DIRETOR FAZ ESCOLHA ARRISCADA

♦Aline Watson, Yuri Pollak e Olivia Peralta

O diretor do novo Caça Fantasmas, Paul Feig, fez uma escolha arriscada e diferente da maioria dos reboots, que se mantem na zona de conforto e fazem refilmagens que parecem mais com continuações para não correr o risco de causar discórdia ao desagradar antigos fãs.

Apesar de modificar e atualizar o enredo da versão original, tornando o longa mais parecido com uma refilmagem, a sequência traz diversos elementos que lembram as produções originais tornando a nostalgia evidente, desde o título, até o mesmo logo para o time, a aparição do fantasma da produção de 1984 (a gosma verde) que rouba o carro das garotas e a mesma música tema. Este sentimento de melancolia causado no espectador é um dos fatores que atraem a maior parte do público. Não podemos esquecer que a indústria atual do cinema é dominada por sequências e refilmagens, onde se encontra o forte poder econômico da nostalgia, tanto que, se esperava que o filme arrecadasse mais de 50 milhões na abertura. Entretanto, este arrecadou US$ 46 milhões, valor considerado abaixo do ideal para uma superprodução orçada em US$ 144 milhões.

No quesito criatividade o filme impressiona. Uma das coisas que o roteiro de Paul Feig e Katie Dippold tem de melhor é reiniciar a franquia, ao contar uma história paralela, original e atual sem deixar de lado o que faz com que o longa possa ser incluído com orgulho na série de filmes “Ghostbusters”. Além do mais o roteiro apresenta várias reviravoltas emocionantes.  Ou melhor, emocionantes à primeira vista, já que estas logo decepcionam. Muitas das melhores ideias que vemos no filme são mal aproveitadas e não se desenvolvem, acabando antes que possamos sentir o gostinho delas. Como exemplo, temos o momento em que Abby é possuída por um fantasma, a cena desse ocorrido é uma das melhores e usa muito bem do suspense, entretanto, logo na cena seguinte elas conseguem tirar o fantasma da cientista. A ideia que passa é de que o diretor escolheu tomar o caminho mais fácil, ao invés de seguir o longa com o desfio de uma Caça Fantasmas a menos e as outras três tendo que enfrentá-la.

O filme também deixa a desejar como comédia se comparado a outras produções da franquia, sendo que a de 1984 foi premiada como melhor comédia de todos os tempos pela IGN (Imagine Games Network) e ficou entre as 100 melhores em outros 4 rankings, além disso algumas piadas do retake de 2016 ficaram um pouco forçadas e fracas. Mesmo assim, a trilha sonora chega à altura. Um pouco antes do lançamento do filme a Sony lançou a trilha sonora oficial que inclui diversas versões adaptadas do tema da versão original de Caça Fantasmas, contendo como faixa principal a música “Ghostbusters (I’m not afraid) ”, uma parceria da banda Fall Out Boys com Missy Eliot.

Se quando o filme “Ghostbusters” foi lançado seus efeitos especiais eram impressionantes para a época agora que muito se avançou tecnologicamente quanto ao tema os efeitos especiais impressionam. A Sony investiu e a vivacidade das cores e movimentos propiciam ao filme um choque visual positivo. A cena final em que vemos a cidade Nova York coberta por fantasmas é simplesmente incrível.

Não há dúvida de que a maior diferença entre a refilmagem e o filme original é o novo elenco, que, ainda por cima, é composto por mulheres. No original o time é formado por uma equipe que operava como dedetizadores sendo desvalorizados pela prefeitura, mídia e o resto dos nova-iorquinos. O que antes era uma disputa de classes agora é uma disputa de gêneros, os Caça Fantasmas continuam sendo atacados a única coisa que mudou é o motivo.biaoo-mitan-dento-do-veran

Com isso, o longa faz diversas provocações contra o machismo mostrando a máxima do empoderamento feminino. Em vários momentos do filme, como quando as três cientistas se unem ou quando a personagem Erin conta sobre sua amizade e união com Abby é apresentada a ideologia feminista de que uma mulher pode e deveria ver a outra como uma parceira e não uma inimiga. Há também comentários machistas de haters no site das Caça Fantasmas. O filme é um exemplo de que mulheres também podem estar no comando, inclusive no comando de homens, como acontece com Kevin, interpretado por Chris Hemsworth, secretário das mulheres que preenche o estereótipo machista de “loiro burro”, desta vez ocupado por um homem. Além disso, vale a pena lembrar que Patty, a caça-fantasmas negra, é a única do grupo que não é cientista.

Por fim, ao formar este novo elenco para uma comédia, mesmo que esta não tenha sido muito eficaz, o diretor contraria o preconceito de que mulher não sabe fazer rir, reunindo quatro das atrizes mais engraçadas e famosas da atualidade: Melissa McCarthy, de “Missão Madrinha de Casamento”, no papel de Abby Yates, Kate McKinnon no papel de Holtzman, Kristen Wiig, de “A Espiã que Sabia de Menos”, interpretando Erin Gilbert, e Leslie Jones no papel de Patty.

Cada uma das quatro personagens principais tem personalidades distinta que complementam uma à outra. Holtz é mais liberal e adoidada e se encaixa muito bem no estereótipo de cientista maluca, sendo muito provavelmente a mais engraçada das quatro, Patty é muito simpática e descolada, enquanto Abby, a mais obcecada por fantasmas, sabe tudo sobre eles e, em sua parceria com Holtz, é quase tão doida quanto ela. Essas contrastam com Erin que por sua vez é mais séria e introvertida, mas quando se solta, alcança as outras no nível de loucura. Essa explosão de características e personalidades propiciam uma harmonia na tela.

Apesar de todas as críticas de raça e gênero presentes no filme, estas não são o suficiente para compensar o fato de que Caça Fantasmas é fraco quanto a comédia e que não soube aproveitar do melhor que tinha para oferecer, mesmo com todo o apelo nostálgico, o espectador vai encontrar um filme que não te prende a tela na maior parte do tempo.

Oitavo Ano

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