A ASTRONOMIA NA VISÃO DO BRASILEIRO JOÃO STEINER

♦ Alice Valdrighi Amaral Cohen e Felipe Neves Meirelles

João Envagelista Steiner é um renomerado astrofísico brasileiro. Atualmente é professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP. Ele é um ativo organizador e gestor de ciência e um obsessivo batalhador pela melhora das condições de infraestrutura dos estudos astronômicos no Brasil. Steiner já participou de uma série de trabalhos em prol da astronomia brasileira: a modernização do Observatório Pico dos Dias, a criação do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a participação no consórcio dos observatórios chilenos Gemini e Soar.

VeraCidade- Astronomia significa a Ciência que estuda o universo, espaço sideral, e os corpos celestes, buscando analisar e explicar sua origem, seu movimento, sua constituição, seu tamanho dentre outras coisas. Sabemos que esse tema interessa a muitas crianças. Esse interesse surgiu em você também?

João Steiner- Em mim este interesse sempre existiu desde criança. Mas foi no segundo grau que o interesse aumentou a ponto de eu ter construído um telescópio.

VC- A sua formação é em física, astronomia e astrofísica. O que exatamente você faz?

JS- Eu fiz bacharelado em Física, mestrado e doutorado em Astronomia. Tudo pela USP. Depois fiz pós-doutorado em Harvard.

VC- Quando estava escrevendo seu livro “Fascínio do Universo” como você se sentiu? Foi difícil o processo como um todo?

JS- A ideia do livro era atingir os jovens. Para isso é necessário uma linguagem adequada, sem o jargão científico que recheia nossos textos. Essa foi a dificuldade maior.

VC- Qual tema dos que você estuda acha mais interessante?

JS- O tema mais interessante para o cientista é sempre aquele que ele está estudando…. No meu caso, a natureza dos núcleos das galáxias.

VC- Sabemos que está participando de um imenso projeto que é a construção do telescópio Magalhães. Como tem sido isso? Como você se sente participando de um projeto tão grande como este?

JS- Já participei da construção dos telescópios Gemini (dois telescópios de 8 metros) e do telescópio SOAR (de quatro metros). Agora estou envolvido com o GMT, que é de 25 metros! As dificuldades parecem crescer com o quadrado do diâmetro do telescópio!

VC- Dentre todas as funções exercidas por um astrônomo, qual delas você considera a mais interessante em ser um astrônomo?

JS- Acho que a ideia de avançar a fronteira do conhecimento do universo e, portanto, da natureza.

VC- Quais são seus principais temas de pesquisa?

JS- Eu pesquisei por muitos anos a estrutura de sistemas binários em que há troca de massa entre as estrelas. Agora estudo os núcleos das galáxias onde há quase sempre um buraco negro supermassivo, às vezes ativo, às vezes não.

VC- Sabemos que cada descoberta é singular. Mesmo assim, existe uma que se destaca de outras. Qual delas você considera que tenha sido de maior relevância no mundo da astronomia?

JS- Penso que foi a descoberta de que a grande parte dos núcleos das galáxias (as que são chamadas de LINERs) contém um buraco negro supermassivo, o que não era sabido.

VC- Como você se sente trabalhando em uma profissão que tem literalmente o universo de possibilidades?

JS- Essa é a ideia que me fascina desde os tempos de estudante: o Universo é o maior laboratório de física que existe!

VC-Você sugere alguma obra, filme, série ou artigo sobre astronomia que seja interessante?

JS- Há, hoje em dia, muita coisa na internet que coloca o conhecimento às mãos de todos. O difícil, às vezes, é separar o conteúdo bom do medíocre.

VC- Sabemos que após sua pós-graduação em Harvard e seu trabalho no instituto Smithsoniam, sua visão de como fazer ciência mudou radicalmente. O senhor poderia nos explicar por que e como isso aconteceu?

JS- O ambiente lá foi surpreendentemente efervescente. Isso me motivou muito e abriu os meus olhos para novas formas de trabalhar e organizar as instituições e os grupos de pesquisa.

VC- Quando voltou ao Brasil, em 1982, sabemos que você tornou-se um obsessivo batalhador pela melhora das condições de infraestrutura dos estudos astronômicos. Quais foram as suas conquistas?

JS- A primeira batalha foi transformar o então OAB em Laboratório Nacional, aberto a todos e equipá-los com instrumentos modernos. Foi importante também a luta para o uso de computadores para analisar os dados e as imagens. Depois vieram o Gemini, SOAR etc….

VC- Você já fez muitos projetos. Ultimamente, está executando o projeto do telescópio Magalhães. Como você se sente pelo fato de ter revolucionado a astronomia brasileira com tantos projetos?

JS- Acho que o sentimento mais motivador é saber que estou trabalhando para a próxima geração de cientistas brasileiros.

VC- Sabemos que, no Brasil, o financiamento de projetos relacionados à astronomia são menores. De que forma essa falta de investimento afetou ou afeta o seu trabalho?
JS- Eu sempre tive bom financiamento para os projetos. Por serem sempre coletivos, as agências de financiamento entenderam que eram importantes e apoiaram. Isso, é claro, deu muito trabalho.

João Evangelista Steiner

*Os autores fizeram o melhor possível para conseguir informações sobre o entrevistado. Todavia faltou a contribuição de João Steiner. Uma pena!

“Acho que o sentimento mais motivador é saber que estou trabalhando para a próxima geração de cientistas brasileiros.”

Oitavo Ano

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