VITTRA, UMA ESCOLA SUECA, SURGE COM UM NOVO MÉTODO DE ENSINO INOVADOR

♦Letícia Garcia Cohn e João Marques Magalhães

Diferentemente das outras escolas comuns, Vittra Telefonplan, uma escola de ensino fundamental, localizada na Suécia, surgiu com uma nova proposta pedagógica inovadora, onde o ensino e o design se fundem. Telefonplan é uma rede que abrange cerca de 35 escolas gratuitas-públicas e já possuiu mais de 8 mil alunos matriculados, com um ensino para crianças de 6 a 11 anos. Esse novo método de ensino reafirma como é possível e mais divertido aprender brincando.

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Alunos trabalhando em uma das icônicas salas da Vittra. (fonte não identificada)
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Alunos trabalhando em uma das icônicas salas da Vittra. (fonte não identificada)

A proposta desse novo método é eliminar as carteiras e mesas de uma sala de aula comum. Proporcionando, assim, um espaço criativo e aconchegante onde o aluno poderá explorar e desenvolver suas ideias, habilidades, etc. Para isso, é essencial um ambiente que favoreça a liberdade de pensamento e expressão  dos alunos. Desse modo, em 2011, arquitetos, professores e alunos sob a direção de Rosan Bosch, uma arquiteta, criaram um ambiente onde pufs substituem as cadeiras e os alunos podem andar livremente pelo espaço. Arquibancadas , banquetas,  mesas, lustres e muito mais foram criados com grande design: cores vibrantes, formas geométricas e abstratas e muita criatividade. Um laboratório, um auditório e uma biblioteca não poderiam faltar, todavia, com o estilo Vittra, claro!  Podemos encontrar grandes mesas onde um grupo se reúne para reuniões e um pequeno nicho onde é possível contemplar alunos trabalhando individualmente.  Uma sala para relaxamento, um cinema, uma sala multimídia e um grande espaço para recreação também fazem parte  do complexo Vittra.

A escola Vittra apresenta um novo método de ensino, onde as aulas têm períodos mais longos em que os alunos não precisam permanecer sentados ou em sala de aula o tempo todo. “Nós simplificamos o horário dos alunos e damos mais tempo para que eles desenvolverem seus projetos”, disse Runnquist, diretor de pesquisas e desenvolvimento da escola.  É por esse motivo que todos os dias, antes do início das aulas, os alunos se reúnem em um auditório onde discutem um tema, uma nova ideia, para um novo projeto, alem de trocarem experiências de vida. É um momento de convívio e de compartilhamento. Vittra valoriza muito o desenvolvimento do aluno e ela acredita que para isso trabalhos individuais e em grupo são essências, e para isso, elas têm a autonomia de agir da forma que acharem melhor. O processo de fusão entre a pedagogia e o design é onde o espaço abstrato e inovador incentiva a criatividade e o prazer de estar na escola.  Dessa forma, os projetos são desenvolvidos com satisfação. “Nós aprendemos de diversas maneiras.  Precisamos estar em grupo; de tempo para nos concentrar; precisamos nos movimentar e trabalhar com mãos vozes e corpos. Precisamos ser inspirados e comunicar uns com os outros e com o mundo ao nosso redor.” – diz um aluno.

Espaços físicos

Além disso ainda ha um espaço para relaxamento e conversas e um espaço para recreação, principalmente para as crianças menores. A escola também é equipada com uma biblioteca variada onde os alunos podem consultar o que quiserem, a hora que quiserem, para enriquecerem seus trabalhos. Todos esses ambientes são providos com móveis criativos e bem desenhados onde as crianças podem desfrutar e ficar à vontade enquanto trabalham em seus projetos. “Eu vejo isso como nosso trabalho para criar um ambiente onde os alunos crescem e se sentem felizes em estar na escola”, relatou Rosan Bosch.  Para quem é mais individualista, ou prefere se concentrar mais e ficar isolado, existem os nichos, ou cavernas.  São espaços pequenos onde você consegue contemplar seu trabalho de forma mais atenta.  É claro que não existem apenas “sofás”, há também mesas grandes ou individuais onde o trabalho é mais concentrado. A rede possui aproximadamente 34 escolas e, cada uma delas tem aspectos diferentes, já que o design é desenvolvido a partir do lugar que a escola se localiza. O colégio apresenta diversos espaços onde é possível desenvolver vários trabalhos distintos. Há um laboratório onde temas de áreas como matemática, ciências e artes são abordados; uma sala multimídias onde é possível ver vídeos e discuti-los de forma aconchegante, já que o espaço é revestido com veludo para abafar o som. Como na maioria das escolas, há um auditório, onde os trabalhos são apresentados ao restante da escola. O “açude” é onde as aulas de educação física, dança etc ocorrem.

Metas e Ferramentas

Apesar da liberdade que é oferecida aos alunos, existem algumas metas em relação a pedagogia à serem atingidas: aprender a aprender; aprender com base nas experiências do cotidiano, compreender sua própria aprendizagem, ter fé em si mesmo e em suas capacidades, desenvolver a sua capacidade de comunicar e envolver-se em interação respeitosa com os outros, estar equipado para estudar e trabalhar num ambiente internacional e ter capacidade de analisar e avaliar as várias situações estimuladas. “Eu tentei quebrar a fronteira entre lazer e trabalho, construindo essa arca do tesouro, onde ferramentas de aprendizagem e inspiração são combinados com lugares onde é bom estar”, afirma Bosch. Para que essas metas sejam cumpridas, eles contam com o auxílio de algumas ferramentas, como o uso dos tabletes e laptop. Cada criança possui o seu próprio equipamento e, é com ele que elas desenvolveram seus trabalhos e pesquisas. Afinal, o colégio acredita que com essas ferramentas, as crianças estarem mais preparadas para o século 21. “A escola precisa ser como a vida. Não faz o menor sentido a criança ser bem-sucedida na escola e não ser na vida”, depõe Runnquist.

Oitavo Ano

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