LUCIANA CESTARI, INTEGRANTE DO GRUPO BARBATUQUES

♦ Camilla Molteni Corbellini & Manuela Cestari Giorgi

VeraCidade: Sabemos que todo caminho até atingir o reconhecimento do público é árduo. Qual foi o maior desafio da banda?

Luciana, no dia 23 de Novembro em 2014 em Milão (Itália)

LC: Como a gente faz uma coisa muito diferente, que é fazer som com o corpo, oque que quase  ninguém  faz, eu acho que o maior desafio foi seguir fazendo shows e tal para mais pessoas irem cada vez conhecendo mais, porque no começo quase ninguém conhecia, quando a gente ia fazer, as pessoas achavam meio esquisito e tal… então eu acho que o maior desafio foi permanecer fazendo até ganhar mais público.

VC: Vocês definem a atividade do grupo como produção de música orgânica, utilizando o próprio corpo como instrumento. De quem foi a ideia de formar uma maneira tão singular de fazer música?

LC: A ideia foi do Fernando Barbosa, que é inclusive ex-aluno do Vera Cruz, estudou no Vera comigo, e ele é músico, fez faculdade de música na UNI Camp, toca guitarra muito bem, só que ele começou a batucar com o corpo e fazer sons e ritmos… ele tinha já uma escola de música onde dava aulas, e começou a juntar um grupo de pessoas pra brincar de fazer sons com o corpo e improvisar… e ai, com isso, ele foi criando músicas que usassem só os recursos do corpo e ai foi atraindo mais pessoas pra linguagem que ele criou, então na verdade, tudo isso foi o “Barba” que desenvolveu, por isso o nome da banda é “Barbatuques”: Barba é o apelido dele e “tuques” vem de batuques.

VC: Toda conquista é singular. É difícil citar uma que tenha sido mais importante que a outra para a banda?

LC: Eu acho difícil citar uma que tenha sido mais importante, eu acho que todas foram muito importantes né, o reconhecimento nas trilhas sonoras, ou na Fox Films de terem chamado a gente. Quem indicou a gente foi a Maria Gadu então, você vê que uma cantora que a gente nem sabia que conhecia a banda acabou indicando a gente para o diretor de “Rio 2”… também quando nós fomos pra Europa na Itália, quem indicou a gente foi o Bobby Mcferrin, que é um músico muito famoso no mundo e que trabalha também com o corpo, então a gente foi percebendo que nós tínhamos mais destaque até do que a gente imaginava ter, eu, por exemplo, fiz faculdade de música e na faculdade os professores citavam o Barbatuques como um grupo muito original, então todos esses reconhecimentos foram vindo com o tempo e, foram somando pra gente, dando força pra gente continuar fazendo música.

VC: Como é a relação entre vocês?

LC: É muito boa, a gente se conhece há muitos anos. Eu por exemplo, conheço o Barba desde 12 anos, desde a época do Vera, e muitos outros eu conheço há muito tempo também, quando eu tinha 19, 20 anos e tal. Todos nós nos damos muito bem, nos respeitamos; é claro que tem brigas, por exemplo, nos ensaios, todo mundo quer falar uma coisa ao mesmo tempo, querem dar opinão e dar ideias, e as vezes demora um pouco pra gente chegar em uma opinião da maioria, que todos aceitamos que é melhor. As vezes demora mais tempo porque somos em 15, então todo mundo dando opinião, as vezes até a gente chegar na ideia que a gente quer, demora bastante, dá trabalho, cansa. Enfim, mas vale a pena todo mundo é muito legal, todo mundo é muito amigo.

VC: De todas as apresentações realizadas pelo grupo, qual delas teve um maior número de pessoas?

LC: Eu acho que foi a que eu grupo participou, mas eu não estava, na final da Copa do mundo da África então acho que teve muita gente assistindo. Foi a maior projeção até agora.

VC: Sabemos que o Barbatuques percorre o Brasil e  exterior. Qual é o público alvo da banda?


VC
: Sabemos que a produção de um álbum é difícil e muito trabalhosa, levando em conta que vocês já realizaram quatro, qual álbum foi o mais difícil de formular?LC: O público alvo da banda, é gente que gosta de música mais instrumental e brasileira , fora do Brasil tem um público grande, a gente já tocou em mais de 20 países ao longo do mundo, como Espanha, França Alemanha, Suíça… Ou seja, acho que fora do Brasil, o público também gosta muito de música brasileira e se interessa por ela. E a banda também tem trabalhado com as crianças, aqui no Brasil eu acho que tem bastante público.

LC: Foram quatro até agora…O mais difícil? Acho que cada um tem uma particularidade, o “Tumpá”, por exemplo, a gente fez show antes, então já estávamos fazendo show, a muito tempo e aí gravamos tudo em uma semana. Vai para estúdio fica lá direto gravando. O “Auí” que foi o último que a banda gravou, gravamos em partes. Então cada um teve seu processo é, acho que não teve o mais difícil. Todos são difíceis, mas ao mesmo tempo interessante é muito gostoso gravar um CD.

VC: Como foi a experiência de criar uma trilha sonora para o filme infantil Rio 2?

LC: Foi maravilhoso. A gente não esperava que fosse chegar lá em Hollywood… um dia eles que vieram atrás do Barbatuques porque eles gostavam da música “Baianá”. A Maria Gadú que indicou a música para eles, já que queriam uma coisa com a cara do Brasil e bastante percussão. Eles queriam essa música, “Baianá”, mas por um problema de licenciamento para editora da música eles quiseram que é a gente fizesse uma trilha nova para o filme e bem parecida com a música “Baianá”, mas com uma letra diferente e outro ritmo. Foi muito emocionante ir ao cinema e ouvir a música lá no cinema.

VC: Vocês se inspiraram ou se inspiram em outro grupo musical?

LC:  Sim. Acho que o Estompé, um grupo que faz música com corpo e objetos é uma inspiração; o “Gambuts”, um grupo da África que fazem som batendo nas botas também é legal de se inspirar. A gente se inspira em músicas de outros países, mas nenhum grupo especial. Então o grupo se inspira na música brasileira na flamenca, na música africana…

VC: Como você sente que a apresentação foi boa?

LC: Quando publicou fica feliz e participa, quando público está mais quente e quando a gente acerta. É muito importante quando os músicos se ouvem para podermos ficarmos inseguros com o que estamos fazendo. A parte do microfone tem que ser bem-feita, para que possamos interagir e produzir o resultado musical que a gente considera bom, e, então, quando há essa troca entre o público e a banda, sentimos que foi uma boa apresentação.

VC: A sua influência pela música, também está presente na vida de suas filhas?

LC: Está muito presente na vida de minhas filhas. A minha filha mais velha toca violão e canta muito bem, a minha filha pequena adora música também. Ela parou agora de fazer aula, mas ela tem bastante ritmo, já fez aula de piano. Elas gostam muito de música, a gente ouve muito em casa… espero que elas sigam fazendo, não profissionalmente se não quiserem, mas para vida delas porque é sempre bom cantar, dançar, tocar… isso faz a gente feliz né?

Oitavo Ano

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *