A Decadência dos Juvenis

Matheus Martins

 

Certo dia, voltando da fazenda, meu local de trabalho, cansado mais que cavalo em dia de prova, roupa toda encharcada, a cabeça coçando, cheio de picadas. Estava indo para a cidade, o dia já entardecendo, estava dirgindo meu carro já velho, um EcoSport 2012, com a cor preta já amarronzada pelo barro levantado durante o caminho. No rádio tocava uma das minhas músicas prediletas, uma country lenta do jeito que gostava.

            No meio do caminho, olhava para os grandes terrenos agrícolas ao longe porém algo me chamou atenção, estava avistando também ali, um jovem menino aparentemente de 11 anos, sujo de barro e descalço, utilizando uma enxada para plantar, o quelil me chamou a atenção porque não havia nenhum adulto por perto. Isso me fez pensar, porque diabos um menino tão jovem assim estaria mexendo com a terra trabalhando na horta? Ah, e como isso me comoveu.

            É o mesmo pensamento que tive quando estava lendo o jornal certo tempo atrás…

            Em Guarulhos, perto de São Paulo, um garoto de 12 anos foi flagrado dirigindo um carro numa avenida mal iluminada, á noite e em hora de movimento. Os pés do garoto quase nem alcançavam o acelerador e o freio, e ele quase não enxergava fora do carro. A tia dele os estaria ensinando a dirigir.

            Ainda em São Paulo, um casal foi preso ao tentar comprar uma menina recém-nascida, filha de uma mulher que dizia não ter condições para criá-la. No rio, um homem também foi preso por “alugar‘‘ o filho de 4 anos por R$ 50 para um traficante.

Que mundo é esse em que estamos vendendo crianças igual um produto e ensinando-as coisas que só precisam entender mais para frente?

As crianças nessa idade possuem apenas duas tarefas principais; se divertir e estudar, elas não precisam se importar com as tarefas que apenas em sua fase adulta terão que realizar. Botar uma criança para trabalhar é um completo desrrespeito a sua faixa etária, elas não possuem  ainda corpo e cabeça o suficiente para aguentar as tarefas adultas. As crianças não podem serem tratadas como coisas, elas são gente, elas são nós.

            Deixa a criança brincar, deixa ela ser livre.

Oitavo Ano

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