Mundo cego

♦ Ana Carolina Roso

Sentada no banco descascado do bar, eu estava. Sozinha. Esperava o bom moço trazer meu lanche para viagem. Assim que este me entregou uma das refeições que teria naquele dia, me levantei e sai vagarosamente do lugar. Feito isso, trombei com um senhor deitado na calçada, que pedia comida, desviei subitamente e continuei andando.

Logo que cheguei em casa, sentei-me no sofá, liguei a televisão e em seguida a desliguei, não queria ver novamente, as catástrofes das novelas. Então, apenas fiquei em silêncio, pensando no homem que havia visto. Por que estava ali, se torturando com o cheiro da comida? Por que não tentava andar, para ativar, pelo menos um pouco, o corpo? Acho que é arrogância minha pensar assim. Todavia, essas questões sociais presentes no mundo, me deixam extremamente irritada.

Às vezes penso como seria se eu estivesse no lugar daquele pobre senhor. Presumo que morreria assim que nascesse. Não levo jeito para pedir esmola, muito menos comida com certeza teria de viver em um lixão, para me alimentar de restos… porém, provavelmente, ficaria doente e não sobreviveria nestas condições!

Me ajeito no sofá, e continuo.

Certamente, teria de comer vidro, assim como descrito em um livro que recentemente li, da Eliane Brum. Assim, o Brasil de olhos fechados me veria, ganharia dinheiro e teria de ir no mercado comprar meu alimento. Mas o que compraria? Uma 7 belo? Ah, que pobreza!

Viro, olho no espelho e me pergunto: “Quando virei esta pessoa nojenta?”. Devia ter dado meu lanche para o singelo homem….

Oitavo Ano

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