se enxergar a escrita como uma profissão, ele comentou: “escrever é uma vocação; classificar esse ofício como profissão seria reduzi-lo”. E emendou explicando a essência do trabalho realizado na tradicional universidade americana: “Nós trabalhamos não necessariamente para formar um profissional, mas para fazer com que o escritor que nos procura seja o melhor escritor que ele puder”.

Questionados sobre uma formação específica para uma carreira literária, os dois convidados mencionaram algumas motivações, como trabalhar diretamente com os maiores escritores vivos, aproximar-se de profissionais da área e desenvolver um sentido de comunidade, algo especialmente importante em se tratando de um ofício tão solitário. Alicia mencionou também a necessidade de lidar com prazos, outro aspecto importante tratado nesse tipo de programa.

Mediador do encontro, Roberto Taddei, coordenador da pós-graduação Form
ação de Escritores, do Instituto Vera Cruz, discorreu sobre as diferenças entre a carreira literária no Brasil e nos Estados Unidos, e destacou um dado importante: a elevada quantidade de cursos de criação literária nos EUA – atualmente, são mais de 200, entre graduação e pós-graduação – permite aos escritores norte-americanos sustentar-se por meio de aulas, sem depender da venda de livros. Taddei, que foi aluno de Wadsworth em Columbia, lembrou também a figura do agente literário – profissional que auxilia o escritor na busca por editoras mais adequadas ao conteúdo de seu trabalho –, muito mais presente nos EUA do que no Brasil.

De São Paulo, William Wadsworth seguiu para Paraty (RJ), onde participou do painel “As várias dimensões da criatividade”, na Casa da Liberdade, evento realizado paralelamente à programação oficial da 14ª edição da Flip.

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