VERA CRUZ: A EDUCAÇÃO COMO ESPAÇO DE TRANSFORMAÇÃO 

Uma proposta de ensino que preza a construção do pensamento e valoriza o indivíduo    Por: Íris Mielnik, Felipe Rapoport, Sofia Neves, Antonio Kalmar, Tomás Paranhos e Léa A palavra “escola”, do grego SKHOLE, que foi evoluindo até o Latim SCHOLA, tem o…

escola de 3 a 9 ano, Praça Professor Emilia Barbosa lima

Uma proposta de ensino que preza a construção do pensamento e valoriza o indivíduo 

 

Por: Íris Mielnik, Felipe Rapoport, Sofia Neves, Antonio Kalmar, Tomás Paranhos e Léa

A palavra “escola”, do grego SKHOLE, que foi evoluindo até o Latim SCHOLA, tem o significado de “discussão ou conferência”, mas também de “folga, ócio”, ou seja, um tempo ocioso em que era possível ter um diálogo interessante e educativo.  

Atualmente, há, no estado de São Paulo, 14.405 estabelecimentos de ensino fundamental, 12.691 unidades pré-escolares, 5.624 escolas de nível médio e 521 instituições de nível superior, compondo a rede de ensino do estado mais extensa do país, com um total de 8.981.288 matrículas e 482.519 docentes registrados.  

A Escola Vera Cruz, instituição educacional fundada em 1963, oferece educação básica nas três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Possui 4 unidades, sendo localizadas em dois bairros na Zona Oeste de São Paulo, Alto de Pinheiros e Vila Leopoldina. 

 A escola possui dois focos de atuação: a educação de crianças, adolescentes e adultos e a formação de educadores. “O trabalho do Vera Cruz se orienta pelo compromisso com a Educação entendida como um espaço de transformação. Ao transmitir o conhecimento construído às novas gerações, forma cidadãos capazes de responder às necessidades do presente e protagonizar a inovação”, de acordo com o site do Vera (https://site.veracruz.edu.br/inicio/quem-somos#fastmenu

A unidade que vai do 3º ano ao 9º, o Ensino Fundamental II, se localiza na Praça Emília Barbosa Lima, 51. Na descida da Vitorino de Carvalho, os alunos contam, há 31 anos, com a supervisão do “faz tudo” Leonel, de 57 anos que os assiste como se fossem seus próprios filhos, auxiliando para que cada um atravesse a rua com a devida  segurança – além de outros funcionários e funcionárias. 

“O que eu mais gosto de fazer no Vera é cuidar dos alunos, ficar de olho em neles. Estou registrado como inspetor de alunos, mas… faço de tudo” – disse Leo aos alunos do 8 ano. – “O Vera representa minha segunda casa, minha segunda família… gigante, né!?” 

 

CONTRATO DIDÁTICO ESCOLAR: COMO SE INSERE NO VERA CRUZ?  

 

Pode-se definir o contrato didático escolar como um conjunto recíproco de comportamentos esperados entre aluno e professor, sendo mediados pelo saber, conhecimento. Uma relação assimétrica baseada na moralidade e justiça. 

“Trabalho aqui há 19 anos como orientadora educacional. NEM MORTA eu falo minha idade! O meu trabalho é justamente estar junto aos alunos. Os recebemos no 6º ano e acompanhamos até o 9º. É um trabalho junto com os alunos, com as famílias, e com os professores.” – disse Maria do Carmo, orientadora educacional do atual 8º ano (2019), ainda complementando que adora os alunos, convivendo em um ambiente de respeito e liberdade que diz ser maravilhoso.  

Eduardo Liberman, do 7º ano, com doze anos e estudando no Vera Cruz há mais de 10, conta que “os professores ajudam bastante a gente quando temos dúvidas”, e, Ignacio Pacheco, do 8º ano, concorda:  

“A minha relação com os professores é muito próxima e de muito afeto. O Uirá (professor de Ciências Humanas) já falou que uma relação afetiva não necessariamente é uma relação de amor, e sim uma em que um afeta o outro. Acho isso muito interessante, porque a nossa relação com os professores não é só durante a aula, parece que a gente convive faz tempo com eles.” […] “O que eu mais gosto daqui é a relação aluno-professor. A gente é muito ‘próximo’ dos professores. Conseguimos esclarecer mais nossas dúvidas, conversar mais, e não ter medo de ‘parecer burro.’ A gente se abre mesmo.”  

