UM POUQUINHO SOBRE O FACEBOOK

Renato Goulart nos Conta Como Funciona esta Febre Mundial, que Virou o Facebook

imagem-fefe-e-mafe♦  Maria Fernanda Cury e Fernanda Ventura

 

 VC: Sabemos que para fazer o Facebook funcionar, uma equipe de designers, engenheiros, gerentes e administradores trabalham todos os dias para manter tudo do melhor jeito possível. Qual é o seu cargo e em qual área você atua?

RG: Nós dividimos o Facebook basicamente de duas formas: uma é o pessoal mais técnico e a outra é o pessoal de negócios. Então eu trabalho na parte de negócios. O pessoal mais técnico fica na sede lá na Califórnia, então todos esses outros escritórios do mundo são escritórios de negócios e negócios envolvem várias coisas: vendas, pois o Facebook vive de anúncios, então a equipe de vendas é a de anúncios e eu trabalho na parte de negócios com os parceiros, que são empresas que desenvolvem tecnologias pra que os anunciantes consigam fazer Market mais facilmente no Facebook e é isso que eu sou responsável na América Latina!

 VC: Sabendo-se que para trabalhar no Facebook, é preciso ser criativo, inovador e ter familiaridade com a tecnologia. Você considera essas três características como tendo te motivado a entrar na empresa?

RG: Eu acho que o Facebook mudou a forma que as pessoas hoje se interagem no mundo. Então nós usamos o Facebook no Brasil, dependendo da sua classe social, de uma forma muito simples, para nos comunicarmos com a família, com amigos…Mas existem muitas pessoas que o Facebook mudou a vida, por exemplo: você pega comunidades, a pessoa começou um pequeno negócio, onde fazia atendimentos pelo Facebook, então hoje em dia já é algo muito bom pra ele, então eu acho que esse conceito do Facebook mudar um pouco o mundo, o deixa mais aberto e transparente como agente diz, foi o grande motivador. Quando a pessoa entra aqui ela tem que estar acostumada a não entrar em um local de trabalho que é uma rotina estável, é sempre uma surpresa diferente todo o dia e a gente tem aqui alguns slogans. Um deles é ‘’Move fast and break things”. o que ele quer dizer com isso é: ‘’faça as coisas primeiro, depois pense em corrigir os erros”. Então a pessoa que esta aqui dentro, tem que ter essa cabeça de não querer trabalhar com uma rotina muito especifica, de fazer mil coisas ao mesmo tempo.

 

 VC: Atualmente o Facebook é a rede social mais popular e atinge diferentes faixa etárias em diversas partes do mundo. Você poderia nos explicar como tudo funciona?

RG: O Facebook é a maior rede social do mundo nos países que dão acesso à população. Então se você imaginar a China, por exemplo ela tem uma população gigantesca que não tem acesso ao Facebook. Eles tem uma rede social que se hoje fosse aberta pro mundo ela seria maior que o Face, isso é para nós termos uma ideia de proporção. Vamos considerar os países que tem acesso. Então, realmente para os países que tem acesso é rede social maior do mundo, em termos de pessoas trocando informações. O Face, hoje não é só o aplicativo Facebook no celular ou então no computador, nós também somos instagram, whatsapp, Messenger… Fomos realmente adquirindo outras empresas e nós, hoje, englobamos a maior parte de usuários no mundo de comunicação.

 

VC: Tendo uma base de dados tão grande e variada, o Facebook pode testar e desenvolver tecnologias sofisticadíssimas. Você poderia nos citar algumas? E explicá-las?

RG: Uma tecnologia que lançamos recentemente: temos o aplicativo Messenger, que tem como ideia conversar com pessoas e geralmente o Messenger é utilizado para uma comunicação de 1 para 1. Agora começamos a desenvolver algumas coisas dentro do Messenger que você não precisa sair dele para fazer, por exemplo: supomos que você esteja conversando com a sua mãe e fala: “mãe, vamos viajar para a Bahia?”, então ela responde: “ah, vamos ver!” Você pode ver dentro do próprio Messenger entrando na disponibilidade “passagens da TAM’’, você já faz a busca dentro do Messenger na própria conversa que você esta tendo com a sua mãe. Vocês duas compram a passagem ali e o bilhete já é emitido ali. Na época que for pra você viajar, a TAM entra no seu Messenger e avisa o dia da sua embarcação e disponibiliza o seu cartão de embarque. Então facilitou e centralizou tudo ali no Messenger, então isso é um exemplo de tipo de inovação a ser lançado.

 

 VC: De acordo com o Facebook, diariamente são registradas 600 mil tentativas de invasão de contas cadastradas na rede social. Que recursos que vocês podem utilizar para evitar com que isso aconteça?

RG: Eu acredito que tenham duas coisas. Uma é nós como empresa tentarmos proteger os dados, obviamente que realmente é um problema grande no mundo todo, não só no Facebook, o google passa pelo mesmo problema e o twitter também. Então temos uma equipe de pessoas que possuem a função de ficar 24 horas por dia monitorando para ver se não há ninguém tentando invadir. Inclusive, temos alguns incentivos em mercado que é o seguinte: abrem uma competição e quem conseguir invadir ganha um tanto de bônus, alguém de fora da empresa. Esses dias foi um menino de 12 anos que conseguiu entrar e avisou antes. Falou: ‘’Ó, deu um problema aí!” E o cara repondeu: “Não, magina, cê ta doido?” e o menino falou: “Então vou te mostrar!” e começou a entrar no Instagram do cara que era responsável pela segurança da rede social e mostrou pra ele que realmente tinha uma debilidade. Então existe toda uma equipe no Face que monitora isso, mas também tem o lado do usuário, então sempre recomendamos ao usuário a usar uma senha que não é óbvia, por exemplo a data de nascimento ou apelido, pois quem for tentar entrar na sua conta, vai tentar senhas óbvias. Se você estiver usando um computador público, sempre de o log out da aplicação, porque se não fica lá guardado e a pessoa entra no seu. Então sempre tem os dois lados, tanto o usuário para se proteger, quanto o Face também ficar protegendo o usuário.

 

VC: Além de ter recorde de acessos de dispositivos móveis, o Facebook tem 1,3 bilhões de usuários. Isso representa mais que a população da Índia e 1 bilhão se usuários a mais que o twitter. Como vocês conseguem armazenar toda essa quantidade de usuários?

RG: O Facebook e todas essas empresas que lidam muito com informações, tem o que a gente chama de “survey forms’’, então são verdadeiros complexos de prédios mesmo que tudo o que existe dentro desse prédio são servidores de armazenamento. Por exemplo, o Facebook recentemente construiu um na Islândia, que é um lugar frio, porque o lugar fazendo frio, nós não teríamos que consumir ar condicionado que é ruim pro meio ambiente, então nós temos estruturas próprias pra isso.

 

 VC: O Facebook foi fundado por Mark Zuckerberg e por seus colegas de quarto da faculdade, Eduardo Severin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes. Você tem ideia de como essa ideia surgiu?

RG: Sim, ela surgiu da seguinte forma: eles primeiro começaram com uma brincadeira que era assim: Quem era mais bonita que quem na faculdade e acabavam comparando as fotos das meninas e um votava que sim e o outro não. Eles viram que isso teve um apelo muito forte na faculdade, então foi assim que começou a surgir a primeira ideia das pessoas interagindo com informações em comum e já era um aspecto social, porque beleza em comparação com a outra, já é algo social. Foi surgindo a partir dessa brincadeira, e foram desenvolvendo essa ideia cada vez mais.

VC: Como já vimos antes, a rede social foi desenvolvida pelos estudantes de uma universidade e tinha como público de alcance os estudantes da própria universidade inicialmente. Porém, logo diversas pessoas de fora do público almejado aderiram à essa inovação. O que você acha que despertou interesse das pessoas a começarem a usar o Facebook? E qual você acha que é o diferencial da rede social?

RG: Eles começaram primeiro por Harverd, onde eles estavam estudando, mas só tinha acesso quem o iMail tinha alguma coisa @harverd.edu, então realmente primeiro foi limitado à Harverd e isso já criou um certo interesse em pessoas de fora, já que era um grupo seleto. É aquela coisa, o que você não pode ter é o que você quer. Os estudantes começaram a expandir para todos que estivessem nos Estados Unidos o endereço @ o nome da faculdade.edu e isso foi tomando proporção, então as pessoas de fora que não estavam em nenhuma faculdade também queriam entrar, e consequentemente isso, de uma certa forma, acho que não foi muito pré-planejado, essa vontade dessas pessoas que estavam de fora entrarem, porque ficou uma coisa meio exclusiva, então acredito que aconteceu um acaso e isso foi o que gerou cada vez mais interesse. Eu acho que o principal diferencial é que quando você se cadastra no Face você tem que por os seus dados verdadeiros, por exemplo, eu vou lá e não consigo me cadastrar igual ao que eu poderia fazer em outras redes sociais. Então ele pede nome e sobrenome e com o tempo ele vai confirmando se é verdade o que você pôs, por exemplo, o Renato é irmão da Bianca que é irmã do Cassiano e mostra que eles conversam entre si e me chamam de Renato, então existe uma confirmação. O Facebook utiliza identidades reais o que é muito diferente das outras empresas, quando você está conectado no seu telefone, o face sabe identificar que é você, pois a identidade que você usou é real. Então acho que o grande diferencial desde de o inicio foi essa identidade real da pessoa.

VC: Última pergunta. Nota-se que o Facebook investiu em muitos projetos inovadores, vocês tem algum novo projeto em mente?

RG: Mas já?!! (risos). Olha, o Face tem uma iniciativa que chama internet.org. A internet.org, você estava falando que os usuários no mundo são 1.3 bilhões, mas isto representa em termos da população mundial, uma parcela muito pequena. E a grande verdade não é que as outras pessoas não queiram tê-lo, é porque não tem acesso. E muitas vezes, é em virtude da pessoa nem ter o telefone ou não ter nem a linha de dados. Então o Facebook começou a desenvolver algumas tecnologias para conectar as outras pessoas que não tem essas oportunidades. Esta internet.org é mais ou menos esta iniciativa. E um dos desafios, por exemplo na Índia, tem muita  parte da Índia (áreas rurais), que não se tem poste de telefone passando fio, então o Face desenvolveu uns “drones” que ficam voando a cima do avião comercial, mas abaixo do satélite e ficam parados no ar transmitindo dado de internet via lazer para essas regiões.

Oitavo Ano

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *