SUPERVISORA ADMINISTRATIVA AJUDA NO COMBATE CONTRA O H1N1 EM ESCOLA

♦ Lorena Menezes Gadotti e Rodrigo Martinez Gotardo

A instituição educacional Vera Cruz tem uma mulher que trabalha na escola há vinte anos, Ana Lúcia Farias e Silva Azevedo do Amaral, 72. Ela começou sua carreira na administração do colégio, e continua no mesmo cargo, Supervisora Administrativa. Ana Lúcia é uma parte muito importante para o andamento da unidade na qual trabalha, e, consequentemente, é essencial no combate contra doenças no território escolar, neste momento, a gripe H1N1. Ela tomou decisões cruciais para a redução da contaminação da gripe. Nesta entrevista, Ana Lúcia responde algumas perguntas sobre a posição da instituição e as medidas contra a epidemia atual que ajudou o Vera Cruz a tomar.

VeraCidade: Você já está no Vera há 20 anos.  Como foi o processo de seleção que você passou para ingressar na instituição?

Ana Lúcia: Como todo mundo: a gente manda o currículo. Eu já tinha recomendação de uma prima que trabalhava aqui e sempre trabalhei na parte administrativa. Aí só fiz um teste e passei.

VC: Quem são as pessoas subordinadas a você?  Quais são as estratégias utilizadas para manter esse grupo em harmonia?

AL: São todos os serventes, o pessoal da manutenção e do apoio pedagógico, os porteiros e todos que trabalham na copa. Para mantê-los em harmonia é difícil, mas uma vez por semana, uma vez por mês, eu reúno todo mundo para ver o que eles estão fazendo, por que e o que tem para melhorar… Se alguém tem algum problema, aquelas brigas de mulher, eu chamo e faço esclarecerem na minha frente. É sempre importante ter contato com eles e sempre estar conversando.

VC: Sabemos de sua importância para o andamento da instituição.  Com a sua ausência, quem responde por você?

AL: Normalmente eu tenho uma pessoa acima de mim, que é a gerente geral. Aí eu peço pra encaminharem pra ela se for algo mais sério, ou, se for alguma coisa mais fácil, peço pra Amélia ou pro Leo resolverem.

VC: Recentemente, tivemos um surto de H1N1. De acordo com balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, até dia 12 de abril, foram contabilizados 715 casos da doença. Quais foram as medidas tomadas pela escola para evitar a propagação dessa doença?

AL: O Vera fez o que sempre faz: a desinfecção da escola, que é passar álcool mais vezes em todos os lugares onde os funcionários e alunos tocam, e aquela história da água, que no começo a gente desligou os bebedouros e distribuímos copos descartáveis. Depois de um tempo, os copos passaram a ser desperdiçados, paramos de distribuí-los e mandei fazer aquele bico especial para o bebedouro. Até pedi para espalharem cartazes pela escola pedindo para os alunos trazerem garrafinhas, e mesmo assim poucos trazem.

VC: A capital paulista já registrou, proximamente, 17 mortes por gripe A (vírus H1N1) em 2016.  A escola registrou algum tipo de contaminação?

AL: Teve só um caso de uma criança que teve essa gripe, mas não teve nada muito forte e sério.

VC: Notamos que foram instalados álcool gel em todas as salas de aula e bebedouros de água mineral em todos os andares. Quais outras medidas adotadas pela instituição para evitar a contaminação de H1N1 entre alunos e profissionais?

AL: Nenhuma. O básico a gente já fez, por álcool em gel em todas as salas, a desinfecção da escola. A gente também faz dedetização periodicamente, mas essa para gripe não resolve muito né?

VC: Para a prevenção de contaminação, o Vera distribuiu copos descartáveis. Você tem o número aproximado de copos utilizados?  E como fica o meio ambiente com tanto desperdício?  A instituição acredita que está valendo a pena esse investimento?

AL: Eram usados por dia, mais ou menos, 2500 copos. O que é um absurdo. Por isso, nós resolvemos que não íamos distribuir mais, porque a maioria não dava pra reciclar. Aí o meio ambiente também sofre né? Mas o Vera acredita que o investimento valeu a pena.

VC: Para alunos que estão na área de risco, vocês deram algum conselho ou conversaram com os responsáveis para que os mesmos tomassem as devidas precauções?

AL: Essa parte de conversar com pais não é da minha alçada, mas eu acredito que as orientadoras e as coordenadoras, não tenham falado pessoalmente, mas mandado um e-mail explicando como combater e para não levar a criança para lugares fechados, principalmente crianças pequenas.

VC: Sabemos que a escola disponibilizou vacinas para todos os profissionais. Outras escolas vacinaram também os alunos. Por que a nossa instituição não adotou esse método?

AL: Porque a gente conseguiu as muito poucas ampolas, tanto que não deu pra vacinar todo mundo, tiveram funcionários que nem tomaram e nem quiseram. Então não conseguimos vacinar o aluno pela falta de ampolas, e até porque não sabíamos se os pais queriam ou não vacinar. Mas todo ano a escola tem campanha de vacinação.

VC: Já que trabalha aqui no Vera Cruz há muito tempo, acha que podemos comparar essa situação ao caso da “gripe suína” que aconteceu há uns anos, em relação a recursos?  O cancelamento de aula, naquela época, foi determinado por cada instituição ou foi uma ordem do Ministério da Saúde?

AL: O que nós fazemos toda vez que tem esse tipo de epidemia é igual. Em 2010 só que o caso foi mais grave, então a aula foi cancelada na unidade dos pequenininhos. Mas aqui no ¨Verão¨ as medidas foram iguaizinhas as de agora, porque não tiveram tantos casos de gripe aqui na escola. As regras continuam as mesmas porque foram impostas pela instituição, já que o Ministério da Saúde não expressou nenhuma ordem.

VC: Se você fosse a única encarregada de tomar as medidas necessárias para a prevenção contra a gripe, o que faria de diferente?

AL: Nada. Acho que não faria nada de diferente. Porque aqui na escola já foi feito tudo o que era possível. A criança não fica só na escola né? Tem outros ambientes em que ela vive e faz suas atividades e, aqui no Vera, já fizemos o que estava ao nosso alcance.

VC: Os alunos do nono ano vão para Minas.  Em agosto, será a vez dos alunos do oitavo ano.  Nós iremos para Cananéia e Ilha do Cardoso.  Tendo em vista a situação que estamos vivendo, mudou alguma coisa em relação à organização desses estudos?

AL: Do nono ano não, não mudou nada. A única coisa solicitada pela escola é que nenhuma criança com febre, gripada ou com qualquer sintoma, por mais fraco que seja, viaje conosco porque é uma maneira de transmissão.  Mas como eu não organizo a viagem do oitavo ano, e sim uma agência, eu não tenho certeza se mudou alguma regra ou medida.

Oitavo Ano

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