Clara Altschuler, também do 8º ano, afirma que “O Vera é aberto para ideias, os professores sempre vão deixar você expressar sua opinião mesmo que seja ‘errada’ ou diferente da deles” e que gosta disso, porque “senão você fica com muito medo de falar para o professor as coisas que você ‘quer’”, e Helena Mariutti complementa: “Não é uma relação totalmente de autoridade que os professores têm com as crianças, é tipo uma ‘amizade com respeito’” […] “Eu gosto disso, de darem autonomia pra gente, você tem que tomar suas próprias decisões. Se você não fizer a lição… um beijo!” 

Os professores tratam os alunos com respeito, e vice-versa, o que proporciona essa relação de liberdade e confiança para se expressar e escolher, fazendo com que o aluno tome suas próprias decisões e lide com suas consequências, além de ser escutado e valorizado como indivíduo e cidadão, dentro ou fora da escola, independente de quaisquer capacidades ou condições. Os alunos têm voz. 

“TODA HORA MUDA” 

“O Vera Cruz muda o tempo todo. Está o tempo todo preocupado em se atualizar, em estudar… a gente não para de estudar, a gente não para de fazer curso. Os princípios básicos de respeito, de liberdade, de boa convivência, estes são os mantidos. Os princípios da Escola estão sempre mantidos, mas a forma de trabalharmos isso, toda hora muda.” – constata Maria do Carmo, mais conhecida como “Mamo”. E a professora de Língua Portuguesa, Marilda, completa dizendo que “O Vera está sempre vendo novos jeitos de atender a construção do conhecimento dos alunos”, e que pelo menos ela, a cada aula e mesmo em diferentes salas, muda o jeito. “Se vejo que não deu certo, eu vou atrás do que vai ajudá-los a entender melhor o conteúdo. Não fico só naquele padrão, igual para todo mundo, cada sala é uma sala. São dinâmicas diferentes, então o atendimento é individualizado nesse sentido.” 

Recentemente, a Escola recebeu um novo coordenador, Daniel, que chegou trazendo mudanças significativas. Uma delas foi a elaboração de um boletim com um formato inédito, contando com uma nova dinâmica que abrange um maior número de objetivos dados e conceitos a serem avaliados.  

“O que eu menos gosto no Vera é o novo formato do boletim. Não gostei, eu mudaria de volta.”- queixou-se Maria Eduarda Cardoso, 12, aluna do 7ºano. “Depois que o Daniel chegou, o boletim mudou, e acho que está meio confuso ainda” – condiz Clara. 

Nessa dinâmica de mudança constante, a escola implantou de uma vez por todas o uso da tecnologia na rotina de trabalho dos alunos. Isso foi motivo de frustração para uns, mas de felicidade para outros. 

 “Acho que a principal mudança foi a chegada dos computadores. Antes a gente ia lá na sala de informática.” – comenta Ignacio, aluno do 8o ano. Clara também destacou o uso da tecnologia no cotidiano dentro da escola: “Acho que hoje em dia estão usando muito mais tecnologia, então pedem muito menos pra gente entregar as coisas no papel. Não é muito fácil nem muito prático”. 

Um aspecto que o Vera dá muita importância é como a relação com o outro, não importa o quão diferente ele seja de você, é reconhecida e tratada. Dá enorme valor às amizades e à interação entre alunos de diferentes salas de aula. Em vista disso, a escola propõe uma mudança de classes de 3 em 3 anos, e há quem pense positivamente sobre a questão, assim como a presença do pensamento contrário:  

“Eu acabei perdendo muitos amigos, mas ganhei novos! Acho legal de conhecer novas pessoas e tal, mas, por outro lado, eu gostaria de ficar mais tempo na classe com meus amigos”. – diz Ana Ladeia Tavares, 11, aluna do sexto ano. 

POR QUE O VERA? 

“Não escolhi especificamente, eu conheci a escola, achei um trabalho desafiante, e que me mobilizou, eu falei: ‘vou trabalhar aqui’ e me encantei” – é a resposta de Marilda, que trabalha há mais de 30 anos na escola Vera Cruz, e conta também que desde que se conhece por gente, gostava de brincar de escolinha, porque via sua mãe (professora) e achava uma delícia corrigir, ensinar, sentindo, até hoje, prazer no que faz. Sua história na área, portanto, começa bem antes, e é um exemplo da paixão, ou sentimento, que cada professor e funcionário, dentro de sua particularidade, demonstra sentir estando naquele lugar. 

“O que mais me motiva para estudar aqui é a relação que eu tenho com meus amigos e o método diferenciado de ensino. Não foca só em ‘fórmula’, tem toda a parte de como você vai aprender, tem todo um processo e um caminho. Eu vejo que a gente não está aqui só para fazer ficha, e sim para se tornar uma pessoa” 

“Eu estudo aqui desde sempre, então tenho medo de estranhar muito se eu mudar de escola, e gosto muito do jeito que eles ensinam e dos professores, e também basicamente todos os meus amigos estudam aqui, então se eu mudar acho que vou ficar menos próxima, e eu gosto daqui.” 

“Nunca estudei em outra escola, então isso me motiva a ficar aqui” – relatam alguns estudantes da Escola, como prova de que há, dentro dela, uma real valorização à formação tanto dos alunos quanto dos professores como pessoas, cidadãs, seres humanos, e que se tem quem passe toda a vida estudando no mesmo lugar, é por algum motivo. 

ONDE MELHORAR? 

A escola demonstra estar sempre aberta para sugestões de como melhorar vindas de todos. Dessa maneira, muitas questões foram trazidas pelos estudantes:  

“Não concordo com o tempo de recreio (25 minutos). É muito pouco”. – Reclama Eduardo Liberman 

Já Helena Mariutti, critica a marcante presença da ideologia política presente nas aulas: “Com negócio de política assim, eu me irrito um pouco. Eu só conheço a direita por causa da minha família, porque o Vera só me apresentou a esquerda. Tudo que falam, falam sobre política, entendeu? Acho que não é tudo voltado para a política.” 

Mamo (Maria do Carmo) ressalta, também, que tem, juntamente com o resto da escola, um enorme desejo de despertar nos alunos o genuíno interesse pelo seu próprio desenvolvimento:  

“Me incomoda muito ter jovens que não se empenham naquilo que está sendo oferecido para eles, não fazem os trabalhos propostos, não se importam de não ter feito…”  

No mundo, há, aproximadamente, 258 milhões de crianças e adolescentes (1/6 do total) entre 6 e 17 que não frequentam a escola, e quantas delas dariam de tudo para estar no lugar desses jovens e dar seu máximo ali? É realmente frustrante, triste, ver toda essa oportunidade sendo tratada com tanta ingratidão e descaso por muitos que a têm e a vivem, e, além “do que pode ser melhorado dentro da escola”, trata-se de um problema de caráter não só nacional, mas mundial, e que, de certa forma, afeta todos, seja para o bem ou para o mal.  

“O que incomoda, às vezes, é ver que a educação pública é cada vez menos olhada com cuidado… Então esse tipo de educação me incomoda, eu acho que devia ser igual para todos, “ninguém” tem a oportunidade de estudar em uma escola como o Vera Cruz, em que estão todos os profissionais preocupados com a educação, E eu vejo que falta um olhar para a escola pública.” – relata Marilda.  

IDEB: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 

          https://avaliacaoeducacional.com/2016/10/09/comparacao-de-escolas-publicas-com-privadas/ 

Poder ter acesso à essa educação, seus valores e à formação maravilhosa do
Vera Cruz é, então, um enorme privilégio, que só é possível com o envolvimento e dedicação de todos os funcionários, professores e alunos. Apesar disso, não se pode ignorar o fato de que essa
oportunidade, é apenas para um grupo muito pequeno de pessoas que têm condições de pagar a alta mensalidade da escola, se comparado com a quantidade de crianças e jovens que precisam de estudo.

Assim, é preciso aproveitar e valorizar o espaço e o modo de educar e ensinar, 
em respeito à luta da maioria dos jovens que busca uma educação de
qualidade para ter um futuro melhor.

 

 

Fontes consultadas:  

https://site.veracruz.edu.br/inicio/ 

https://site.veracruz.edu.br/inicio/quem-somos#fastmenu  

https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-escola/ 

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_em_S%C3%A3o_Paulo  

https://cidades.ibge.gov.br/?sigla=sp&tema=educacao2007 

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-09/um-sexto-das-criancas-em-idade-escolar-nao-vao-aula-diz-onu 

 

Entrevistados: 

Marilda linda 💜- professora de Língua Portuguesa do 8º ano 

Maria do Carmo (Mamo) – orientadora educacional do 8º ano 

Leonel – inspetor de alunos  

Ana Ladeia Tavares – aluna do 6º ano 

Maria Eduarda Cardoso – aluna do 7º ano 

Eduardo Liberman – aluno do 7º ano 

Ignacio Pacheco – aluno do 8º ano 

Helena Smith Mariutti – aluna do 8º ano 

Clara Sander Altschüler – aluna do 8º ano 

As matérias publicadas neste blog são a última versão das produções dos alunos, após sucessivas revisões. Ainda assim, alguns textos podem apresentar algumas inadequações gramaticais, semânticas e/ou estilísticas, uma vez que nossa intenção foi respeitar o limite das possibilidades de cada autor/revisor.

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