UMA EPIDEMIA FORA DO CONTROLE

♦ Luiza Salomão Linardi e Thiago Vianna Nonino

Em maio de 2015, foi confirmado, pela primeira vez, a epidemia de uma nova doença com sintomas similares da Dengue: a Zika, doença transmitida através do mosquito Aedes aegypti e a febre Chikungunya, transmitida pelo mesmo. Acredita-se que o mosquito foi trazido para o Brasil na Copa do Mundo de 2014, com estrangeiros da África e da Ásia,países atingidos pela doença. O vírus se alastrou na mesma região onde ocorreu a febre Chikungunya e, em outubro, atingiu a Colômbia. Outros países da América Latina, como o Caribe, também foram contaminados em meados de novembro e dezembro. Alguns casos isolados foram confirmados, relatando a contaminação na Europa e nos Estados Unidos.

O vírus foi descoberto pela primeira vez em 1947 na floresta “Zika”, em Uganda, na África. A primeira epidemia ocorreu em 2013 e acredita-se que ele chegou no Brasil por volta de 2014, onde se alastrou muito rápido, principalmente em territórios mais tropicais.

A doença

Sabe-se que o vírus “Zika” é transmitido através do mosquito Aedes aegypti, também responsável pela transmissão da Dengue e da Chikungunya, mas há outros meios de transmissão. O leite materno também é um dos condutores da doença, enquanto que, a mãe, já infectada, transmite a doença aos filhos através do leite ingerido nos primeiros meses. Também há casos em que o vírus passa de um indivíduo ao outro através do sangue, quando ocorrem doações. Há ainda um outro meio que é pelo líquido interno de uma gestante, a doença é transmitida enquanto o indivíduo ainda está no útero, porém essa transição ainda não é comprovada.
Os principais sintomas da doença são febre baixa, dores nas articulações, ou musculares, conjuntivite e erupções cutâneas. A suspeita se inicia após o momento em que o indivíduo apresenta a febre baixa e as erupções. A partir desse, os outros sintomas servirão como uma comprovação na investigação. Outro sintoma evidente são as manchas no corpo, geralmente vermelhas que vão se alastrando rapidamente, chamando uma maior atenção do sujeito para a procura de um médico. Também podem ocorrer diarreias, dores abdominais, fotofobia e outras coisas.
O tratamento do vírus Zika é sintomático, ou seja,  não existe um remédio para doença, e sim para os sintomas que a acompanham. Os profissionais de saúde indicam analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar as dores. É muito importante manter-se sempre atento em relação à medicamentos, principalmente em casos como a Zika e a Dengue, pois é comprovado que  o ácido acetilsalicílico pode causar sangramentos e ser muito prejudicial. Mas como todo cuidado é pouco, o melhor a fazer é procurar um profissional de saúde. Durante o período febril, o paciente deve manter-se em um mosquiteiro, para evitar uma maior transmissão. Entre 4 e 7 dias, os sintomas desaparecerão espontaneamente, sendo comum que sintomas mais prejudiciais, como febre, sejam os primeiros a desaparecer.

Doenças interligadas

A Zika em si não é o único problema, com ela são trazidas muitas outras doenças e deficiências. A mais notificada dessa epidemia, é a Microcefalia, doença na qual a capacidade mental da criança é abaixo da média para a idade e sexo, o que pode causar atrasos mentais. Geralmente é diagnosticada logo nos primeiros meses, já que se dá a má formação da cabeça, seja durante a gestação, ou nos primeiros anos de vida. Essa má formação é prejudicial ao desenvolvimento intelectual, de coordenações motoras e o equilíbrio. Geralmente é causada pela contaminação do vírus Zika durante a gestação, quando a grávida é infectada pelo mosquito. No Brasil, desde 2010, até os tempos de hoje, foram notificados mais de 282 casos, e em 2015 mais de 1146 suspeitas surgiram. Embora haja tratamentos para melhorar a qualidade de vida, não existe cura para a doença, mas é esperado que até 2020 esse número diminua.

O combate à epidemia

O Brasil não é o único país a enfrentar uma epidemia. O vírus circula em aproximadamente 30 países, sendo eles os principais da América Latina e no Caribe. Sendo assim, foi formada uma união entre Estados Unidos e Brasil para combater essa epidemia. Segundo o diretor do centro de controle de prevenção de doenças, Tom Frieden, “a prioridade agora é reduzir o risco para as mulheres grávidas, para que possam proteger a sua saúde e a de seus bebês”, para podermos preservar a geração futura. O Estado Unidos junto com entidades científicas brasileiras tem como maior objetivo desenvolver uma vacina contra tal doença. Segundo o embaixador Luís Alberto Figueiredo Machado, essa união já vinha acontecendo desde o período em que a dengue era maior preocupação, e que o aumento dessa cooperação ajudará ainda mais nesse combate.
Entretanto, a falta de preparação em postos de saúde para combater esse tipo de doença é grande. “Não encontramos profissionais que queiram prestar o serviço pelo SUS, e é esta a tabela que a gente pode pagar”, explica a enfermeira Ana Maria Lino. Além disso, as farmácias estão, em uma grande maioria, com falta de repelentes para a proteção contra os mosquitos.

Como estão os outros países em relação a essa epidemia

Alguns países já não se consideram mais a doença em estado de epidemia, pois o número de doentes está abaixo de uma “média” que se considera. O primeiro país da América a declarar fim da epidemia foi a Colômbia, que, segundo o vice-ministro Fernando Ruiz, diminuiu os casos da doença de 1000 para 600 por semana. O previsto no início da epidemia era de que os casos chegassem a ser 450.000, porém durante a epidemia só ocorreram 99.721, o que é “bem menor”, afirma o vice. Ele concluiu a coletiva dizendo que o vírus entrou numa fase endêmica, onde seu número de casos permanecerá estável e muito pequeno.

Oitavo Ano

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *