BABU

♦ Alice Valdrighi Amaral Cohen

A veterinária havia chegado para tratar de Babu, um cachorro grande, conhecido em bandos por matar leão.

Ele tinha um corte profundo, precisava de pontos. Eu desci para ajudar. Babu precisava de mim. Eu era sua humana agora. Ele não tinha mais ninguém. Nem mãe, nem pai, nem seu humano. Seu humano era o meu avô, mas meu vô já está no céu. Meu vô já tinha sido levado e, naquele momento, morria de medo que Babu fosse tirado de mim também. Contava o espaçamento de sua respiração, enquanto o acariciava.

Babu não tem mais ninguém. E desde que isso aconteceu, ele tem a mim. Agora, eu sou seu humano.

Quando a veterinária foi embora Babu continuava dormindo, ele estava coberto, roncando.

Fui trabalhar.

À noite, voltei com a minha mãe. Ele estava ofegante, sentado, com dor, com medo dos fogos. E devia estar com saudades do meu vô, mas aposto que naquela noite, meu vô desceu para ajudar Babu a dar os passos que conseguiu dar.

Agora, Babu estava menor. Suas patas não o sustentavam direito. Ele estava inquieto. Tentamos ajudar.

Ajudamos.

Eu morria de medo que no meio daquela ofegância Babu desse seu último suspiro. Não deu. Subimos.

Parece que o corte era mais profundo do que imaginávamos.

Desde que meu vô se foi, há mais de um ano, o corte começou a se formar. E hoje se estourou. Precisou de pontos. E agora, eu sou seu humano. …

 

Oitavo Ano

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