Apresentação

Sabemos que o Brasil é um país repleto de tensões e contradições que, desde a sua formação, articula o moderno e o arcaico nas mais variadas formas de realização da vida. Frente a esse contexto a equipe de educadores da Escola Vera Cruz se propõe a pensar sobre a seguinte questão: Como colocar em foco esta particularidade da sociedade brasileira nos estudos dos nossos alunos do 2º. ano?

São muitos os encaminhamentos da série que lidam com essa questão tão complexa, mas um trabalho que se destaca no tratamento dessa complexidade foi o Estudo do Meio de 2017. Neste trabalho de investigação, os estudantes dialogam constantemente com este desafio a partir de um projeto interdisciplinar de Biologia, Geografia, História, Física e Química de estudo do meio para o interior do Estado de São Paulo. Acreditamos que os projetos interdisciplinares carregam em si a potência e os saberes específicos de cada área para, conjuntamente, ativarem o desejo, em nossos alunos, de conhecer e aprender sobre a sociedade brasileira.

Neste projeto investigamos a complexidade do campo brasileiro, a partir da análise da produção de agrocombustíveis e de alimentos. Para isso, visitamos uma agroindústria do setor sucroalcooleiro, em Américo Braziliense; um assentamento rural, em Araraquara; um acampamento rural, em Boa Esperança do Sul e duas fazendas que produzem no modelo agroflorestal em Orlândia e Itirapina.

Este trabalho colocou os alunos diante de várias questões, tais como: Por que o Brasil se tornou um dos maiores produtores de agrocombustíveis do mundo? Quais são os impactos socioambientais desta produção em larga escala? Como são as condições de trabalho desta cadeia produtiva? Esta produção tem alterado a estrutura fundiária de nosso território? É possível conciliar a produção de commodities e a produção de alimentos? Qual tem sido o papel da ciência e da tecnologia nestes novos contextos produtivos do campo? Quais são as consequências dos trabalhos braçais na saúde do trabalhador rural?

Buscar responder a tais perguntas exigiu um trabalho de fôlego que teve início antes da viagem com a leitura de textos, interpretação de dados, elaboração de roteiros de entrevistas, levantamentos bibliográficos e definição das questões que nortearam o processo investigativo de cada grupo de trabalho.

Durante nosso trabalho de campo os alunos realizaram entrevistas, registros fotográficos, coletas de dados, participaram de palestras e discussões e tiveram contato com os mais diferentes atores sociais envolvidos nestes processos produtivos do campo brasileiro.

Após a viagem, que ocorreu em maio, novos desafios vieram: precisaram interpretar e analisar o que viram e ouviram para dar sentido ao grande conjunto de informações que dispunham.

Novamente foram colocados diante de mais um desafio: como comunicar tudo aquilo que aprenderam a partir da elaboração de um artigo científico, uma apresentação oral, bem como desse site.

Da perspectiva dos educadores, foi evidente o crescimento do grupo de alunos ao longo desse processo, que, além de conceitualmente muito rico possibilitou uma orientação metodológica e uma ampla discussão sobre diferentes e multiletradas possibilidades de produção e divulgação do conhecimento, permitindo, aos alunos, se relacionar com o conhecimento de maneira mais profunda e crítica.

Apresentamos neste site um pouco deste percurso de trabalho que foi tão rico e intenso para a formação dos nossos jovens diante do desafio de pensar as possibilidades de construção de uma sociedade mais justa e mais democrática.

Equipe responsável pelo projeto

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